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Alice Neto de Sousa. Imagens: Líbia Florentino.

Caruma

Ao fim da primavera, no Jardim da Parada.

Sementes perdidas, fecundadas em nuvens passageiras.
Se entranham fertilizadas na moleza da alma,
Batem, batem, até que as raízes de lugares passados,
Arranjam caminho pela regueira dos rochedos teimosos da dor.
As árvores eretas ao luar, ela, vergada escoliosamente,
Com espaço para que sentem e sinta.
O verde inocente espevitado de um princípio,
Se desgasta até se acastanhar em derrota.
A esperança cortada,
Como giestas pequeninas em vésperas de Natal.
Caducas, num ninho desfeito
Em punhados de caruma que ninguém apanha. 

Alice Neto de Sousa – Lisboa, Junho de 2022

Leia a sua história completa no artigo: Quem é Alice Neto de Sousa, a lisboeta que pôs toda a gente a falar de poesia


Alice Neto de Sousa

Entre outros ofícios, é uma poeta portuguesa com raízes em Angola. Atualmente é convidada regular no programa “Bem-Vindos” na RTP África, faz parte da bolsa de poetas dizedores da associação cultural “A Palavra” e dedica ainda o seu tempo a escrever às prostitutas do metro do Martim Moniz e a “afiar a língua” para temas sociais emergentes. Inquieta por natureza nas palavras e nas escolhas, gosta de liberdade de pensar e de sentir.

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1 Comentário

  1. Sou nascida e criada em Lisboa, saí para viver noutra cidade com 30 anos de idade. O vosso jornal traz-me memórias tão vivas da Lisboa que vivi, e que sei já não ser bem assim…
    Excelente o vosso trabalho na recolha dessas vivências e na partilha com os vossos leitores, Parabéns, continuem o ótimo trabalho!!!

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