Foi a prenda dos meus 70 anos em 2015. Fiquei tão feliz com esta prenda que partilhei a alegria com os vizinhos e amigos da Zona 1 da Cidadania Participativa. Uma paineira, que cresceu durante mais de oito anos no Bairro do Alto da Cova da Moura, onde moro.
Ainda era uma arvore muito frágil, deveria ter uns cinco anos quando a plantamos. Plantámo-la, em conjunto, no sítio onde os jardineiros do bairro esperam um dia ter direito a uma horta comunitária – por isso, publicámos a foto da árvore no Boletim da Associação Cultural Moinho da Juventude de dezembro de 2015 e enviámos à Câmara Municipal de Amadora e à Junta de Freguesia de Águas Livres.

As crianças e jovens levavam água à Paineira durante o verão e conseguimos a sua sobrevivência e o seu fortalecimento. Aguentou o calor e a seca.
A vizinha Benvinda tratou regularmente de fazer uma caldeira a volta.
Gafanhotos atacaram as folhas da Paineira, mas Maria sabia como salvar os gafanhotos e a Paineira.
Os moradores João e Euclides, da Zona 1, ajudaram a limpar o terreno à volta. João sabia que a Paineira iria dar flores lindas e as primeiras flores pretendia oferecer a sua namorada.
No verão de 2022, os vizinhos Joaquim e Pedro organizaram uma limpeza que acumulou dez sacos de lixo. Então, decidiram juntar pneus para construir um banco à volta da Paineira.


A Paineira cresceu lindamente. Mas não resistiu à escavadora da Câmara Municipal de Amadora, no dia 10 de novembro de 2023.
Naquela tarde fatídica, Joaquim mostrou ao condutor da escavadora os pneus destinados a suportar a construção de um banco à volta da Paineira. Mas o condutor informou que tinha ordens para tirar tudo que não tinha sido plantada pela Câmara. Mesmo o pedido de Joaquim para levar a Paineira para o seu próprio jardim foi recusado. E a escavadora triturou a bela Paineira.
As árvores do “feijão congo” seguiram o mesmo destino. Escaparam a “nespereira” e o “ficus” do falecido Ayres.
O João não poderá levar as flores à sua namorada.
Teremos de admirar a Paineira em lugares como Belém, ao pé do Jerónimos, ou no Marquês de Pombal em Lisboa.
Porque é que o Alto da Cova da Moura não tem direito à sua Paineira?
*Lieve Meersschaert é moradora no Bairro do Alto da Cova da Moura desde 1982

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