Foto: Inês Leote

Diria que a temperatura no interior da sua casa é confortável ou, pelo contrário, que costuma estar muitas vezes demasiado quente ou demasiado fria? Até que ponto sente que isso afeta a realização de tarefas diárias como, por exemplo, ler, fazer exercício físico, brincar ou ajudar os seus filhos (ou netos) nos trabalhos escolares? E, quanto ao ruído vindo de fora da sua casa (por exemplo, do trânsito, das pessoas a circular na rua, ou paradas em frente a um bar)… até que ponto sente que tem afetado o seu sono ou o seu lazer durante o dia? 

Num contexto de alterações climáticas como o que vivemos, é relativamente fácil de antever que o número de dias com temperaturas extremas possa continuar a aumentar. Pelo contrário, é difícil imaginar a cidade de Lisboa sem o ruído da atividade própria de uma capital.

Mas, no final de contas, que efeito terá a temperatura ou o ruído na saúde ou nos comportamentos de saúde da população? E como é que temperaturas mais elevadas, associadas à poluição do ar, se associam ao bem-estar de quem vive em Lisboa? Mais exposição ao desconforto térmico, aos poluentes que circulam no ar, ou ao ruído exterior contribuirá para menos atividade física, para uma alimentação menos saudável, ou para maior risco de desenvolver doenças crónicas?

Parecem-lhe demasiadas perguntas?

São, de facto! Mas são estas as interrogações para o estudo que o Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa está a realizar, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a Lisboa E-Nova – Agência de Energia e Ambiente de Lisboa. A informação recolhida contribuirá para identificar caraterísticas do meio urbano que podem ser alteradas no sentido de promoverem mais saúde e mais bem-estar da população que vive em Lisboa.

Se reside em alguma das freguesias de Ajuda, Alcântara, Alvalade, Areeiro, Belém, Santa Maria Maior ou Santo António, convidamo-lo a participar neste desafio, respondendo a um questionário (com duração de cerca de 25 minutos). As respostas são confidenciais:

Após esta avaliação inicial, alguns participantes serão convidados a estar presentes numa avaliação mais pormenorizada de outros indicadores de saúde, incluindo (entre outros): o estado nutricional, a tensão arterial, o nível de glicose no sangue, e o nível de metais pesados e dioxinas no sangue e no cabelo.

Para além da recolha da opinião, experiências e perfil de saúde dos participantes, o estudo inclui também uma análise estatística de causas de morte observadas ao longo das últimas décadas, em Lisboa, e como estas se relacionam com a temperatura e a poluição do ar ao longo dos anos.

Alguns resultados, ainda preliminares, do estudo foram apresentados numa conferência, e podem ser consultados no site do projeto A saúde e o ambiente urbanoUm olhar atento à saúde e qualidade de vida dos residentes em Lisboa. Os resultados finais serão divulgados na Mensagem, em breve.

*Rodrigo Feteira-Santos é investigador do ISAMB-FMUL


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