Olá, vizinho/a
Hoje é seu, o meu, o nosso dia. É o Dia Mundial do Vizinho. E amanhã há mais uma manifestação pelo direito à Habitação. Em Lisboa, o ponto de encontro é às 15h, na Alameda D. Afonso Henriques.
Também por isso, esta semana estamos a publicar uma série sobre as questões relacionadas com a habitação, e como elas interferem na forma como Lisboa evoluiu e evoluiu. Este trabalho de Jornalismo de Soluções foi em busca das questões, e procurou – como todo o jornalismo que assim é feito – encontrar lugares onde a pressão imobiliária foi contida de forma a que o centro das cidades tivesse mistura de usos, mistura de pessoas, mistura de gente.
Este trabaho está a ser elaborado em parceria com duas redações europeias – Maldita, em Espanha, e Slow News, em Itália, e é resultado de uma bolsa do Journalismfund Europe.

A série Cidades para Viver (Housing Cities) olhar para a relação entre habitação e turismo em Lisboa, usando comparações com Veneza e a série Cidades Resistentes ao Calor (Heat-resilient cities) vai aprofundar a forma como o espaço público de Lisboa, Madrid e Milão está preparado – ou não – para oferecer refúgio em dias de calor.
Pode ver os artigos já publicados aqui:
Amanhã vamos publicar um novo artigo em que avaliamos a relação entre o turismo e a crise da habitação na cidade de Lisboa. Será que era inevitável? E o que é que maneira como lidamos com o turismo diz sobre essa relação? O turismo tem relação direta com a galopante valorização imobiliária na cidade? Todo o turismo? Os hoteis ou sobretudo os Alojamentos Locais?
Entre 2011 e 2021, os Censos mostraram que nas freguesias do centro histórico, por exemplo, o crescimento do Alojamento Local foi acompanhado de um decréscimo populacional que chegou a superar os 26% na freguesia da Misericórdia (e os 22% em Santa Maria Maior). Isto tendo em contra que nos anos 1980, a Baixa, por exemplo, a curva descendente foi a mais acenturada. Só para dar mais um exemplo: Lisboa tem o dobro dos Alojamentos Locais de Barcelona, que tem uma população três vezes superior à de Lisboa. Durante a pandemia, quando o Alojamento Local (AL) deixou de ter clientes, o regresso de centenas de unidades de AL ao mercado da habitação conduziu a um aumento da oferta e a uma queda dos preços – pela primeira e única vez.
Foi por tudo isto que em 2022 nasceu o Movimento Referendo pela Habitação com o objetivo de realizar o primeiro referendo local de sempre em Lisboa, para perceber se os lisboetas concordam, ou não, com o fim do Alojamento Local em prédios com licença de habitação, seguindo os passos de Barcelona ou Budapeste. Esta semana publicámos um vídeo em que explicamos o quão próxima Lisboa está de realizar este referendo e o impacto que o fim do AL na cidade pode ter no mercado habitacional.
Na semana que vem vamos publicar um artigo em que arriscamos algumas soluções tentadas e provadas para combater a gentrificação do centro. Tenham um bom fim de semana e fiquem atentos nos próximos dias!
Frederico Raposo, jornalista
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