Se tem assistido a alguns dos meus trabalhos nos últimos anos, saberá isto: faltam bancos, para sentar, em Lisboa. Sobretudo na Baixa. Em 2024, percorri aqueles 500 metros da Rua Augusta e andei a contá-los: há mais de 1200 lugares para sentar, mas nenhum destes é de utilização livre – são cadeiras de esplanada e todas elas têm um preço. Pelo menos, o de um café ou pastel de nata. Não existe um único banco público.
Por isso mesmo, este é um assunto que merece debate na cidade. E é para isso que o estou a convidar.
No sábado, 23 de maio, às 15h, vamos estar no Atelier Artéria, na Estrada de Benfica, para falar sobre “o direito a sentar” na cidade, sobre o espaço público que queremos, e sobre formas de o construirmos de uma maneira mais participada.
Convidámos urbanistas, arquitetos, decisores políticos e pessoas com diferentes visões e necessidades. Mas queremos ouvir mais: a conversa é aberta a todos os munícipes e interessados. A entrada é livre, não é necessária inscrição e haverá um pequeno lanche para quem aparecer.
Esta é uma conversa que nasce de um gesto simples e simbólico que recentemente contámos: o banco que a Mensagem de Lisboa desafiou o Atelier Artéria a construir, para assinalar os nossos cinco anos de jornalismo local e comunitário e, assim, para promover o debate em torno do espaço público. Um banco feito de muitos outros doados pelos vizinhos e leitores da Mensagem.
Há um novo banco em Lisboa: uma obra de amor à cidade por jornalistas, artistas e vizinhos, nos 5 anos da Mensagem
Este banco, que estará ocasionalmente colocado no espaço público em frente ao atelier, num largo dominado pelo automóvel e sem um único banco para descansar. É também ele um convite a olhar de frente para a falta de lugares para estar, ler, ficar, conversar e brincar na cidade.
No texto que publicámos sobre esta iniciativa, escrevemos precisamente sobre essa ideia de que um banco pode ser um ato de amor à cidade – um lugar para parar, observar e conversar – e sobre o valor de um gesto coletivo, feito com materiais reciclados, memória e participação de vizinhos e artistas.
É desse ponto que queremos partir no dia 23.

📅 Onde? Atelier Artéria, Estrada de Benfica, 255C
📍Quando? Sábado, 23 de maio, às 15h00
Se lhe interessa Lisboa, o espaço público e a cidade que estamos a construir, apareça. Às vezes, só precisamos de começar por um banco.
Vemo-nos lá.

Frederico Raposo
Nasceu em Lisboa, há 32 anos, mas sempre fez a sua vida à porta da cidade. Raramente lá entrava. Foi quando iniciou a faculdade que começou a viver Lisboa. É uma cidade ainda por concretizar. Mais ou menos como as outras. Sustentável, progressista, com espaço e oportunidade para todas as pessoas – são ideias que moldam o seu passo pelas ruas. A forma como se desloca – quase sempre de bicicleta –, o uso que dá aos espaços, o jornalismo que produz.
✉ frederico.raposo@amensagem.pt

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