Olá vizinho/a!
“Toda a liberdade é precária… e é sempre preciso lutar por ela”, diz o Sérgio Godinho numa entrevista citada na última canção da Garota Não, feita sobre as letras dele. É um bom mote para o que aconteceu esta semana em Lisboa. Com a enorme manifestação dos 50 anos do 25 de Abril.
Não falo apenas do cortejo. Falo do que aconteceu no Terreiro do Paço, no Largo do Carmo, no Chiado, no Rossio, por toda a cidade. Por todas as cidades da Área Metropolitana, aliás. Foi uma festa popular, que o povo agarrou e celebrou, a defender mais uma vez o que tanto tomamos por garantido e às vezes somos lembrados que não é.
Foi uma festa do Povo.
Às vezes falamos de Povo no linguajar um tanto oco dos partidos políticos, mas aqui, quem lá esteve, sentiu-o. Como uma energia coletiva que percorreu os espaços, que se fazia de olhares, lágrimas e sorrisos e toques e abraços e canções.

Apesar de feita por militares, a Revolução de Abril em Portugal foi muito isso, e é daí que vem muita da sua beleza. Dos indivíduos que fizeram dela o que foi. Do cabo José Alves Costa que estava no carro blindado, junto do Terreiro do Paço, com Salgueiro Maia em ponto de mira e ordem para disparar e não o fez. Da mulher que distribuiu os cravos que trazia no saco aos militares, Celeste Caeiro, dando nome ao momento. É por isso que tem tanta importância aquela frase: onde estavas? Porque toda a gente sente que participou individualmente num gesto coletivo (é esse o espírito da série Lisboa Que Amanhece que publicámos estes dias, espreite aqui).
E foi disso que também este dia de 2024 foi feito. Cartazes amadores inventados por cada um à sua maneira, t-shirts grafitadas, slogans que alguém começava a gritar sozinho – e era imediatamente seguido por tantos ali à volta.
Desci parte da Avenida da Liberdade atrás de um grupo de mulheres mais velhas que traziam a letra de Grândola e juntei-me às suas vozes. Mais à frente, uma criança gritou o slogan que eu gritava com dois anos “O Povo Unido…” e emocionei-me. Batemos palmas. Chorei ao ouvir a “Gaivota Voava, Voava” cantada em uníssono no Carmo.
Uma festa popular. Contra ninguém, mas a favor de todos e cada um. Foi como se toda a gente tivesse acordado e pensado que precisava de dar aos outros esta mostra de: Estamos aqui. Sabemos o que somos e o que fazemos aqui. Não vamos abandonar-nos.
Sempre tive saudades do 25 de Abril que não vivi. Desse dia inicial da esperança. Sei que não é igual, mas esses cartazes, a força desta comemoração, restauraram a minha esperança nestes dias.
E a sua?
Deixo aqui em baixo as histórias deste 25 de Abril que nos aqueceu a alma. Das recordações do Ferreira Fernandes aos testemunhos das primeiras horas dessa manhã que a Catarina Pires recolheu e a Inês Leote editou – homenageando a Lisboa Que Amanhece, do Sérgio Godinho.
Na verdade, se pensarmos bem, toda esta Mensagem de Lisboa é uma homenagem a Abril, retratando esse mundo livre e diverso que com ele nasceu.
25 de Abril, sempre!

Catarina Carvalho
Co-fundadora e diretora

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