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Yves Léonard é o que esta entrevista indica, um apaixonado especialiste da história contemporânea de Portugal. Em Paris, dá aulas em Sciences e é investigdor do Centro de História da Europa do século XX (FNSP). Bolseiro do Instituto Camões e da Fundação Gulbenkian, publicou vários livros sobre o tema que mais o move, Estado Novo e 25 de Abril. Portugal, vinte anos depois da Revolução dos Cravos, em 1994, Salazarism e Fascismo, em 1996 e a Lusofonia no Mundo (1998).

Alguns viajantes multiplicam destinos sem nunca se sentirem particularmente ligados a um país. Mas às vezes um lugar encanta-nos sem sabermos porquê. O historiador francês partilha a sua descoberta de Portugal, a sua aprendizagem da língua portuguesa e o seu mergulho na história política e cultural deste país.

Esta entrevista foi publicada em francês e espanhol, na revista Le Grand Continent do Groupe d’Etudes Géopolitiques, e cedida à Mensagem de Lisboa para publicação exclusiva em Portugal.

Porque escolheu Portugal como objeto de estudo?

Deveu-se, em grande parte, a uma série de coincidências, que ganharam consistência a posteriori. Cheguei a Portugal no verão dos meus 20 anos. Estávamos no início dos anos 1980 e o país era muito diferente do que é hoje. Senti logo um verdadeiro choque. Nasceu uma paixão na altura em que procurava desenvolver-me de forma mais racional através dos meus estudos de História.

Como acontece por vezes, vim como turista aos 20 anos e nunca mais saí verdadeiramente. Poderia ter sido uma viagem entre muitas outras — na mesma época, fiz uma longa estadia nos Estados Unidos —, mas Portugal tornou-se o lugar onde voltava. Esta viagem, e os primeiros encontros que aqui tive, despertaram um verdadeiro choque passional que me perturbou, suscitando muitas questões, especialmente porque não tinha um conhecimento a priori sobre o país, a começar pela língua, que desconhecia completamente. Tudo estava por construir, por aprender. 

Fala de consistência a posteriori. Como explica este choque, esta paixão repentina? 

Provavelmente porque tinha 20 anos… Estava a tentar compreender esta importância do mar, por exemplo. Eu próprio sou metade bretão, fui banhado por esta cultura marítima, determinante para este meu primeiro sentimento em relação a Portugal. Encontrei paisagens, mentalidades, uma forma de contemplar o Atlântico que estava muito perto do que eu tinha conhecido e da qual estava impregnado dadas as minhas origens bretãs. Experimentei assim uma espécie de ilusão retrospetiva de fatalidade…

Por outro lado, quando nos interessávamos por Portugal, do ponto de vista dos estudos históricos em França, havia muito pouca coisa. Sobretudo no que respeitava ao período contemporâneo, que era o que mais me interessava. Havia unidades de investigação na EHESS e em Nanterre sobre a expansão marítima na era moderna, sobretudo em torno de Jean Aubin, Geneviève Bouchon e Frédéric Mauro, um grande especialista em comércio transatlântico que me encorajaram a continuar. Mas, acima de tudo, queria trabalhar sobre os séculos XIX e XX.

Por isso, tive de começar a procurar professores dispostos a ajudar-me. Felizmente encontrei no meu caminho pessoas que o fizeram sem serem necessariamente especialistas em Portugal. Inicialmente, trabalhei sobre as Guerras Peninsulares Napoleónicas, o que me permitiu manter uma dimensão francesa na minha investigação. Desviei-me muito rapidamente porque este período constitui uma recordação traumática para os franceses e deixou memórias desastrosas em Portugal… Isso veio complicar o meu trabalho de decifrar a sua história contemporânea.  

Foi em Sciences Po que fui recebido por professores que, a priori, nada tinham a ver com Portugal, incluindo Serge Berstein que me ouviu com grande generosidade e interesse, tornando-se o meu diretor na DEA e orientador de doutoramento. Pude desenvolver a minha investigação. Esta foi a época, na viragem da década de 1980, em que a história contemporânea se formava em Portugal. Durante a ditadura salazarista, a história contemporânea não existia. Era proibido evocá-la ou interessar-se pelo presente. Este período foi reservado a propagandistas e jornalistas identificados pelo regime como capazes de escrever sobre o que era então considerado atualidade. A única história que podiam contar era a narrativa nacional que Salazar tinha construído.

Era, portanto, imperativo responder a um certo número de cânones e interessar-se pelo período da Idade Média e pela expansão colonial que se chamava “as descobertas”. Para além disso, era complicado: a história do fim da monarquia constitucional, da República e do Estado Novo era impossível. Alguns pioneiros tentaram, mas foram forçados ao exílio na Suíça, Inglaterra ou França. Com a Revolução dos Cravos, as coisas mudaram muito. Em dez anos, foram mobilizados meios e estruturas para que a história do presente pudesse ser escrita. 

Tendo chegado alguns anos após a Revolução dos Cravos, pude beneficiar das primeiras obras que tentaram estudar cientificamente a história do regime salazarista. Nessa altura, conheci jovens investigadores portugueses aguerridos que tentavam problematizar, refletir e criar centros de investigação em torno da história contemporânea. Esta primeira fase do meu trabalho culminou, em 1997, quando organizei um colóquio na Sciences Po, que não foi uma rutura epistemológica em si, mas que deu origem a um estremecimento.

Especialmente porque Mário Soares, cujo mandato como Presidente da República tinha terminado recentemente, concordou em presidir aos debates, com René Rémond, então líder da FNSP. Isto logicamente despertou curiosidade. Foi um momento marcante de encontro entre historiadores franceses e portugueses que contribuiu para legitimar em França a história contemporânea de Portugal.

Aprendeu português já adulto. No seu livro, destaca-se frequentemente o facto de esta língua ser consubstancial com a imaginação que os portugueses têm da sua construção nacional. Como descreveria a sua abordagem ao português?

Aprendi tarde e na prática. No início, foi difícil, porque tinha aprendido alemão e inglês na escola e por isso tinha poucos pontos de referência. Mas, no fim de contas, digo a mim próprio que não foi assim tão mau: não falar castelhano salvou-me de falar “portunhol ” – aquela mistura duvidosa das duas línguas, em que predomina o espanhol – muito comum entre os franceses que falam português.

Hoje falo quase corretamente, ou seja, tenho sotaque português, não um sotaque francês muito marcado, nem espanhol ou brasileiro, o que já não é mau. Há sempre pequenos erros na sintaxe e na gramática porque a cultura do subjuntivo imperfeito que os lusófonos adoram não é natural para mim. Para evitar este obstáculo, às vezes construo as frases de forma diferente, mas não engano ninguém por muito tempo…

Volto a isto, mas é um facto que não fui influenciado pelo prisma distorcido de Espanha – o que acontece a muitos franceses quando vão para Portugal. Por outras palavras, não era um hispanizante em Lisboa, o que não é neutro porque há sempre preconceito menorizante do país da parte do vizinho castelhano. Não ter estes estereótipos foi uma vantagem. 

Tive também de lutar contra uma espécie de incompreensão, no sentido em que sempre senti um interesse polido da parte dos meus interlocutores que disfarçava mal uma questão subjacente: “mas porquê Portugal?”.

Na altura, para muitos franceses, Portugal era apenas um pequeno país que fornecia mão-de-obra, “pedreiros e porteiros”, um país de emigrantes… Sentimos todos os estereótipos quando nos interessamos por um objeto de estudo que não é natural, exceto o período sagrado de expansão marítima, que era valorizado. Em relação ao período contemporâneo, a relutância, alimentada pela ignorância, foi muito explícita. Felizmente, as coisas mudaram e a bela temporada cruzada França-Portugal, organizada este ano, contribui de forma útil para fazer desaparecer alguns estereótipos gastos.

Aprendeu castelhano depois?

Sim, veio depois, mas apenas para poder ler as fontes que dizem respeito a Portugal. Isto é, o suficiente para fazer um trabalho sério.

