Em 2020, para aliviar os efeitos da pandemia nos negócios, surgiram as esplanadas-covid. Eram gratuitas, não pagavam licenças. Foi um projeto piloto da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e das Juntas de Freguesia que aderissem. A esplanadas tinham de seguir regras apertadas no que tocava às dimensões e estética da estrutura e as Juntas podiam co-financiar o investimento para o efeito.
Ao todo, a cidade ganhou 365 esplanadas em lugar de estacionamento.
Cerca de um ano depois, houve dois cenários: as Juntas de Freguesia que quiserem retirar as esplanadas, alegando o título temporário das licenças, e as que decidiram passá-las de projeto piloto a projeto definitivo. O segundo episódio desta série é sobre o primeiro caso, deixando o outro para o terceiro e último episódio.
A Mensagem lança luz sobre a polémica as esplandas em Lisbo com a série em vídeo Esplanadas de Lisboa sobre a origem das esplanadas, os problemas enfrentados durante o passar dos anos e os bons exemplos de convivência entre os espaços para peões e para os carros.
Um trabalho feito a seis mãos pela repórter Ana Narciso, com imagens da fotógrafa Catarina Ferreira Pires e edição de Inês Leote.
O que se passa nestas duas freguesias?

Em Arroios a situação tem vindo a complicar-se desde 2022. No verão desse ano, a Junta de Freguesia ordenou que as esplanadas cedidas a titulo temporário fossem retiradas a partir de setembro. Contudo, os comerciantes têm tentado todas as vias legais possíveis para que tenham a oportunidade de tornar as licenças permanentes.
Desde o primeiro aviso em 2022, houve mais dois: no final do ano de 2023 e outra vez em junho deste ano. Inicialmente a razão era a falta de estacionamento na freguesia, mas neste último aviso alegaram queixas de moradores sobre o ruído noturno. No dia 28 de junho tornou-se público que os 38 estabelecimentos afetados estão a ponderar avançar com uma providência cautelar contra o fecho das esplanadas.
Desde junho de 2022 que a Junta de Freguesia de Arroios não responde às questões enviadas pela Mensagem sobre o tema.
Em Santo António, freguesia que também exigiu a retirada de todos as esplanadas-covid até ao final do ano passado, existem esplanadas autorizadas. O restaurante No Talho Premium Lisboa, na Praça da Alegria, ocupa dois lugares de estacionamento com a sua esplanada. Não muito longe, o restaurante Pastaria também.
Segundo Vasco Morgado, presidente da Junta, estas esplanadas tinham o prazo de seis meses, até ao fim do verão, mas ao dia de hoje ainda lá estão. Ao contrário das outras todas que, nas mesmas condições, foram retiradas no início deste ano noutros pontos da freguesia.
Arroios e Santo António não são casos únicos
As freguesias de Arroios e Santo António não foram as únicas a retirar as esplanadas-covid. Mas foram as que deram origem a mais discussão. Nos Olivais, a Junta de Freguesia informa, numa nota enviada à Mensagem, que o projeto acabou em 2021 e que, ao dia de hoje, já não existem esplanadas em lugares de estacionamento.
Também em Alvalade as esplanadas licenciadas em 2020 foram encaradas como uma medida excecional e provisória. Lê-se na nota enviada à Mensagem: “Atualmente, até pela elevada pressão sobre o estacionamento, em especial para residentes, nas zonas de maior concentração de comércio, foi entendido que não seria de se autorizar a instalação de esplanadas em lugares de estacionamento. Por uma questão de justiça estendeu-se esta posição a toda a freguesia.”
Já a freguesia da Misericórdia informou que “não licencia e nunca licenciou (mesmo em período de pandemia) esplanadas em lugares de estacionamento”, frisando o “grande défice de lugares de estacionamento para moradores” como motivo. Na freguesia do Parque das Nações, também nunca existiram esplanadas nestes termos.
Quando começamos a discutir o espaço público?
Um carro deve ter direito a um lugar de estacionamento que daria para sentar 10 pessoas numa esplanada? Ou deve um negócio privado ocupar o espaço público? A discussão mais importante é esta: que cidade queremos? Este é o único ponto de partida e o que pode justificar posteriores decisões políticas. Este episódio marca o início desta discussão com os arquitetos Rita Castel’Branco e Tiago Mota Saraiva, que se irá prolongar para o episódio seguinte.
Assista ao segundo episódio desta série, “O Legado da Pandemia“:
Caso ainda não tenha visto o primeiro, clique aqui.
A história de uma cidade de sol e calor que acordou tarde para as esplanadas
No terceiro e último episódio estão as soluções em curso noutras freguesias: espaços que são uma esplanada de dia e estacionamento à noite, a importância de esplanadas em cidades e os bons exemplos que chegam lá de fora.
Todos os episódios da série Esplanadas de Lisboa estarão disponíveis no Instagram, TikTok e Facebook d’ A Mensagem.

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Olá, não mascarem o problema…
Sabem porque a freguesia arroios, está contra as esplanadas….
É o horário avançado, que estás provocam. É meia-noite, 1 e 2h da madrugada, ninguém sossega.
Chama-se a polícia, nada fazem.
Não queremos os lugares para pôr os carros. Queremos sossego, silêncio,para sobreviver e dormir.
Há vários casos, quantificados pelos médicos, que devido à privação do sono, entraram em depressão e outros problemas.
Nós fregueses de arroios, temos o direito de viver em paz e sossego.
Desmascarem para sempre, o problema do estacionamento, não é verdade.
O problema é BARULHO e o desassossego até às 24h/1ou 2h da madrugada.
Posso enviar fotos, para veracidade dos factos
E as esplanadas que tornaram passeios que tinham 3m de largura (com dimensionamento adequado ao numero de utilizadores) e agora têm 80cm? Veja-se a avenida da República entre outras! Há estabelecimentos com acréscimos de fachada e adicionalmente esplanada…
Esplanadas para turistas ou estacionamento para portugueses. Vivam os portugueses.
Este artigo parece encomendado para defender as esplanadas. O problema é o barulho, mas a cegueira do turismo parece ser mais importante