Foto: CML/ CarlosMDSilva

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Há cidades europeias que pagam aos seus cidadãos para deixarem de ter automóvel. É mais uma resposta ao desafio da emergência climática, com as cidades no epicentro do debate: o caminho para a sustentabilidade passa por pequenos passos como trocar o transporte individual por alternativas mais ecológicas.

Bruxelas é o caso mais recente – e que levou esta política bem a sério. Com o programa Bruxell’air, os cidadãos recebem um bónus até 900 euros ao cancelarem o registo do seu carro perante as autoridades locais.

Os bónus são atribuídos anualmente de acordo com os salários dos beneficiários, com as pessoas com rendimentos mais baixos e com deficiência a receberem o bónus máximo de 900 euros. O bónus mínimo é de 500 euros para indivíduos ou agregados familiares com rendimentos mais altos, havendo ainda um bónus médio de 700 euros.

O dinheiro pode ser investido em equipamento de bicicleta, na subscrição de um plano de transportes públicos ou em serviços de car-sharing.

O programa terá ainda a supervisão das autoridades ambientais para se assegurar que os beneficiários não reativam o registo do carro depois de receberem o fundo. Qualquer quantia que não for gasta em meios de transporte será devolvida à cidade.

Recompensar por pedalar

Esta não é uma ideia nova – o Bruxell’air já existe desde 2006, mas o bónus máximo este ano cresceu de 500 para 900 euros. Também em 2006, algumas companhias holandesas começaram a recompensar os seus ciclistas com um crédito de 19 cêntimos por quilómetro – assim, ao pedalar dez quilómetros por dia cinco dias por semana, o ciclista recebe 450 euros mensais.

Com a Bélgica e a Holanda na dianteira, outros países e cidades europeias replicaram o esquema: em 2014, Paris encabeçou uma experiência em que os ciclistas recebiam 25 cêntimos por cada quilómetro recebido, um sistema que já eras aliás usado por algumas companhias francesas.

Há cidades que recompensam quem pedala.

Nesse mesmo ano, Milão passou a enviar um voucher de 1,50 euros a quem deixasse o seu carro em casa durante um dia. 1,50 euros corresponde à taxa normal de uma viagem de autocarro, metro, comboio na cidade italiana.

O sistema também chegou à cidade de Massarosa em 2015, que passou a pagar aos seus ciclistas 25 cêntimos por quilómetro pedalado, até a um limite de 50 euros mensais. Em 2019, Bari seguiu o exemplo, com 21 cêntimos por quilómetro.

Recompensar por abater o carro

Em Coventry, no Reino Unido, uma experiência financiada pelo governo no ano passado incentivou os condutores a deixarem os seus carros – e até mesmo a abatê-los – em troca de um crédito de 3 mil libras num cartão de transportes ou numa aplicação no telemóvel. O dinheiro reverteria para o uso de transportes públicos, bicicletas mas também era possível usá-lo para comprar carros elétricos.

Inicialmente só cem pessoas participaram, mas a ideia seria expandir o sistema pelo Reino Unido, financiado por empresas de car-sharing ou por operadores de transportes públicos – ainda se aguardam notícias em relação ao futuro desta experiência.

O sistema de Coventry concedia 3 mil libras para o abate de um carro. Foto: Unsplash

Os programas de abate de carros, como aconteceram em Coventry (e que também acontecem em Vancouver, no Canadá, com a oferta de passes de viagens no valor de cerca de 600 dólares) foram aliás mencionados recentemente pelo Presidente da Câmara de Londres Sadiq Khan, que quer implementá-los na cidade.

O objetivo final são cidades sustentáveis e resilientes, com melhor qualidade de ar e menos congestão, numa altura em que ainda há uma janela de ação para atuar em relação às alterações climáticas.

As cidades europeias têm agido nesse sentido, aumentando a sua rede ciclável e expandido as suas Zonas de Emissões Reduzidas (ZER).


Ana da Cunha

Nasceu no Porto, há 25 anos, mas desde 2019 que faz do Alfa Pendular a sua casa. Em Lisboa, descobriu o amor às histórias, ouvindo-as e contando-as na Avenida de Berna, na Universidade Nova de Lisboa.

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