O que o atrai particularmente no português?

Quando se descobre uma língua tão diferente, não se percebe absolutamente nada da primeira vez e, quando se treina, não é um exercício muito natural para um francês. Gostei da dificuldade do exercício, especialmente porque esta língua e a sua cultura estavam sujeitas, em França, a preconceitos bastante negativos. Fez-me querer ouvir: quando nos damos a esse trabalho, creio que achamos mais bonito o objeto da nossa escuta. E depois, aprender português, uma das línguas europeias mais faladas do mundo, é preciso lembrar, foi também uma forma de não deixar desvanecer a memória da minha primeira viagem a Portugal.

Por outro lado, tenho um verdadeiro fascínio pelas sonoridades do italiano – que falo muito mal – mas acho que a língua portuguesa também tem sonoridades muito bonitas quando se sabe ouvi-la. Muito mais do que castelhano, por exemplo (ri). 

E depois, ainda mais do que a língua, fiquei seduzido pela extrema abertura da cultura portuguesa, esta disponibilidade e estes contactos muito agradáveis que imediatamente dão a impressão de fazer parte de uma família. Acho que foi uma das chaves da minha motivação. 

Acredito que todas estas razões explicam a minha atração pelo português: são concomitantes e seria difícil para mim eleger uma.

Yves-Léonard com o seu último livro sobre a história e a relação dos portugueses com os descobrimentos. Foto: DR

É historiador de Portugal, que relação tem com a literatura portuguesa? Como é que a aborda como historiador?

O que tento mostrar na História da Nação Portuguesa – sem cair no cliché de um “país de poetas” desde Camões – é que a história de Portugal tem estado ligada à sua literatura. Muitos autores portugueses estão muito envolvidos na história do seu país, a começar por Pessoa, que me ajudou muito na minha investigação sobre o salazarismo.

Um dos meus primeiros choques literários foi a descoberta de Eça de Queiroz. Autor da segunda metade do século XIX, de tradição bastante realista, foi claramente muito influenciado por Flaubert. Os seus romances são de grande delicadeza e impregnados fortemente pelo seu tempo. Estou a pensar em particular nos Maias, a história de uma família que é uma vasta mise en abyme do século XIX português. A Ilustre Casa de Ramires é também um romance muito importante para mim: é simultaneamente uma história sobre o presente e um olhar retrospetivo de grande delicadeza sobre a Idade Média Portuguesa.

Estou em vias de terminar o mais recente romance de Javier Cercas, Independence, que é a segunda parte de um ciclo aberto com Terra Alta. A personagem principal, um detetive que viveu experiências atrozes, é um grande leitor e ao virar uma página descobrimos que ele está a ler a Ilustre Casa de Ramires. Apesar de este romance não ser o mais conhecido de Eça de Queiroz, este intertexto lembra-nos a obra-prima que é. Além de me ter marcado, devo dizer que me apaixonei pela vida do seu autor. Cônsul de Portugal, nomeadamente em Paris, onde morreu em 1900, escreveu muito nos jornais de Lisboa da época: em particular as suas Farpas, as suas reflexões literárias “piques et banderilles” inspiradas em jousts oratórios e epistolares. É o grande representante da geração “Casino”, caracterizada por uma certa forma de desencanto.

Mais próximo de nós, José Saramago foi importantíssimo para mim, especialmente para o meu trabalho sobre o salazarismo, cuja essência me ajudou a compreender muitas vezes. Tem um olhar marcante sobre os heterónimos de Pessoa, a quem dá uma incrível encarnação literária em O Ano da Morte de Ricardo Reis. Este último teria sobrevivido um ano ao poeta na Lisboa de 1936.

Esta é uma oportunidade para Saramago contar os primeiros anos do salazarismo e a omnipresença da polícia política. É um romancista fundamental para compreender como era o quotidiano sob a ditadura: estou a pensar, em particular, no seu Levantado do Chão, que me parece ser um dos textos maiores sobre a questão social em Portugal do século XX.

Gostaria de acrescentar Miguel Torga a esta breve visão geral. Os seus poemas, bem como os seus testemunhos sobre a realidade das prisões salazaristas em A Criação do Mundo, foram muito importantes. Este médico anónimo de Coimbra, que exerceu a profissão até à morte, publicou por conta própria textos surpreendentes sobre os contos e lendas de Portugal, poemas belíssimos e Os Diários, traduzidos para francês (En franchise intérieur e En chair vive), um imenso texto literário que abrange 60 anos de história, de 1933 a 1993. Torga é também o autor da famosa fórmula “o universal é o local menos as paredes”, rica em significado, mesmo que muitas vezes seja citada a despropósito.

Podemos multiplicar os exemplos de como a literatura portuguesa é rica, estou a pensar em particular em Lídia Jorge e no seu romance Os Memoráveis sobre a Revolução dos Cravos. Como historiador, alimentou-me muito, pois encontro uma ressonância, uma pertinência e uma acuidade do olhar notáveis.

Isto acontece seguramente porque estes autores também estão mergulhados no passado do seu país. Para Saramago, a história da nação portuguesa é um fio de Ariadne – estou a pensar na História do Cerco de Lisboa e no Memorial do Convento – enriquecido pela sua experiência durante a ditadura, porque começou a escrever muito tarde, na década de 1970, quando já tinha mais de 50 anos.

Finalmente, na fronteira da literatura e do ensaio filosófico, tenho grande admiração pelas reflexões de Eduardo Lourenço, que morreu em 2020, de infinita riqueza, sobretudo na “mitologia da saudade”.

Enquanto trabalhava sobre Portugal, que perdeu o seu império tardiamente, interessou-se pelo resto do mundo lusófono?

Sim e não. Por um lado, é difícil trabalhar durante tantos anos sobre Portugal sem se projetar em vários continentes e em todos os oceanos. Este é um facto essencial para o curso e história deste país. 

Mas seria muito presunçoso afirmar ser tão especialista nas antigas possessões coloniais portuguesas como na metrópole. Creio que, para conhecer um país, é preciso tentar viver lá o máximo de tempo possível, instalar-se lá em algum momento. Ora, a vida não permitiu que eu vivesse nesses países, excetuando viagens ocasionais que eram quase sempre escapadas muito rápidas. 

Por outro lado, à medida que a minha tese se centrava na ideia colonial em Portugal, estudei estes países através do prisma do colonizador, através do olhar das elites portuguesas. Em particular, tentei articular uma análise deste fenómeno a longo prazo com um estudo centrado na crise do ultimato na década de 1890. Obviamente, foi um olhar tendencioso, mas isso levou-me a interessar-me e a conhecer atores não portugueses que sofreram a ocupação, a colonização, o jugo português. 

E depois, no final da década de 1990, participei na aventura “transdisciplinar” liderada pela revista Lusotopie sobre os espaços lusófonos, em torno do historiador, especialista em Moçambique, Michel Cahen. Houve muita militância nesta aventura de abrir os estudos portugueses e tirá-los de um tropismo hispânico ou “civilizacionista” demasiado marcado. Por falta de recursos, a aventura foi interrompida ao fim de quinze anos, mas felizmente voltou a ganhar forma há três anos em torno de jovens investigadores como o historiador Victor Pereira.

Portanto, é uma resposta a meio-tom, porque é um dos tópicos que eu gostaria de ter desenvolvido muito mais através de diferentes canais. As circunstâncias levaram sem dúvida a que esta oportunidade não surgisse. Mas talvez eu também não os tenha suscitado o suficiente. É preciso tempo e disponibilidade para realizar este tipo de estudo. E depois somos levados a fazer escolhas: ofereceram-me a possibilidade de ir trabalhar para Moçambique, mas não pude aceitar por um conjunto de razões pessoais. 

Para simplificar, tenho uma boa compreensão dos fundamentos da história destes países, para além das suas relações com Portugal, mas falta-me esta mistura de proximidade e distância, este “jogo de cintura” que só uma longa estadia enquanto estrangeiro permite.

