Olá, vizinho/a
Na madrugada de segunda, que estava a usar para começar a trabalhar com menos olheiras, a terra tremeu e acordou-me antes da hora. Aconteceu o mesmo com boa parte dos lisboetas.
Por sorte, não passou de um susto. Não houve vítimas nem danos materiais e a intensidade de 5.3 do tremor não foi sequer suficiente para ativar os planos de emergência da Proteção Civil – só acontece a partir dos 6.1 graus.
Mas lançou o alerta.
Nas horas que se seguiram, multiplicaram-se os avisos, falou-se da necessidade de preparar a cidade para o dia em que Lisboa seja abalada por um sismo mais forte. Foram publicados conselhos para a criação de kits de emergência, sublinhou-se a necessidade de apostar no reforço sísmico dos edifícios da cidade e, em consonância, a Câmara Municipal de Lisboa anunciou que vai lançar uma aplicação, a LxReSist, para informar os lisboetas sobre o potencial risco sísmico presente nos seus edifícios – já prometida.
O RESIST é o programa municipal de promoção da resiliência sísmica dos edifícios e infraestruturas urbanas municipais e define orientações para a avaliação da vulnerabilidade sísmica da cidade.
Em outubro do ano passado, dávamos conta de que apenas nove das 24 freguesias da cidade apresentavam nos respetivos sites planos locais de emergência.
Mas percebemos que restaram muitas dúvidas. Por isso a Mensagem resolveu fazer um guia completo de tudo o que precisamos de saber e fazer.
Veja aqui:
Não fuja para o Terreiro do Paço e… onde se abrigar em Alvalade? Guia de sobrevivência a sismos para lisboetas

Resta-nos esperar que não seja como nas épocas de incêndios, quando perante a tragédia o tema e a necessidade de ação dominam o debate público e político. Mas, depois, o assunto é substituído por outro da efémera agenda mediática e a conversa, os planos e as intenções dissipam-se, com pouco a mudar no terreno.
Mortes, mas na estrada
Esta semana, um atropelamento matou em Lisboa, na Avenida das Forças Armadas, em Entrecampos. Não aconteceu sem aviso. Em 2023, o lisboeta Pedro Franco lançava uma petição pela segurança rodoviária neste local. Tal como no caso dos sismos e dos incêndios, na estrada, os fatores que conduzem à tragédia são conhecidos. A forma de agir para evitar danos futuros também.
Pois o Pedro Franco voltou a ver a tragédia da sua janela,
Sabemos o que mata na estrada: a velocidade, o incumprimento do código – os vermelhos ignorados, os limites ultrapassados, o álcool no sangue – e a fiscalização deficiente.
E sabemos também o que funciona na prevenção: medidas de acalmia de tráfego, o reforço da fiscalização, a redução das velocidades e a própria forma de construir cidade.
Em 2022, foi aprovada em reunião da Câmara uma redução da velocidade máxima de 10 quilómetros por hora em todas a cidade. Mas Lisboa continua sem a aplicar. Por essa altura, neste texto, explicava como a 50 quilómetros por hora, o limite da velocidade atualmente definido para grande parte das nossas ruas, os atropelamentos são fatais em 45% dos casos, mas quando a velocidade de circulação passa para os 30 quilómetros por hora, o atropelamento de um peão só é fatal em 5% dos sinistros.

Nos sismos, tal como na estrada, conta mais a ação no terreno do que os planos e os relatórios apresentados.
O diagnóstico, para a cidade que abana e para os carros que aceleram está feito.
Falta intervir.
Desejo-vos um bom fim de semana e que na próxima segunda seja o despertador a fazer-nos levantar.
Um abraço,
– Frederico Raposo, jornalista
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