O excesso de peso e a obesidade são dois dos problemas de saúde pública mais graves em Portugal. Segundo dados da DGS, “a obesidade afeta 28,7% dos adultos portugueses, com mais de dois terços da população a apresentar excesso de peso (67,6%)”. O problema é igualmente grave entre as crianças: “a obesidade infantil atinge proporções elevadas em Portugal, com a prevalência de excesso de peso a chegar aos 31,9%, sendo que 13,5% das crianças dos 6 aos 8 anos vivem com obesidade”.
Os estilos de vida sedentários e os hábitos alimentares inadequados contribuem decisivamente para este problema, e alterá-los não é fácil. Mas a falta de organização funcional das cidades tem também contribuído para o problema, estimulando o uso do transporte individual e dificultando a mobilidade a pé ou de bicicleta nas deslocações para o trabalho e a escola.
As soluções tradicionais – centradas na pedagogia e sensibilização para estilos de vida saudável – têm mostrado pouca eficácia. E as soluções baseadas em medicamentos são dispendiosas para o SNS e de resultado incerto, pois não mudam estruturalmente os comportamentos.
Talvez sejam precisas medidas mais inovadoras.
O desenho de espaços desportivos não convencionais, com um design arrojado e cores apelativas, localizados nos bairros e junto às escolas, poderia ser uma forma de estimular o exercício físico e a prática desportiva, com o benefício adicional de promover o encontro de jovens no espaço público e a sua covitalidade.
O modelo do Basket Triangle, concebido pelo 100 Architects em Xangai, é particularmente inspirador. Trata-se de uma instalação baseada no basquetebol, onde a estrutura apresenta “cestos posicionados de formas não convencionais — de cabeça para baixo, em vários ângulos e a diferentes alturas”, permitindo jogar e treinar habilidades de forma criativa e envolvente.



Mas há mais.
Este conceito pode ser adaptado a pequenos espaços devolutos, transformando-os, através de ações colaborativas de baixo custo, em áreas de convívio ativo e promovendo a sua reutilização com um propósito coletivo e socialmente útil.
Garantir a boa saúde das crianças e dos jovens deveria ser um desígnio nacional e mobilizar meios e a vontade política. Os espaços públicos devolutos das cidades podem transformar-se em campos férteis para novas práticas desportivas promotoras de estilos de vida mais ativos e saudáveis.
“Mudar as cidades” é uma newsletter digital para refletir sobre como as cidades podem contribuir para um planeta melhor. Pelo urbanista José Carlos Mota.

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Esta história foge um pouco ao estilo habitual n’A Mensagem, já que parece ilustrar uma carência na cidade de Lisboa, quando na verdade é exatamente o oposto que tem acontecido. Lisboa tem cada vez mais campos de basquete de rua, todos eles coloridos e vários deles não convencionais.
Tem-se escrito bastante sobre isso na verdade, destaco como exemplo esta publicação da Timeout do final do ano passado:
https://www.timeout.pt/lisboa/pt/coisas-para-fazer/estes-campos-de-basquetebol-em-lisboa-sao-autenticas-obras-de-arte
Para adoçar a história, estes campos são feitos por uma empresa portuguesa chamada Hoopers, que também já faz campos de basquete noutros países: https://hoopers.club/basketball-court-renovation.
Sendo A Mensagem habitualmente focada nas histórias positivas de Lisboa, e sendo esta uma história positiva da cidade, achei surpreendente a abordagem do ângulo do que “Xangai tem para ensinar a Lisboa”. Certamente há muita coisa que Lisboa tem a aprender com Xangai e outras cidades mundiais, mas não em matéria de campos de basquete “com um design arrojado e cores apelativas” como defende o artigo.
Olá Tiago e obrigada pelo reparo. Este artigo faz parte de uma série que o autor vai escrever pra a Mensagem. Também nós escrevemos sobre esses campos, veja aqui : https://amensagem.pt/2021/05/13/lisboa-hoopers-campos-de-basquetebol-obras-de-arte/