Portugal é ao mesmo tempo um dos mercados meridionais do continente europeu e, com exceção da Bretanha, o seu mercado mais ocidental. Viver em Portugal levou-o a considerar a Europa de forma diferente? Ficou imbuído da visão portuguesa da Europa?

Sim, inegavelmente.  Portugal é, de facto, de certa forma uma outra Finisterra da Europa. Esta dimensão é muito forte do meu ponto de vista e senti-a imediatamente.

Quando conheci Portugal, este já tinha feito a candidatura de adesão à CEE, mas as negociações estavam paradas. Foi um processo bastante lento, até ao seu relançamento em 1984. O país sentia muito fortemente a expectativa de admissão, enquanto cultivava uma forma de ambivalência: queria ser aceite na união como era e pelo que era, para estabelecer ligações de desenvolvimento e consolidar a democracia no país.

Tratava-se também de curar certas feridas ligadas à perda, ainda muito recente, do império colonial, de acordo com a fórmula consagrada “o império está morto, viva a Europa”. Esta atmosfera era muito forte na época em que conheci o país. 

Também vivi o período de adesão, por isso, entre 1985 e 1986, quando sentimos um forte entusiasmo das elites e de parte da população. No entanto, o significado desta entrada na CEE não foi totalmente claro. Até então, só as elites e os portugueses que tinham emigrado para França e Alemanha tinham vivido esta Europa.

Tudo isto estava muito presente nas mentalidades. Senti-o ainda mais fortemente porque, nos anos 1990, fui bastante militante da causa da integração europeia. Participei em diferentes movimentos em que estive envolvido com grande convicção. Encontrei no exemplo português uma ilustração, se não perfeita, pelo menos bastante próxima, do que procurava através da construção da Europa. Embora este caso tenha recebido pouca cobertura mediática na altura, ainda era uma imagem muito reveladora do que a Europa poderia alcançar. Eduardo Lourenço falou, com razão, de um “compromisso com o desconhecido” para um país como Portugal, que vivia então “como a Europa à margem”.

No início dos anos 2010, o foco na Europa mudou novamente. Foi um momento muito difícil para os portugueses que sentiram uma forte desilusão com as suas raízes europeias. Durante o período da Troika, entre 2011 e 2014, visitei regularmente e pude observar a situação. Foi muito difícil porque esta crise abalou algumas convicções europeias, como aconteceu também na Grécia, especialmente porque alguns parceiros europeus reagiram com grande condescendência e desprezo – estou a pensar, em particular, na expressão “PIGS” que floresceu na altura.

Para mim, como francês que vinha regularmente ao país, foi doloroso ver que Portugal estava a prestar tal tributo.

No entanto, constato que é um dos países que continua a ser mais favorável à Europa. A crise da dívida não alterou fundamentalmente esta situação. No entanto, levou a esquerda portuguesa a mudar a sua doutrina, procurando um caminho original que combinasse o respeito pelos compromissos europeus com o desejo de investir à escala continental para abrir alternativas.

Achei este período de recuperação absolutamente excitante – e parece-me que mudou um pouco a forma como outros países europeus olham para Portugal, ao qual se soma o seu imenso sucesso turístico nos últimos anos.

Volto ao que disse sobre o período de adesão. Num importante texto para o Grande Continente, Timothy Snyder convidou os europeus a abandonarem um dos seus mitos fundadores: para ele, a Europa não se baseia num ideal pacífico, como se costuma dizer. Este é o resultado de uma escolha muito pragmática das antigas potências imperiais que optaram por investir a Comunidade após a perda dos seus impérios. Tem a impressão de que esta realidade, que se aplica ao caso português, foi reivindicada de forma mais explícita?

É certo que para muitos portugueses a projeção marítima, ultramarina, foi uma força motriz no seu desenvolvimento e no seu futuro.

Até 1974-1975, quando a ditadura persistia em não mudar nada, os portugueses olhavam para a Europa com grande desconfiança e distância. Isto mudou assim que as colónias desapareceram, e com elas os alicerces de um discurso e de uma narrativa nacional que explicava desde o século XIX que Portugal desapareceria se perdesse as suas colónias.

Não é insignificante que a Revolução dos Cravos tenha sido inspirada na rejeição da federação colonial: foi, de facto, a rejeição do império que causou a queda da ditadura.  Foi nesta questão que se realizou o 25 de abril.

Para os principais atores da revolução e para os políticos, era então necessário assumir a escolha da Europa. Em suma, estávamos a voltar à alternativa, ou pelo menos à ausência de uma alternativa, que se tinha apresentado aos reis portugueses nos séculos XIV e XV porque estavam presos na cena continental.

A sua solução foi, portanto, para eles, inventar um destino de heróis do mar. É isto que tento demonstrar no meu último livro. Primeiro fizeram esta escolha apalpando, tentando coisas mais ou menos arriscadas, mas que foram impulsionadas pela motivação de tentar a sua sorte em outros lugares, uma vez que foram contidos nas suas fronteiras terrestres.

Esta inversão de perspetivas é aquela que as elites portuguesas enfrentam em meados da década de 1970. Não existem outras alternativas a não ser olhar e ancorar-se permanentemente na Europa, uma vez que a escolha do offshore, em África ou na América do Sul, já não é possível. Esta é uma resposta muito clara, formulada mais ou menos claramente entre as elites. 

Por último, penso que a cultura política portuguesa dividiu-se entre aqueles que consideravam que o destino de Portugal se jogava nos territórios ultramarinos – foi particularmente o caso de Salazar – e aqueles que viram a presença no exterior como uma das razões para o declínio de Portugal. É dos defensores desta tradição que vem a convicção de que é melhor ancorar-se do lado da Europa.

No entanto, na adesão à CEE, tentou-se conciliar estas duas tradições. Quando Mário Soares e as autoridades portuguesas assinaram o Tratado de Adesão, optaram por fazê-lo no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, um lugar de forte poder simbólico em Portugal. Além disso, as intervenções do Presidente português e de Jacques Delors insistiram no facto de este tratado representar uma ligação entre o passado e o futuro do país. Apesar da Revolução dos Cravos e do seu rescaldo, houve continuidade entre Portugal Imperial e Portugal Europeu. 

A paz não tinha o mesmo significado neste país como noutros. Nos séculos XIX  e XX, Portugal manteve-se muito periférico nos assuntos europeus: participou na Primeira Guerra Mundial, mas longe das diferentes linhas da frente, enquanto Salazar escolheu o caminho da neutralidade ambivalente, entre os poderes do Eixo com os quais tinha certas convergências ideológicas e os aliados anglo-americanos a quem podia dar garantias suficientes,  principalmente nos Açores, para não ser derrubado em 1945.

De um modo geral, desde o período napoleónico, Portugal tem sido poupado da guerra. Por outro lado, a Europa ofereceu a possibilidade de um novo destino articulado com um espaço territorial que não era seu, uma vez que se tinha afastado dele durante o período da ditadura. Esta nova realidade não impede a persistência de um imaginário oceânico. Portugal sempre procurou manter relações com as antigas posses ultramarinas, porque não é apenas uma forma de preservar certos interesses comerciais, mas também uma forma de estar no mundo que é diferente da dos países mais importantes da Europa. O Oceano Atlântico, que é um espaço privilegiado para a diplomacia portuguesa e para a “economia azul”, é um espaço importante no imaginário projetado do país.

Já que estamos a falar de mar, o seu livro abre com o desaparecimento de Sebastião de Portugal. Este “rei escondido” ainda está presente na imaginação portuguesa contemporânea ou desapareceu?

No final do séculoXIX, Eça de Queiroz escreve que todos os portugueses tinham neles um fundo de sebastianismo. Sebastião é a grande catástrofe, é a queda, é uma forma de declínio, mas é também uma esperança de renascimento. Esta dimensão é particularmente forte no que tem sido chamado sebastianismo, isto é, a esperança messiânica sempre atualizada para ver o príncipe voltar para salvar o seu povo.

