Ilustração: Nuno Saraiva

Lisboa está repleta de heróis cujos gestos, por mais pequenos que sejam, transformam a cidade. E nem sempre é preciso uma multidão para ajudar na mudança. Por vezes, um caixote de compostagem no quintal já é o suficiente para se ser um herói, mesmo que só na nossa rua. São essas histórias que decidimos premiar, num projeto com a Sociedade Ponto Verde (SPV), ao qual chamamos “Heróis da Reciclagem”. E já temos vencedores!

Desde o final de junho, recebemos dezenas de candidaturas de todas as partes da Área Metropolitana de Lisboa (AML).  O júri – composto por  João Paulo Almeida (Embaixador do Projeto e Ativista ambiental), Iara Vieira (Sociedade Ponto Verde), Frederico Raposo (Mensagem de Lisboa), Susana Fonseca (Vice-Presidente da Zero) e João Lopes (AML) – reuniu-se nesta terça-feira e elegeu os 12 “Heróis da Reciclagem”.

“Recebemos candidaturas muito interessantes. Há muita gente com vontade de fazer a diferença e de valorizar a própria reciclagem. Precisamos de mais pessoas assim, que nos inspirem”, diz o embaixador João Paulo Almeida.

Agora, estes heróis vão ter um documentário produzido pela Mensagem de Lisboa e divulgado nas nossas plataformas a partir de agosto.

Parabéns aos vencedores e obrigado a todos os concorrentes!

Conheça-os os vencedores:

A Magia do Lixo
Manuel Pinho é alfacinha de gema e freguês da Estrela. É professor de Biologia e Geologia e um herói da reciclagem já antes de assim o nomearmos. Faz compostagem no quintal da casa, ensina como o fazer a quem quiser aprender, recolhe os resíduos orgânicos dos vizinhos e ainda vai a escolas, com uma capa de super herói, mostrar que a compostagem é um ato de cidadania.

Ilustração: Nuno Saraiva

Dona Ajuda
No antigo mercado do Rato, a Dona Ajuda tem um pouco de tudo: roupa, sapatos, móveis, livros, jogos, brinquedos, etc… Recebem doações de privados, fazem uma triagem, escolhem, consertam, limpam e dão a todos os bens doados uma nova vida, através da doação a pessoas referenciadas ou da venda a preços acessíveis. O valor das vendas é canalizado para apoiar projetos sociais, culturais e ambientais.

Kitchen Dates
Maria Antunes e o Rui Catalão têm um projeto de literacia alimentar que ajuda pessoas e organizações a adotar práticas mais sustentáveis e reduzir o impacto no planeta. Querem espalhar a mensagem de que tornar a alimentação mais saudável, consciente e sustentável não tem de ser um bicho de sete cabeças. 

Laboratório do Plástico 
Este é apenas um dos muitos projetos da associação EDA (Ensaios e Diálogos Associação), que transformou o antigo Presídio da Trafaria num espaço criativo onde a comunidade aprende e experimenta novas formas de reduzir e reutilizar plástico. Com oficinas, arte e ciência cidadã, este hub dá continuidade a anos de sensibilização ambiental e mostra como a criatividade pode reinventar o lixo.

Ilustração: Nuno Saraiva

Garbags
Desde 2011, a Garbags recolhe embalagens não recicláveis — de pacotes de café a sacos de ração — e transforma-as em mochilas, malas e acessórios. Produzido por costureiras locais e integrado num sistema de economia circular, cada peça é um manifesto contra o desperdício.

Fiumani Studio
O artista italiano Filipo Fiumani recolhe móveis velhos, madeira e sucata das ruas de Lisboa e transforma-os em instalações artísticas que devolvem beleza e significado ao que foi descartado. A sua obra une vizinhos, ativa espaços abandonados e convida a cidade a repensar o ciclo do desperdício.

Clobies
Da experiência real de maternidade nasceu a Clobies, uma loja online que vende e aluga roupa de bebé em segunda mão, dos 0 aos 24 meses. Cada peça é cuidada e reutilizada, reduzindo o lixo têxtil e ajudando famílias a vestir os filhos de forma mais consciente e acessível.

Ilustração: Nuno Saraiva

Desplastifica_TEJO
Nas margens do Tejo, um grupo de voluntários transformou passeios de limpeza em movimento cívico. O Desplastifica_TEJO recolhe lixo, sensibiliza escolas e mobiliza a comunidade para recusar, reduzir e reciclar, devolvendo vida ao rio e civismo às margens.

Assembleia da Bicicleta
Na Misericórdia, a Assembleia da Bicicleta mantém viva a cultura da reparação e reutilização. Com voluntários, recolhe peças descartadas, dá-lhes nova vida e promove a mobilidade sustentável, provando que cada bicicleta recuperada é também uma vitória ambiental.

Ilustração: Nuno Saraiva

Eco-Estilistas
Os Eco-Estilistas transformam desperdício têxtil em moda criativa e consciente. Através da costura, do design e da reutilização de materiais, mostram que cada peça pode ter múltiplas vidas — e que o estilo pode andar de mãos dadas com a sustentabilidade.

Diogo Madeira
Das praias de Lisboa saem as matérias-primas para estas jóias: vidro, plástico e outros resíduos recolhidos e transformados em peças únicas. Cada jóia que Diogo Madeira faz é um pedaço do oceano resgatado, devolvido à cidade com nova forma e valor.

Cátia da Cruz Mendes
Todos os dias, a caminho do trabalho ou num simples passeio, a Cátia recolhe garrafas de vidro que encontra abandonadas nas ruas de Lisboa. Em dois anos, já desviou milhares delas do lixo comum para o vidrão, mostrando que pequenos gestos individuais podem ter um grande impacto coletivo na limpeza da cidade e na reciclagem. 


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Ana Narciso

Ana Narciso tem 25 anos, vem de Rio Maior, mas vive em Lisboa desde os 18. Foi pelas histórias por contar que escolheu licenciar-se em Jornalismo. Durante o curso passou muitas horas na rádio e no jornal, que coordenou.


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