“Se as casas custassem 100 milhões, faria alguma coisa?”. Sobre a crise da habitação, João Seixas já sabe o que dizer: “claro que sim, porque ninguém poderia viver em Lisboa”. Mas o cenário atual também já não o permite a grande parte das pessoas fazê-lo: ter um teto para viver nesta cidade, explica o geógrafo, urbanista e professor universitário João Seixas. Ele que foi o terceiro entrevistado de um grupo de pequenos repórteres do projeto “Também moro aqui! Mini-repórteres do bairro“, que estão a mapear histórias, problemas e soluções em Alvalade e Lisboa.

São alunos da Escola Básica Teixeira de Pascoais, nos 3.º e 4.º anos, membros desta iniciativa em parceria com a Associação de Pais da escola, no âmbito da AEC (Atividade de Enriquecimento Curricular) Clube de Jornalismo.

Desde abril, receberam na sala de aula cidadãos ativos da cidade onde moram, estudam e brincam. Como João Seixas, que entre outros projetos acaba de lançar uma plataforma inovadora para alojamento estudantil em Lisboa – a Rede 1/4, sobre a qual pode ler mais aqui.

Se tivesse oportunidade de desenhar um cidade do zero, fá-lo-ia perto do mar, “é importante”, mas sem esquecer “casa para todos”, a preços acessíveis. E onde as crianças pudessem brincar na rua livremente. Para isso, reduziria os carros. Mas o que o pequeno Eduardo Monteiro queria mesmo era “mais bondade”, diz ao urbanista em sala. Diz que é isso que move uma cidade.

Não só, claro: para vivermos bem, precisamos de escolas, transportes, hospitais, comércio e jardins, diz o urbanista João Seixas. E que tudo isto esteja por perto, “para não chegarmos atrasados” a lado nenhum, concluem os alunos. Como o amigo Salvador, que anda nesta escola e vive em Alenquer, mas “chega sempre a horas, por causa do comboio”, partilham os mais novos.

Mas tudo começa na escola, como constata Maria Cidra. “Fazem falta no centro das cidades, porque é o que ensina as pessoas a construir tudo o resto”, diz a pequena repórter.

“Mas uma coisa má das cidades é que as pessoas querem conquistá-las e matam as pessoas para isso. E isso preocupa-me”, remata o pequeno André Barroso.

Todas as crianças aqui representadas têm autorização dos responsáveis legais para partilha de imagem e/ou voz nas plataformas da Mensagem de Lisboa. O trabalho como repórteres foi devidamente acompanhado por jornalistas.


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