Yves-Marie Bercé em O Rei Escondido dedicou um capítulo muito pioneiro a este fenómeno. É interessante ver que todas estas imposturas, todas estas pessoas que diziam ser Sebastião, carregavam estas velhas profecias, estes sonhos de renascimento que permitiam a Portugal recuperar uma forma de preeminência. Esta dimensão tem permanecido muito presente na imaginação coletiva.

Agora é muito difícil apreciar a sobrevivência de um mito popular que parece estar a desaparecer. Esta dimensão popular é fundamental: ao contrário dos elementos estruturantes do mito da construção nacional, que lisonjearam particularmente as representações que as elites portuguesas tinham de si mesmas, o sebastianismo imagina que Sebastião está escondido no meio do seu povo, onde sobrevive enquanto espera para voltar e salvá-las. O mito foi espalhado através de sermões, sermões, toda uma tradição oral, em suma, que se desenvolveu e atravessou o Atlântico, podendo ser encontrada no Nordeste do Brasil. Como Lucette Valensi demonstrou claramente, é um mito popular extremamente frutífero que se espalhou ao longo do século XIX e até ao século XX.

Há uma profunda ambivalência no sebastianismo. Por um lado, este mito mantém uma espécie de sonho excessivo, mas também uma nostalgia muito pessimista. Por outro, é também impulsionado por uma forma de resiliência, que tem a sua quota-parte positiva e dinâmica. Esta dimensão, que muitas vezes se traduz em esperança num mito do salvador, para usar a taxonomia de Raoul Girardet, foi amplamente usada pelas elites do século XX, incluindo Salazar, que procurou encenar-se como uma espécie de rei sem coroa, desejada e escondida ao mesmo tempo.

À escala europeia, podemos considerar que Salazar é, de alguma forma, o ditador escondido do continente europeu no século XX? Isto é, apesar de Salazar ter tido uma grande influência sobre a direita conservadora e radical na Europa, a sua memória é agora largamente apagada. Como explica? 

José Gil dedicou um ensaio muito bonito, infelizmente sem tradução, à retórica da invisibilidade em Salazar. Esse belo texto diz bem as coisas, transcreve este desejo de ser o mais invisível possível para ser omnipotente. É uma espécie de ambivalência total em que Salazar jogava sempre: falsa humildade, a reserva natural do personagem que não quer aparecer para melhor controlar tudo.

Como tento mostrar na sua biografia, que estou a acabar de escrever, isso devia certamente corresponder à sua natureza profunda, a de um falso tímido diante de um público maior, digamos, de três pessoas. Destacava-se no um-para-um ou ao telefone, mas não era capaz de enfrentar uma multidão. Penso que teve de lidar com estas falhas, encarregando outros de conduzirem uma propaganda extremamente ativa. 

Salazar também foi alimentado pelo sebastianismo, que era forte na sua cultura pessoal. Estava profundamente convencido de que, com alguns ingredientes – uma narrativa nacional bem construída, um controlo rigoroso das almas e das consciências – recuperaria o país que voltaria a ligar o fio da expansão marítima intemporal.

Ele certamente queria criar esta forma de ilusão, superando este apagamento.

Era alguém que vinha de um passado modesto, tinha sido criado no interior, nas Beiras. A relação com a modernidade, a influência das modas e a vida intelectual não eram de todo o que ele tinha conhecido durante a sua infância e adolescência. Era alguém que tinha sido alimentado pela cultura tradicional dos homens e mulheres da terra. Tudo menos um “herói do mar”. Quis então recriar isto de forma caricatural, impondo um silêncio humilde e respeitoso, a sua conceção singular e retrógrada para “fazer viver o Portugal tradicional”, com a polícia em todo o lado e a justiça em lado nenhum.

Tornou-se, portanto, a sua marca registada, que na década de 1930 funcionou bastante bem, com uma parte da população sensível a este discurso e esta atitude geral de humildade e relativa discrição. O aparelho de propaganda e os poderosos porta-vozes dentro da Igreja estavam lá para trabalhar para que este personagem secreto e sombrio fosse audível. E fizeram de tudo para que resultasse. Ao jogar com esta cultura do apagamento do homem da terra, procurou também sublinhar que era diferente de todos os políticos lisboetas que vinham de um meio demasiado favorecido para compreender a importância do “rei escondido e desejado”.

Não podemos sugerir que o corpo ideológico de Salazar corresponde ao que a franja mais conservadora da direita europeia e americana espera, mas que o seu estilo político se relaciona mal com a omnipresença mediática que a política contemporânea exige?

Concordo plenamente: Trump ou Bolsonaro usam ambos um discurso de essência às vezes salazarista, mas são personagens totalmente contraditórios da figura e estilo de Salazar. O estilo salazarista, feito de aparente discrição e apagamento, é perfeitamente oposto a esta forma de trabalhar na era das redes sociais. No entanto, Salazar poliu temas que se impuseram na maioria dos seus partidos nacional-populistas: a obsessão pela probidade e honestidade – que entra sempre em conflito com a realidade da corrupção interna nestes movimentos, tal como o Estado Novo foi corrupto – a rejeição da democracia liberal; o anti-elitismo; a fantasia imperial; o conservadorismo social.

Ao evocar Portugal hoje, percorremos a escala imperial — que é também uma escala oceânica na imaginação portuguesa – e a escala europeia. A escala ibérica também pode ser relevante quando se fala de Portugal? Ou seja, temos de trabalhar sobre Espanha para trabalhar sobre Portugal? E no mundo espanhol, que lugar ocupa a Catalunha na imaginação portuguesa? 

Em reflexão, a escala ibérica parece-me bastante irrelevante pelas razões acima referidas, uma vez recordados alguns elementos de prova relacionados com as lógicas geográficas peninsulares.

A própria história da formação de Portugal como Estado soberano, digamos “não ser Castela”, a sua projeção ultramarina como uma “talassocracia” e a sua constante procura de espaços compensatórios à rigidez do seu retângulo europeu, em suma, devido aos seus incessantes “golpes de rins” para se distinguir do seu poderoso vizinho e resistir ao tropismo da União Ibérica até ao século XX.

Conhecer a história de Espanha é obviamente necessário para trabalhar sobre Portugal, desde que nos livremos de certos estereótipos e introduzamos uma espécie de cláusula de reciprocidade para incentivar os historiadores que trabalham sobre Espanha a olharem mais de perto para Portugal, que ainda está longe de ser a regra.

Quanto à Catalunha, para além das analogias – línguas próximas, identidades forjadas em oposição a Castela – o olhar permanece distante. Mesmo que os portugueses tenham uma espécie de dívida para com os catalães que, em 1640, impediram os castelhanos de suprimir a revolta que, em 1 de dezembro, permitiu ao Duque de Bragança proclamar o fim da “união ibérica das duas coroas” e assim Portugal recuperar a sua soberania. Mas o interesse há muito manifestado pelos catalães na ideia de uma federação ibérica foi contra o desejo de independência na Península Ibérica que faz parte da história portuguesa desde o século XII.

Finalmente, pode falar-nos de um lugar português que lhe seja particularmente caro?

Responderia, não sem dificuldade, Cabo da Roca, o lugar mais ocidental e simbólico do continente europeu. Com o seu farol com vista para o oceano, é um lugar mágico virado para o Atlântico. Camões descreveu-o como “o lugar onde a terra acaba e o mar começa”. Em resumo, uma Finisterra que tem tudo para seduzir o bretão que há em mim…

Além disso, esta resposta permite-me não ofender nenhum dos meus amigos “Portuenses” ou “Lisboetas”, entre os quais a rivalidade pode por vezes ser feroz!


«J’ai été séduit par l’extrême ouverture de la culture portugaise», une conversation avec Yves Léonard

Cette interview a été réalisée par le magazine Grand Continent et a été donnée en exclusivité à Mensagem pour l’édition portugaise.

