O que aconteceu com o comércio, em Lisboa, com as chegada dos centros comerciais? E como é que ficou o papel dos pequenos comerciantes, no meio desta mudança? Estas e outras perguntas ganharam uma resposta no curso “A Cidade ao Balcão: Como o comércio desenhou o mundo… em Lisboa”.

Esta parceria entre o Âmbito Cultural do El Corte Inglês e a Mensagem de Lisboa contou, nos dias 1 e 8 de outubro, com conversas ao vivo entre Catarina Carvalho (diretora da Mensagem) e João Barreta (especialista em Planeamento e Gestão do Território e também cronista na Mensagem). A primeira sobre como os centros comerciais mudaram os nossos hábitos de consumo.

Barreta explica que o declínio do comércio tradicional não se deve, completamente, aos preços ou à concorrência. Também se deve a uma mudança cultural de hábitos, onde os centros comerciais passaram a ter um grande destaque devido ao seu grande planeamento/comodidade, que é uma coisa que, por exemplo, o centro das cidades não oferece.

Adicionalmente, o papel de um comerciante no ato de uma compra também se transformou no olhar público, ao longo do tempo. A proximidade, que pode existir entre um lojista e um freguês, perdeu-se e deu lugar ao desapego e à rotatividade das grandes superfícies, algo que passou a ser um ponto preferido para um consumidor.

A sessão do dia 8 de outubro levantou um debate: o que é que falta fazer para manter o comércio da cidade de Lisboa vivo? As lojas históricas, em risco, foram o centro de toda a conversa.

Durante décadas, o comércio passou por lojas que passavam de pais para filhos, ruas que ganhavam vida devido aos seus comerciantes e uma cidade onde comprar também era criar uma comunidade. Mas as transformações económicas dos últimos anos têm gerado uma pressão sobre o comércio tradicional de Lisboa.

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“A cidade é um reflexo do que é o comércio”, lembra João Barreta.

Defende que o problema também é um resultado da relação entre a oferta e a procura, pois existe alguma dificuldade em alguns comerciantes em adaptar os negócios às novas necessidades dos consumidores. Mas nem todas as lojas de pequena dimensão são um pequeno comércio, explica João Barreta: há uma linha entre a aparência física exterior dos estabelecimentos e a sua estrutura económica.

O especialista em Planeamento e Gestão do Território acha importante conseguir atingir um género de harmonia entre negócios de grande dimensão e os negócios tradicionais, pois a diversidade comercial pode conseguir atrair diferentes públicos, algo que é essencial para a vitalidade do comércio. E as lojas populares devem de ser acompanhadas de medidas que as preservem, mas que não impeçam o dinamismo económico das cidades.

A propósito das Lojas com História, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou em setembro deste ano a abertura da consulta pública para o novo regulamento do programa, que estará em discussão pública até 28 de outubro.


Bruna Alves

Nascida em 2002 em Lisboa, criada na freguesia de Olivais. Aluna do Mestrado em Ciências da Comunicação, decidiu estagiar na Mensagem de Lisboa em 2026. Gosta de passar tempo com os seus animais de estimação (Benny e Mike), a ler (principalmente, sobre o 25 de Abril de 1974), a capturar (com a sua Canon) e a contar histórias sobre os tempos que correm, sem parar, por Lisboa.

*Texto editado por Catarina Reis

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