
Olá vizinha, olá vizinho!
Escreve aqui o Álvaro Filho e vou logo dizendo que essa newsletter é para ler enquanto se espera o metro ou o autocarro, isso se a paragem tiver iluminação.
Luz, câmara, ação! foi o tema central da semana na Mensagem. Mas o assunto curiosamente não foi o cinema, e sim, a falta de luz nas paragens de autocarro, a falta de ação nas escadas rolantes das estações e no próprio metro de Lisboa e uma certa desatenção em relação aos problemas na mobilidade dos lisboetas.
A questão da ausência de iluminação nas novas paragens de autocarro em Lisboa já havia sido tema de uma matéria da Mensagem, graças ao olhar sempre atento do repórter Frederico Raposo, que enxerga tudo. Até mesmo no escuro.
Na caixa de comentários do nosso Instagram, alguns passageiros relataram que, às vezes, era preciso ligar a lanterna do telemóvel e agitá-lo, como se estive num concerto dos Coldplay, para ser visto pelo condutor do autocarro numa paragem às escuras.
Na semana passada, porém, a empresa responsável pela instalação das paragens – a JC Decaux – resolveu colocar luz na questão. Literalmente. A boa notícia de que os abrigos, um ano depois, começaram a deixar para trás a Era das Trevas foi contada na Mensagem novamente pelo nosso repórter, em primeira mão.
Quem tem precisado de uma mão ou duas são os utentes do metro de Lisboa, já que vencer as escadas rolantes sem funcionar das estações tem virado uma marca da cidade. Não vai demorar e será possível encontrar um magnético com uma delas paradas a vender numa das lojas de souvenir, ao lado do elétrico 28.
Essa história, em forma de crónica na Mensagem, quem trouxe fui eu, que também ando a suar ao subir as escadarias da Baixa-Chiado como se estivesse num ginásio. Isso após ter corrido uma prova de “sem-metro” rasos para não perder o metro.
A experiência de usar o metro como um ginásio também foi partilhada por centenas de ofegantes leitores da Mensagem.
Esta desatenção com os utentes de transportes públicos é muitas vezes referida como um dos problemas do trânsito em Lisboa – porque as pessos consideram o automóvel muito mais confortável. É disso que fala, também, Pedro Nave, que lidera a equipa da mobilidade pedonal na CML, na semana em que Lisboa recebe a maior conferência internacional de mobilidade pedonal – a Walk21. Nesta entrevista ele conta como tem contribuído para “a mobilidade dos peões, para melhorar as condições dos peões, alterar os pavimentos dos passeios, criar corrimãos que garantem a segurança das pessoas. É um trabalho imenso, invisível. “stamos melhor, mas, face à dimensão da demanda que existe, ainda é muito pouco.“
É preciso repensar tudo isto, e contribuir para que a cidade seja, afinal, mais amiga de quem a usa. É que a última coisa que se espera ao entrar numa estação de metro é ser obrigado a colocar o exercício físico em dia.
Até para a semana
Ávaro Filho
PS- Esta semana, quando continuamos a ver os painéis da JC Decaux a serem colocados, o Rui Martins faz uma análise da energia gasta e uma sugestão. Leia aqui:
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