Certains voyageurs multiplient les destinations sans jamais se sentir particulièrement attachés à un pays. Mais il arrive parfois qu’un lieu nous enchante sans que nous sachions directement pourquoi. L’historien Yves Léonard nous partage sa découverte du Portugal, son apprentissage de la langue portugaise et sa plongée dans l’histoire politique et culturelle de ce pays.

Comment en êtes-vous arrivé à travailler sur le Portugal ? 

C’est très largement dû à une série de hasards, qui ont trouvé une cohérence a posteriori.

Je suis arrivé au Portugal lors de l’été de mes 20 ans. C’était le début des années 1980 et le pays était très différent de celui que l’on connaît aujourd’hui. J’ai tout de suite ressenti un véritable choc. Une passion est née à ce moment-là que j’ai ensuite cherché à étoffer de manière plus rationnelle à travers mes études d’histoire.

Comme cela arrive parfois, je suis venu en touriste à vingt ans, et je ne suis jamais vraiment reparti. Cela aurait pu être un voyage parmi d’autres — à la même époque, j’avais fait un long séjour aux États-Unis dans le cadre de mes études — et finalement le Portugal est devenu l’endroit où je suis revenu sans cesse. Ce voyage, et les premières rencontres que j’y ai fait, ont suscité un véritable choc passionnel qui m’a bouleversé en éveillant de très nombreuses questions, d’autant que je n’avais aucune connaissance a priori sur ce pays, à commencer par la langue que j’ignorais complètement. Tout était à construire, à apprendre. 

Vous parlez d’une cohérence a posteriori. Comment expliquez-vous ce choc, cette passion soudaine ? 

C’est sûrement parce que j’avais 20 ans … J’essayais de comprendre cette importance de la mer par exemple, que j’ai essayé de rationaliser. Je suis moi-même à moitié breton, j’ai été baigné dans cette culture maritime, ce qui a beaucoup compté dans ce premier ressenti du Portugal. J’ai retrouvé, des paysages, des mentalités, une manière de contempler l’Atlantique qui était assez proche de ce que j’avais pu connaître et dont j’étais imprégné à travers mes origines bretonnes. J’ai ainsi éprouvé une sorte d’illusion rétrospective de la fatalité … 

D’autre part, lorsque l’on voulait s’intéresser à ce qu’il se passait au Portugal, du point de vue des études historiques en France, il y avait très peu de choses. C’était d’autant plus le cas sur la période contemporaine qui était pourtant celle qui m’intéressait le plus. Il y avait des unités de recherche à l’EHESS et à Nanterre sur l’expansion maritime à l’ère moderne, notamment autour de Jean Aubin, de Geneviève Bouchon et de Frédéric Mauro, un grand spécialiste du commerce transatlantique qui m’avait encouragé à poursuivre. Mais je voulais surtout travailler sur les XIXe et XXe siècles. 

Il a donc fallu que je me mette à la recherche de professeurs qui acceptent de m’aider. Heureusement j’ai trouvé sur mon chemin des gens qui ont accepté sans forcément être des spécialistes du Portugal. Au départ, j’ai travaillé sur les guerres péninsulaires napoléoniennes qui permettaient de conserver une dimension française dans mes recherches. Je m’en suis écarté assez vite car cette période constitue un souvenir traumatisant pour les Français, tout en ayant laissé une mémoire désastreuse au Portugal… Cela venait plutôt compliquer mon travail de défrichage de son histoire contemporaine.  

C’est à Sciences Po que j’ai été accueilli par des professeurs qui, a priori, n’avaient rien à voir avec le Portugal, notamment Serge Berstein qui m’a écouté avec beaucoup de bienveillance et d’intérêt, devenant mon directeur en DEA et en doctorat. Dans ce cadre institutionnel, j’ai pu développer mes recherches. C’était l’époque, au tournant des années 1980, où l’histoire contemporaine était en devenir au Portugal. Du temps de la dictature de Salazar, l’histoire contemporaine n’existait pas. Il était interdit de l’évoquer ou de s’intéresser au temps présent. Cette période était réservée aux hommes chargés de la propagande et aux journalistes identifiés par le régime comme capables d’écrire sur ce qui était alors considéré comme l’actualité. La seule histoire qu’ils pouvaient raconter était le récit national que Salazar avait construit. Il fallait donc impérativement répondre à un certain nombre de canons et s’intéresser à la période du Moyen Âge et de l’expansion coloniale qu’on appelait « les découvertes ». Au-delà, cela devenait compliqué : l’histoire de la fin de la monarchie constitutionnelle, de la République et de l’Etat nouveau était impossible. Quelques pionniers avaient tenté le coup, mais ils avaient été obligés de s’exiler en Suisse, en Angleterre, ou en France. Avec la Révolution des œillets, les choses ont beaucoup changé. En dix ans, des structures et des moyens ont été mobilisés pour que l’histoire du temps présent puisse être écrite. 

En arrivant quelques années après la Révolution des œillets, j’ai pu bénéficier des premiers travaux qui essayaient d’étudier scientifiquement l’histoire de l’État nouveau salazariste. J’ai rencontré à ce moment-là de jeunes chercheurs portugais déjà aguerris qui essayaient de créer des problématiques, des réflexions, des centres de recherche autour de l’histoire contemporaine. Cette première phase de mon travail a abouti en 1997 lorsque j’ai organisé un colloque à Sciences Po, qui n’était pas une coupure épistémologique en soi, mais qui a suscité un frémissement. D’autant que Mário Soares, dont le mandat de président de la République venait de se terminer, avait accepté de présider les débats, conjointement avec René Rémond, alors à la tête de la FNSP. Cela a logiquement suscité une forme de curiosité. Cela a été un moment de rencontre marquant entre historiens français et portugais qui a quelque peu contribué à légitimer en France l’histoire contemporaine du Portugal.

Vous avez appris le portugais à l’âge adulte. Dans votre livre, vous mettez souvent en avant le fait que cette langue est consubstantielle à l’imaginaire que les Portugais se font de leur construction nationale. Comment décririez-vous votre approche du portugais ? 

J’ai appris sur le tas et sur le tard. Au début, cela a été loin d’être simple car j’avais appris l’allemand et l’anglais à l’école – j’avais donc peu de points de référence. Au bout du compte, je me dis que, finalement, cela n’était pas si mal : le fait de ne pas parler le castillan m’a empêché de faire du « portugnol » – ce mélange douteux des deux langues à dominante espagnole que font beaucoup de locuteurs français du portugais.

Aujourd’hui je le parle à peu près correctement, c’est-à-dire que j’ai plutôt l’accent portugais et non pas un accent français trop marqué, ni espagnol ou brésilien, ce qui n’est déjà pas si mal. Il y a toujours des petites fautes de syntaxe, de grammaire parce que la culture de l’imparfait du subjonctif que les lusophones adorent ne m’est pas naturelle. Pour éviter cet obstacle, il m’arrive de tourner les phrases différemment, mais cela ne trompe personne au bout d’un moment… 

J’y reviens, mais au moins je n’étais pas pollué par le prisme déformant de l’Espagne – travers que beaucoup de Français ont en partant au Portugal. Autrement dit, je n’étais pas un hispanisant échoué à Lisbonne, ce qui n’est pas neutre car il y a toujours des a priori, un peu de dénigrement ou une perception assez dédaigneuse du pays en raison du poids du voisin castillan. Ne pas avoir ces stéréotypes était un avantage. 

J’ai dû aussi me battre contre une forme d’incompréhension, au sens où je ressentais toujours une forme d’intérêt poli de la part de mes interlocuteurs qui masquait mal une question sous-jacente : « mais pourquoi le Portugal ? ». À l’époque, pour beaucoup de Français, le Portugal était juste un petit pays pourvoyeur de main-d’œuvre, « de maçons et de concierges », un pays d’émigrés… Tous les stéréotypes, on les ressentait lorsqu’on s’intéressait à un objet d’étude qui n’était pas naturel, hormis la période sacrée de l’expansion maritime qui était valorisée. Sur la période contemporaine, les réticences, nourries d’ignorance, étaient très explicites. Les choses ont heureusement un peu changé et la belle saison croisée France-Portugal organisée cette année contribue utilement à faire disparaître quelques stéréotypes éculés.

