Assumindo uma campanha dura, nesta entrevista à Mensagem Carlos Moedas diz que parte da animosidade que sentiu teve a ver com uma “certa diabolização” da sua candidatura por parte da esquerda. E garante: “Eu vou ser um presidente inclusivo. Só que há uma coisa: ouvir, ouvir é das coisas mais difíceis na política.”

“A esquerda ao querer diabolizar quem não é de esquerda teve esse efeito – tudo o que eu dizia era logo visto pelo outro ângulo. Eu dizia: esta ciclovia está mal feita. E eles, logo: ‘Tão a ver, ele não gosta de ciclovias, não votem nele que ele vai acabar com as ciclovias. E isso é mentira! E eu dizia para mim: Bolas, eu disse isto porque isto está mal feito, não contra as ciclovias! Era um bocadinho a pessoa estar ali, no dia a dia, e já sabia que cada coisa que dizia havia um grupo de pessoas que pegava e dizia ‘Pronto, ele é dos maus. Atenção. Os outros é que são os bons’. Temos que acabar com esta ideia dos bons e dos maus. A pessoa está nesta luta para mudar a cidade para melhor!”

Na verdade, de poucos temas do seu programa se tem falado na campanha. Nesta entrevista percorremos alguns dos outros, nomeadamente a área social e cultural – e o que quer dizer com um teatro em cada bairro ou com a prioridade dos bairros sociais que o fez levar uma fotografia para o debate com Fernando Medina.

“No dia seguinte, aqui, no Chiado, a mãe de um rapaz com deficiência parou-me na rua e disse: aquela é a minha casa”, conta Moedas. “Fiquei chocado com as condições desumanas em que as pessoas vivem.”

A Lisboa que hoje Carlos Moedas conhece é diferente da que conhecia no início deste percurso – embora garante que conhece a cidade tão bem como os outros, porque a via com olhos saudosos do emigrante. “Lisboa tem a luz que Bruxelas, Paris ou Londres não têm. Vivi nas três.”

Conta a cena caricata que o impressionou, ao entrar num bairro da Gebalis, quando o confundiram com um dirigente da empresa que gere os bairros municipais e o ofenderam das janelas. “As pessoas não podem viver nas condições em que vivem”, conclui, escolhendo essa a grande causa que, se pudesse, alterava de um dia para o outro. Na conversa entrou também Joana Mouta, dirigente da Associação Passa Sabi, que opera no Bairro do Rego, Avenidas Novas, a quem Moedas aproveitou para fazer também algumas perguntas sobre como é essa gestão no terreno. “Defendo um estado social local, mais próximo das pessoas”, explicou.

Sobre a Lisboa que o atrai, a Lisboa da luz que é a Lisboa dos expatriados, dos que lhe sentem as saudades, Carlos Moedas garante que não vai abandonar a cidade, seja qual seja o mandato que tenha. “Era este o projeto que eu queria para a minha vida”, assume. “É o cargo mais bonito da política – é o mais próximo das pessoas e é como ser treinador de futebol, se não funcionar vê-se logo”. Sem nunca dizer o que fará se perder, uma coisa garante: “Vou cumprir o meu mandato que é para isso que as pessoas votam em nós”.

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Catarina Carvalho

Jornalista desde as teclas da máquina de escrever do avô, agora com 48 anos está a fazer o projeto que melhor representa o que defende no jornalismo: histórias e pessoas. Lidera redações há 20 anos – Sábado, DN, Diário Económico, Notícias Magazine, Evasões, Volta ao Mundo… – e segue os media internacionais, fazendo parte do board do World Editors Forum. Nada lhe dá mais gozo que contar as histórias da sua rua, em Lisboa.

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3 Comentários

  1. O Comércio de Proximidade da Cidade de Lisboa está muito esperançado de que os Novos Tempos tragam consigo Novas Vontades, Novas Ideias, Novas Competências, Novas Pessoas!

  2. Oxalá o novo presidente de Lisboa saiba unir ao invés de separar, saiba escutar e dar voz aos cidadãos, mesmo os que vivem em situação de maior vulnerabilidade e exclusão social, e não se deixe nunca moldar por políticas assentes na soberba e no compadrio. Também desejo que finalmente Lisboa tenha uma ação direta e transparente na transformação da dependência de caridade em autossustento, para garantir justiça, equidade, autonomia e uma vida em dignidade a todos.

  3. Chegava a Lisboa e ficava deslumbrado, o que é normal. O que já não é normal é continuar um deslumbrado …

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