Olá, vizinho/a!

Hoje, quem vos escreve é a Catarina Reis. Para vos dizer que nem tudo o que parece, é.

Por exemplo, há quanto tempo não vai à Baixa? Talvez não muito, certo? Talvez seja um dos muitos que, aos fins de semana, deixam esta zona nobre da cidade intransitável, nas calçadas e no alcatrão. Talvez tenha ido às compras ou ver as luzes de Natal – como lembrava o Frederico Raposo, na newsletter da semana passada.

Na Mensagem, tornámo-nos mais atentos às ruas que nos rodeiam. Tendo a nossa sede no Chiado, n’A Brasileira, o nosso percurso diário é este. Baixa e Chiado, duas zonas onde o comércio é, desde sempre, a origem do pulsar da vida que ali existe.

Veja a seguinte foto: esta já foi a Rua do Ouro. Era à luz do dia – e não apenas à sombra das luzes de Natal – que ela se enchia.

Benoliel/sem data/ Arquivo Municipal de Lisboa

Como o nosso projeto nasceu em plena pandemia, vimos como a vida nestas ruas esteve ligada às máquinas – quando desertas, no confinamento. Agora, nas ruas que se enchem, sobretudo ao fim de semana, parece mesmo que o Natal salva o deserto em que algumas se tornaram.

Mas o que se passa com a Baixa? Porque é que o turismo não a encheu de um comércio vivo, alegre, saudável? O contraste é grande entre algumas ruas e outras. Porque é que as ruas da Prata e do Ouro têm, juntas, 60 lojas fechadas? Quanto valem estas lojas? Para o que poderiam servir?

Os turistas, afinal, são os bons ou os maus da fita? E por que razão a Rua Augusta escapa ao cenário das ruas vizinhas? Está a solução na retirada de carros da Baixa? O que se fez lá fora de sucesso que possamos replicar?

Foi sobre estas perguntas que nos debruçámos durante meses, num trabalho de investigação e de terreno que resultou nesta reportagem.

E entramos nas lojas, para conhecer a Sónia Faria, que aos 16 anos foi para trás do balcão da Ourivesaria Araújo’s – contrariada, é certo, na flor da adolescência – e hoje é uma apaixonada pela Rua do Ouro.

Ou a Maria, na Rua da Prata, que dedicou toda a vida às drogarias da nossa cidade.

Engane-se quem pensa que tudo começou com a pandemia. A chegada do vírus só acelerou o que poderá ter começado a 25 de Agosto de 1988, com o grande incêndio nos Armazéns do Chiado. E, anos mais tarde, com a chegada dos centros comerciais à cidade. E com as transformações na lei do arrendamento – primeiro congelando, depois liberalizando.

Para muita história, muitas perguntas. Mas poucas respostas.

Queremos mesmo uma Baixa, a principal montra da cidade, deserta de comércio de qualidade?

Segundo a UACS cerca de 70% do comércio da Baixa depende do turismo, em mais de 90%.

E porque é que os lisboetas abandonaram a Baixa? O que terá de ser feito para voltarem?

Vão pensando nestas questões – em janeiro, este será o tema de um debate onde voltaremos à Brasileira e ao contacto com os nossos leitores. Marquem já na agenda: dia 18, às 18:30. E inscrevam-se, enviando também ideias para o debate!

— Catarina Reis
Jornalista

P.S. – A Mensagem acabou de arrecadar três prémios de ciberjornalismo, na 14.ª edição dos Prémios de Ciberjornalismo. Dois para o podcast Sons de Lisboa (um do público, outro do júri) e um para a reportagem “Heróis da cidade. Orientavam os putos do bairro, agora salvam famílias da fome”. A quem votou em nós: o nosso muito obrigada!

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