Avez-vous appris le castillan par la suite ?

Oui c’est venu après, mais simplement pour un usage écrit afin de pouvoir lire les sources qui concernent le Portugal. C’est assez nécessaire pour faire un travail sérieux. 

Qu’est-ce qui vous séduit particulièrement dans le portugais ?

Quand on découvre une langue si différente, la première fois, on n’y comprend strictement rien et, quand on s’y essaye, ce n’est pas un exercice très naturel pour un Français. J’ai aimé la difficulté de l’exercice, d’autant que cette langue et sa culture subissaient en France des préjugés assez négatifs. Cela m’a donné envie d’écouter : une fois que l’on se force à faire ce travail, je crois que l’on trouve l’objet de notre écoute plus beau. Et puis, apprendre le portugais, l’une des langues européennes les plus parlées au monde, faut-il le rappeler, était aussi une manière de ne pas laisser s’éteindre le souvenir de mon premier voyage au Portugal. 

Par ailleurs, j’ai une véritable fascination pour les sonorités de l’italien – que je parle très mal -, mais je trouve que la langue portugaise a également de très belles sonorités quand on sait l’écouter. Beaucoup plus que le castillan par exemple (il rit). 

Et puis, plus encore que la langue, j’ai été séduit par l’extrême ouverture de la culture portugaise, cette disponibilité et ces contacts très agréables qui donnent tout de suite l’impression de faire partie d’une famille. Je crois que cela a été une des clefs de ma motivation. 

Je crois que tous ces motifs expliquent mon attraction pour le portugais : ils sont concomitants et il me serait difficile d’en choisir un plus que les autres. 

Vous êtes historien du Portugal, quelle relation entretenez-vous avec la littérature portugaise ? Comment l’abordez-vous en tant qu’historien ? 

Ce que j’essaie de montrer dans l’Histoire de la nation portugaise – sans tomber dans le cliché d’un « pays de poètes » depuis Camões – c’est que l’histoire du Portugal a partie liée avec sa littérature. De nombreux auteurs portugais sont très étroitement mêlés à l’histoire de leur pays, à commencer par Pessoa qui m’a beaucoup aidé dans mes recherches sur le salazarisme.

L’un de mes premiers chocs littéraires fut la découverte d’Eça de Queiroz. C’est un auteur de la deuxième moitié du XIXe siècle, de tradition plutôt réaliste : il a notamment été très marqué par Flaubert. Ses romans sont à la fois d’une grande finesse et marqués par une forte imprégnation de leur époque. Je pense notamment aux Maias, l’histoire d’une famille qui est une vaste mise en abyme du XIXe siècle portugais. L’Illustre maison de Ramires est aussi un roman très important pour moi : c’est à la fois un récit sur le temps présent et un regard rétrospectif d’une grande finesse sur le Moyen Âge portugais. 

Je suis en train de finir le dernier roman de Javier Cercas, Indépendance, qui est le deuxième volet d’un cycle ouvert avec Terra Alta. Le personnage principal, un détective qui a vécu des expériences atroces, est un énorme lecteur et au détour d’une page on apprend qu’il lit l’Illustre maison des Ramires. Alors même que ce roman n’est pas le plus connu d’Eça de Queiroz, cet intertexte rappelle à quel point c’est un chef d’œuvre. En plus de m’avoir bouleversé, je dois dire que j’ai été passionné par la vie de son auteur. Consul du Portugal, notamment à Paris où il est décédé en 1900, il a beaucoup écrit dans les journaux lisboètes de l’époque : en particulier ses Farpas, ses « piques et banderilles » reflets littéraires inspirés de joutes oratoires et épistolaires. Il est très représentatif de la génération du « Casino », caractérisée par une forme de désenchantement. 

Plus proche de nous, José Saramago, prix Nobel en 1998, a beaucoup compté sur moi, notamment dans mes travaux sur le salazarisme dont il m’a souvent aidé à saisir l’essence. Il a un regard saisissant sur les hétéronymes de Pessoa, à qui il donne une incroyable incarnation littéraire dans L’Année de la mort de Ricardo Reis. Ce dernier aurait ainsi survécu un an au poète dans le Lisbonne de 1936. C’est l’occasion pour Saramago de raconter les premières années du salazarisme et de l’omniprésence de la police politique. C’est un romancier fondamental pour comprendre ce qu’était le quotidien sous la dictature : je pense notamment à son Relevé de terre qui m’apparaît comme l’un des plus grands textes sur la question sociale au Portugal du XXe siècle. 

Je voudrais ajouter Miguel Torga à ce bref tour d’horizon. Ses poèmes comme ses témoignages sur la réalité des geôles salazaristes dans La création du monde ont beaucoup compté. Ce médecin anonyme de Coimbra, qui a exercé sa profession jusqu’à sa mort, publiait à compte d’auteur des textes étonnants sur les contes et légendes du Portugal, auxquels se sont ajoutés de très beaux poèmes et ses Pages de journal, traduites en français (En franchise intérieure et En chair vive), immense texte littéraire couvrant soixante ans d’histoire, de 1933 à 1993. Torga est aussi l’auteur de la fameuse formule « l’universel, c’est le local moins les murs », riche de sens, même si elle est trop souvent citée hors de propos.

On pourrait multiplier les exemples tant la littérature portugaise est riche, je pense notamment à Lídia Jorge et son roman Les mémorables sur la Révolution des Œillets. En tant qu’historien, elle m’a beaucoup nourri tant j’y trouve une résonance, une pertinence, et une remarquable acuité du regard. C’est sûrement parce que ces auteurs sont aussi imprégnés du passé de leur pays. Pour Saramago, l’histoire de la nation portugaise est un fil d’ariane – je pense à son Histoire du siège de Lisbonne et au Dieu manchot – enrichi de son vécu pendant la dictature, car il a commencé à écrire assez tardivement, dans les années 1970, où il avait déjà plus de cinquante ans.

Enfin, à la frontière de la littérature et de l’essai philosophique, j’éprouve une grande admiration pour les réflexions d’Eduardo Lourenço, disparu en 2020, d’une infinie richesse, notamment sur la « mythologie de la saudade ».

En travaillant le Portugal, qui a tardivement perdu son empire, vous êtes-vous intéressés de près au reste du monde lusophone ?

Oui et non. D’un côté, il est difficile de travailler tant d’années sur le Portugal sans se projeter sur plusieurs continents et l’ensemble des océans. C’est une donnée essentielle au parcours et à l’histoire de ce pays. 

Mais il serait très présomptueux de prétendre être aussi spécialiste des anciennes possessions coloniales portugaises que de la métropole. Je crois que pour connaître un pays il faut essayer d’y vivre le plus possible, s’y installer à un moment donné. Or la vie a fait que je n’ai pas pu vivre dans ces pays-là, hormis les voyages ponctuels qui étaient souvent des escapades trop rapides. 

En revanche, comme mon sujet de thèse portait sur l’idée coloniale au Portugal, j’ai étudié ces pays sous le prisme du colonisateur, au travers du regard des élites portugaises. J’ai notamment essayé d’articuler une analyse de ce phénomène sur la longue durée à une étude centrée sur la crise de l’ultimatum dans les années 1890. Évidemment c’était un regard biaisé, mais qui m’a conduit à m’intéresser et à rencontrer des acteurs non portugais qui avaient subi l’occupation, la colonisation, le joug portugais. 

Et puis, j’ai participé à la fin des années 1990 à l’aventure « transdisciplinaire » menée par la revue Lusotopie sur les espaces lusophones, autour de l’historien, spécialiste du Mozambique, Michel Cahen. Il y avait une grande part de militantisme dans cette aventure pour désenclaver les études portugaises et les sortir d’un tropisme hispanique ou « civilisationniste » trop marqué. Faute de moyens, l’aventure a tourné court au bout d’une quinzaine d’années, mais a fort heureusement repris corps il y a trois ans autour de jeunes chercheurs comme l’historien Victor Pereira.

