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Esperámos uma semana. Duas. Até três. E nada.

Estavámos com receio que algum jornal ou televisão agarrasse mais profundamente nas histórias que o Bairro do Zambujal tem para contar, sobretudo depois do alarido que se seguiu à morte de Odair Moniz. Mas não. Rapidamente os media esqueceram, a opinião pública esqueceu. E assim avança o tempo sem se curar as feridas, que ficam a doer por baixo da pele nova.

As notícias de ontem substituídas pelas de hoje.

Antes de tudo acontecer, a Mensagem andava pelo Zambujal a fazer a reportagem que hoje publicamos. Demos um tempo, porque era praticamente impossível falar do que quer que fosse. Hoje publicamos a reportagem que eu – fala-vos a Inês Leote – e o Ricardo Farinha, fizemos no projeto dos murais que estão a mudar a face deste bairro. O projeto Zambujal360, uma galeria ao ar livre com murais de histórias reais e rostos reais que falam dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Cada mural feito por um artista diferente.

Todo este projeto foi pensado e construído com os moradores do bairro. Alguns deles estão pintados nos prédios, personagens inescapáveis naquele lugar. Outros foram escolhidos para subir aos andaimes e dar vida às empenas.

Zambujal
Foto: Inês Leote

A “Tita” – nesta foto – que conhecemos este final de verão, é a cara que abre a exposição que se estende bairro dentro. Naquela primeira parede, conta-se a luta de uma jovem cabo-verdiana, salva em criança da pobreza por uma família branca.

Mas há mais lutas escondidas naquele bairro. Júlia, Soraia e Vicent são outros moradores que dão a cara por elas neste projeto. Educação, Igualdade de Género, Acesso a Água potável, Saúde de Qualidade… São os ODS pintados nestas paredes e levam-nos a perguntar como seria a nossa história se tivéssemos sido privados de algum deles à nascença?

O Zambujal 360 é um roteiro pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e um roteiro pelo bairro, que se faz das suas pessoas.

Um bairro que agora as quer contar à cidade e ao mundo – até para mostrar que tem muito mais para contar.

Passem por lá sem receios e apreciem o que estas paredes têm para contar.

Até já!

Inês Leote

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