A partir de hoje, a Mensagem está a pôr as notícias no mapa, literalmente. A experiência resulta de uma parceria com a recém desenvolvida ferramenta RUA – Rede Urbana em Ação e vai permitir, através da geolocalização dos artigos publicados, encontrar no mapa as notícias e as histórias da cidade.
Callie Wentling, fundadora e criadora da RUA, acredita que é dado um passo que ajuda a pôr fim à “frustração” de quem quer saber o que se passa no seu bairro ou em determinado lugar e não consegue aceder com facilidade a essa informação.
Callie quis ser entrevistada no Jardim do Caracol da Penha, espaço verde da cidade que nasceu por iniciativa cidadã e resulta de uma proposta ao Orçamento Participativo da cidade, a mais votada de sempre. Este jardim – bem como o que se escreveu sobre ele – pode ser descoberto por quem navega no mapa de notícias hoje estreia no site da Mensagem. A partir de hoje, as notícias da Mensagem passam também para o mapa da cidade.
O mapeamento de conteúdos é uma novidade no site da Mensagem. Por isso, é natural que uma grande parte das notícias, reportagens, crónicas e anúncios não esteja ainda no mapa. Nem todos os conteúdos serão colocados no mapa. A colocação no mapa dos conteúdos publicados pela Mensagem resulta de um trabalho realizado manualmente e vai decorrer ao longo dos próximos meses, incidindo sobretudo sobre conteúdos em que a georreferenciação seja particularmente pertinente.

Para além de possibilitar a quem visita a Mensagem a visualização de artigos e notícias em mapas interativos, esta ferramenta vem contribuir internamente para um melhor entendimento da cobertura que tem sido feita da cidade, tornando possível a visualização e identificação dos desertos noticiosos de Lisboa – os locais esvaziados de atenção, com menos visibilidade e menor foco mediático.
A partir de agora e sempre que faça sentido, as notícias, reportagens, entrevistas e crónicas publicadas pela Mensagem vão passar para o mapa. Nas páginas dos conteúdos mapeados, será visível uma etiqueta no canto superior direito. Ao clicar nesse botão, aparecerá assinalado no mapa o local a que o conteúdo diz respeito, bem como um botão que possibilita a visualização de outros conteúdos e notícias na proximidade.
Na página principal da Mensagem, passa a ser possível incorporar mapas interativos da cidade, personalizados com as notícias das últimas semanas ou com relação a determinados temas. Será possível pesquisar conteúdos por data de publicação, data dos acontecimentos ou palavras-chave.
Através do mapeamento das notícias, a redação da Mensagem vai poder tomar decisões mais informadas sobre as zonas de cobertura prioritária, alimentando um esforço de alargamento do seu trabalho para zonas às quais não tem sido dada a atenção necessária e num esforço complementar ao que tem vindo a ser concretizado no âmbito do projeto Narrativas. Ao longo do último ano, este projeto tem levado a redação da Mensagem a territórios com menor cobertura mediática, como são os casos de Chelas, em Lisboa, Casal da Boba, na Amadora, Mem Martins, em Sintra e, mais recentemente, Setúbal.
Callie quis perceber “o que realmente se passava” na cidade
Callie chegou a Portugal em 2018, vinda dos Estados Unidos da América, para fazer uma pós graduação em Cidades Inteligentes e Sustentáveis, na Nova IMS – a escola de Gestão de Informação e de Ciência de Dados da Universidade Nova de Lisboa. Mas a pós graduação transformou-se em mestrado em Ciências e Sistemas de Informação Geográfica e acabou por ficar.
A ideia para a criação da RUA surgiu de uma conversa entre amigos, quando ainda vivia em Denver, no estado do Colorado.
“Havia a sensação de que havia várias coisas a acontecer na cidade, mas era muito difícil perceber o que realmente se estava a passar. Ou já tinha passado um evento que parecia muito interessante, mas que só descobrimos demasiado tarde.”
A conversa entre amigos ficou por ali e foi só mais tarde, já em Lisboa, que aprofundou o conceito que viria a ganhar forma com a ferramenta agora em implementação na Mensagem. O problema foi rapidamente identificado: Como podem as pessoas saber o que se passa à sua volta?
Enquanto conversamos com Callie sobre a ferramenta que construiu, olhamos para o mapa e caminhamos até outras reportagens e histórias que a Mensagem publicou e que estão a dois passos dali: vamos até à Rua Morais Soares, bem no centro da zona mais populosa da cidade, e subimos depois até ao Cantinho do Táxi, restaurante na Paiva Couceiro, onde João Oliveira, empregado de mesa, vira Rei da Sardinha durante os Santos Populares.



Callie identificou uma relação entre o mapeamento da informação e a “necessidade dos cidadãos desfrutarem do seu ambiente”. Assim, “cidadãos, organizações e governos locais podem criar mudanças positivas. Isso reacendeu a chama” e conduziu o desenvolvimento da ferramenta, conta. O projeto acabou por tornar-se na sua tese de mestrado e, depois de a apresentar, ficou “entusiasmada com a transição do meio académico para uma ferramenta real para as pessoas utilizarem”.
A construção da RUA foi o resultado de sessões de co-criação com pessoas e entidades convidadas, entre as quais a Mensagem. “Acabámos por chegar à ideia de que aquela coisa que nos liga a todos em comunidade é a rua”. Assim se chegou ao nome.
“É frustrante do ponto de vista do cidadão. Mas também é frustrante do ponto de vista do jornalista que tem uma ótima história para contar, que sabe que certas pessoas estão interessadas nessa história, mas não consegue fazê-la chegar às pessoas que a querem ver. Temos uma espécie de frustração de todos os intervenientes na área e ao mapear as notícias cria-se uma forma de as pessoas ajudarem na relevância espacial de uma determinada história, para que as pessoas possam dizer ‘Isto aconteceu perto de mim ou onde o meu filho anda na escola ou onde os meus pais vivem’.”

A integração da ferramenta no site da Mensagem está agora em período de testes, pelo que no futuro é esperado o lançamento de novas funcionalidades, como a possibilidade de definir raios de proximidade relativamente a cada visitante do site, permitindo que cada pessoa possa descobrir as histórias mais perto de si.
Callie explica que em breve poderão surgir novas formas de interação com os mapas, como ferramentas que facilitem a identificação da localização de quem navega o mapa relativamente às histórias mapeadas ou até a possibilidade de “desenhar áreas de interesse”.
O mapeamento das notícias que agora Mensagem inicia torna possível “uma nova forma de descobrir as notícias”, afirma. “Para além disso, oferece uma nova maneira de entender e contextualizar a informação, de ver como diferentes coisas podem relacionar-se através do tempo e do espaço”.
Para além da ferramenta agora em estreia na Mensagem e que poderá servir no futuro outros meios de comunicação e organizações, Callie Wentling está também a trabalhar no RUA Map, uma aplicação independente que junta num único mapa interativo notícias, eventos e alertas de vários meios de comunicação.
Queremos ouvir as suas sugestões e contamos com a sua ajuda para melhorar esta nova funcionalidade. Para isso, criámos um formulário, onde pode deixar sugestões e fazer perguntas. Clique aqui para aceder.

O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz une comunidades,
conta histórias que ninguém conta e muda vidas.
Dantes pagava-se com publicidade,
mas isso agora é terreno das grandes plataformas.
Se gosta do que fazemos e acha que é importante,
se quer fazer parte desta comunidade cada vez maior,
apoie-nos com a sua contribuição:

Deixe um comentário