C’est donc une réponse en demi-teinte, car cela fait partie des sujets que j’aurais aimé beaucoup plus développer par différents canaux. Les circonstances ont sans doute fait que cette occasion ne s’est pas présentée. Peut-être aussi ne les ai-je pas assez suscitées. Il faut avoir du temps et de la disponibilité pour conduire ce type d’études. Et puis on est conduit à faire des choix : on m’avait proposé d’aller travailler au Mozambique, mais je n’ai pas pu accepter pour tout un ensemble de raisons d’ordre personnel. 

Pour le dire simplement, je maîtrise bien les fondamentaux de l’histoire de ces pays, en plus de celles de leurs relations avec le Portugal, mais il me manque ce mélange de proximité et de distance, ce « pas de côté » que seul peut permettre un long séjour en tant qu’étranger.

 

Yves Leonárd.

Le Portugal est à la fois l’une des marches méridionales du continent européen et, à l’exception de la Bretagne, sa marche la plus occidentale. Sa fréquentation vous a-t-elle mené à considérer l’Europe différemment ? Avez-vous été imprégné de la vision que portent les Portugais sur l’Europe ?

Oui, indéniablement.  Le Portugal est effectivement un peu un autre Finistère de l’Europe. Cette dimension est très forte de mon point de vue et je l’ai ressenti immédiatement. Quand j’ai connu le Portugal, il avait posé sa candidature pour entrer dans la CEE, mais les négociations pour son adhésion piétinaient. C’était assez lent, jusqu’à leur relance en 1984. Le pays ressentait très fort l’attente de son admission, tout en cultivant une forme d’ambivalence : il voulait qu’on l’accepte dans l’union tel qu’il était et pour ce qu’il était, afin de trouver des relais de développement et de conforter la démocratie dans le pays. Il s’agissait aussi de panser certaines blessures liées à la perte, encore très récente, de l’empire colonial, selon la formule consacrée « l’empire est mort, vive l’Europe ». Cette ambiance était très prégnante au moment où j’ai connu le pays. 

J’ai également vécu la période d’adhésion, donc les années 1985-86, où l’on ressentait un très fort engouement des élites et d’une partie de la population. Malgré tout, le sens de cette entrée dans la CEE n’était pas complètement clair.  Jusque-là, seuls les élites et les Portugais qui avaient migré en France et en Allemagne avaient fait l’expérience de cette Europe unie. 

Tout cela était très présent dans les mentalités. Je l’avais ressenti d’autant plus fortement que, dans les années 1990, j’étais assez militant de la cause de la construction européenne. Je participais à différents mouvements dans lesquels je m’impliquais avec beaucoup de conviction. Je trouvais dans l’exemple portugais une illustration sinon parfaite, du moins assez aboutie, de ce que je recherchais à travers la construction européenne. Bien que ce cas ait été peu médiatisé à l’époque, c’est resté pour moi une illustration très parlante de ce que l’Europe peut accomplir. Eduardo Lourenço parlait à juste titre d’un « engagement dans l’inconnu » pour un pays comme le Portugal qui se vivait alors « comme Europe en marge ».

Au début des années 2010, le regard sur l’Europe a de nouveau changé. Cela a été une période très difficile pour les Portugais qui ont ressenti une forte désillusion quant à leur ancrage européen. Pendant la période de la Troïka dans les années 2011-2014, je suis allé régulièrement là-bas et j’ai pu observer la situation. C’était très dur car cette crise avait ébranlé un certain nombre de convictions européennes, comme ce fut aussi le cas en Grèce, d’autant qu’un certain nombre de partenaires européens réagissaient avec beaucoup de condescendance et de mépris – je pense notamment à l’expression « PIGS » qui a fait florès à cette époque. Pour moi, Français qui venais régulièrement sur place, c’était aussi douloureux de voir que le Portugal payait un tel tribut. 

Malgré tout, j’observe que c’est l’un des pays qui reste le plus largement favorable à l’Europe. La crise de la dette n’a pas fondamentalement altéré cet état de fait. Il a néanmoins conduit les gauches portugaises à faire évoluer leur doctrine en cherchant une voie originale qui permettrait de combiner le respect des engagements européens avec la volonté d’investir l’échelle continentale pour ouvrir des alternatives. J’ai trouvé cette période de rebond absolument passionnante – et il me semble qu’elle a quelque peu modifié le regard que d’autres pays européens jettent sur le pays, auquel s’ajoute son immense succès touristique depuis quelques années. 

Je reviens sur ce que vous disiez de la période d’adhésion. Dans un texte important pour le Grand Continent, Timothy Snyder invitait les européens à abandonner l’un de leurs mythes fondateurs : pour lui, l’Europe n’est pas fondée sur un idéal pacifique comme on le dit souvent. C’est le résultat d’un choix très pragmatique d’anciennes puissances impériales qui ont choisi d’investir l’échelle communautaire après la perte de leurs empires. Avez-vous l’impression que cette réalité-là, qui s’applique bien au cas portugais, y a été revendiquée plus explicitement ?

Il est certain que pour nombre de Portugais la projection maritime, ultramarine, a été motrice dans son développement et dans son devenir.

Jusqu’en 1974-1975, alors que la dictature s’obstinait à ne rien changer, les Portugais regardaient l’Europe avec beaucoup de méfiance et de distance. Cela a changé dès lors que les colonies ont disparu, et avec elles les soubassements d’un discours et d’un récit national qui expliquait depuis le XIXe siècle que le Portugal disparaîtrait s’il perdait ses colonies. Il n’est pas anodin que la révolution des œillets ait été inspirée par le rejet du fardeau colonial : c’est bien le rejet de l’empire qui a provoqué la chute de la dictature.  C’est sur cette question que le coup d’État du 25 avril s’est fait. Pour les principaux acteurs de la révolution et les politiques, il fallait ensuite faire le choix résolu de l’Europe. En somme, on revenait à l’alternative, ou du moins à l’absence d’alternative, qui s’était présentée aux rois portugais au XIVe et au XVe siècle parce qu’ils étaient coincés sur la scène continentale. Leur solution a donc été, pour eux, de s’inventer un destin de héros de la mer, c’est ce que j’essaye de démontrer dans mon dernier livre. Ils ont d’abord fait ce choix en tâtonnant, en tentant des choses plus ou moins hasardeuses, mais qui étaient poussées par la motivation de tenter leur chance ailleurs étant donné qu’ils étaient bridés dans leurs frontières terrestres. 

Ce renversement de perspectives est celui auquel sont confrontées les élites portugaises au milieu des années 1970. Il n’y a pas d’autres alternatives sinon de regarder et de s’ancrer durablement en Europe, dès lors que le choix du large, en Afrique ou en Amérique du Sud, n’est plus possible. C’est une réponse très claire, formulée plus ou moins clairement chez les élites. 

Je pense finalement que la culture politique portugaise est partagée entre ceux qui considèrent que le destin du Portugal se joue en Outremer – c’était notamment le cas de Salazar – et ceux qui voyaient au contraire dans la présence ultramarine l’une des raisons du déclin portugais. C’est des tenants de cette tradition que vient la conviction qu’il vaut mieux s’ancrer du côté de l’Europe. 

Dans l’adhésion à la CEE, on repère néanmoins une tentative de concilier ces deux traditions. Lorsque Mário Soares et les autorités portugaises signèrent le traité d’adhésion, elles choisirent de le faire dans la cour d’apparat du monastère hiéronymite de Belém, un endroit d’une forte puissance symbolique au Portugal. Du reste, les discours du Président portugais et de Jacques Delors insistèrent tous les deux sur le fait que ce traité représentait un trait d’union entre le passé et le futur du pays. Malgré la révolution des œillets et ses suites, il existait une continuité entre le Portugal impérial et le Portugal européen. 

Et puis, la paix n’avait pas la même signification dans ce pays que dans d’autres. Au XIXe et au XXe siècle, le Portugal est resté très périphérique dans les affaires européennes : s’il a participé à la Première Guerre mondiale, il était éloigné des différentes lignes de front tandis que Salazar a choisi la voie d’une neutralité ambivalente, entre les puissances de l’Axe avec lesquelles il avait certaines convergences idéologiques et les alliés anglo-américains auxquels il a su donner suffisamment de gages, principalement aux Açores, pour ne pas être renversé en 1945. 

De manière générale, depuis la période napoléonienne, le Portugal a été épargné par la guerre. En revanche, l’Europe offrait la possibilité d’un nouveau destin articulé à un espace territorial qui n’était pas le sien, puisqu’il s’en était tenu éloigné pendant la période de la dictature. Cette nouvelle réalité n’empêche pas la persistance d’un imaginaire océanique. Le Portugal a toujours cherché à maintenir, à entretenir des relations avec les anciennes possessions ultra-marines car c’est non seulement une manière de préserver certains intérêts commerciaux mais également une manière d’être au monde qui est différente de celle de pays plus importants en Europe. L’océan Atlantique, qui est un espace privilégié pour la diplomatie portugaise et « l’économie bleue », est un espace important dans la projection imaginaire du pays. 

Puisque nous parlons de la mer, votre livre s’ouvre avec la disparition de Sébastien du Portugal. Est-ce que ce « roi caché » est toujours présent dans l’imaginaire contemporain portugais ou s’est-il effacé ? 

À la fin du XIXe siècle, Eça de Queiroz écrivait que tous les Portugais avaient en eux un fond de sébastianisme. Sébastien c’est la grande catastrophe, c’est la chute, c’est une forme de déclin, mais c’est aussi un espoir de renaissance. Cette dimension est particulièrement forte dans ce qu’on a appelé le sébastianisme, c’est-à-dire l’espoir messianique toujours réactualisé de voir le prince revenir pour sauver son peuple. Yves-Marie Bercé dans Le roi caché a consacréun chapitre tout à fait pionnier à ce phénomène. C’est intéressant de voir que toutes ces impostures, tous ces gens qui se sont prétendus être Sébastien portaient ces vieilles prophéties, ces rêves de renaissance qui devaient permettre au Portugal de retrouver une forme de prééminence. Cette dimension-là est demeurée très présente dans l’imaginaire collectif. 

Il est aujourd’hui très difficile d’apprécier la survie d’un mythe populaire qui paraît s’étioler. Cette dimension populaire est fondamentale : contrairement aux éléments structurants du mythe de la construction nationale, qui flattaient particulièrement les représentations que les élites portugaises avaient d’elles-mêmes, le sébastianisme imagine que Sébastien est caché au milieu de son peuple, où il survit en attendant de revenir le sauver. Le mythe a été diffusé grâce à des sermons, des prêches, toute une tradition orale en somme qui s’est développée et a même traversé l’Atlantique car on le retrouve dans le Nord-Est du Brésil. Comme l’a bien montré Lucette Valensi, c’est un mythe populaire extrêmement fécond qui a encore essaimé au long du XIXe siècle et jusqu’au XXe siècle. 

Il y a une ambivalence profonde du sébastianisme. D’un côté, ce mythe entretient une espèce de rêve démesuré et de nostalgie très pessimiste. De l’autre, il est aussi porté par une forme de résilience, qui constitue sa part positive et dynamique. Cette dimension, qui se traduit souvent par l’espérance en un mythe du sauveur, pour reprendre la taxonomie de Raoul Girardet, a été très utilisée par les élites du XXe siècle, dont Salazar qui cherchait à se mettre en scène comme une sorte de roi sans couronne, désiré et caché à la fois. 

À l’échelle européenne, peut-on considérer que Salazar est en quelque sorte le dictateur caché du continent Européen au 20e siècle ? Je m’explique : alors même que Salazar a eu une grande influence sur les droites conservatrices et radicales en Europe, sa mémoire est aujourd’hui largement effacée. Comment l’expliquez-vous ? 

José Gil a consacré un très bel essai, malheureusement non traduit, à la rhétorique de l’invisibilité chez Salazar. Ce très beau texte dit bien les choses, il transcrit cette volonté d’être le plus invisible possible pour être omnipotent. C’est une espèce d’ambivalence totale sur laquelle Salazar a joué tout le temps : la fausse humilité, la réserve naturelle du personnage qui ne voulait pas apparaître pour mieux tout contrôler. Comme j’essaye de le montrer dans sa biographie dont je termine la rédaction, cela devait correspondre certainement à sa nature profonde, celle d’un timide emprunté face à un public dépassant, disons, trois personnes. Il excellait dans le tête-à-tête ou au téléphone, alors qu’il était incapable d’haranguer une foule. Je pense qu’il a dû composer avec ces défauts, tout en faisant mener par d’autres une propagande extrêmement active. 

Salazar était aussi nourri par le sébastianisme qui était fort dans sa culture personnelle. Il était intimement convaincu qu’avec quelques ingrédients – un récit national bien construit, un contrôle rigoureux des âmes et des consciences -, il ferait rebondir le pays qui renouerait le fil des temps immémoriaux de l’expansion maritime. Il a certainement voulu créer cette forme d’illusion en surjouant cet effacement. C’était quelqu’un qui était issu d’un milieu modeste, il avait été élevé à l’intérieur des terres, dans les Beiras. Le rapport à la modernité, l’influence des modes et de la vie intellectuelle n’étaient pas du tout ce qu’il avait connu durant son enfance et son adolescence. C’était quelqu’un qui s’était nourri de la culture traditionnelle des hommes et femmes de la terre. Tout sauf un « héros de la mer ». Il a ensuite voulu recréer cela de manière caricaturale en imposant un silence humble et respectueux, sa conception singulière et passéiste pour « faire vivre le Portugal habituellement », avec la police partout et la justice nulle part. 

C’est donc devenu sa marque de fabrique qui dans les années 1930 a plutôt bien fonctionné, une partie de la population étant sensible à ce discours et à cette attitude générale d’humilité et de relative discrétion. L’appareil de propagande et de puissants relais au sein de l’Église étaient là pour usiner afin que ce personnage secret et sombre soit audible. Et ils ont tout fait pour que ça fonctionne. En jouant sur cette culture de l’effacement de l’homme de la terre, il cherchait aussi à souligner qu’il était différent de tous les politiciens lisboètes qui venaient d’un milieu trop favorisé peut-être pour comprendre l’importance du “roi caché et désiré”. 

Est ce qu’on ne pourrait pas suggérer que le corpus idéologique de Salazar correspond à ce qu’espère la frange la plus conservatrice des droites européennes et américaines, mais que son style politique correspond mal à l’omniprésence médiatique que requiert la politique contemporaine ? 

Je suis assez d’accord : Trump, ou Bolsonaro utilisent tous deux un discours d’essence parfois salazariste, mais ce sont des personnages totalement antinomiques de la figure et du style de Salazar. Le style salazariste, fait de discrétion et d’effacement apparents, est parfaitement orthogonal de cette façon de fonctionner à l’ère des réseaux sociaux. Il n’empêche que Salazar a poli des thèmes qui se sont imposés dans la plupart des partis nationaux-populistes : l’obsession de la probité et de l’honnêteté – qui se heurte toujours à la réalité de la corruption interne à ces mouvements, tout comme l’Estado Novo était du reste corrompu – ; le rejet de la démocratie libérale ; l’anti-élitisme ; le fantasme impérial ; le conservatisme social. 

En évoquant le Portugal aujourd’hui, nous sommes passés par l’échelle impériale — qui est aussi une échelle océanique dans l’imaginaire portugais —, et par l’échelle européenne. L’échelle ibérique peut-elle aussi être pertinente lorsque l’on parle du Portugal ? Autrement dit, faut-il travailler sur l’Espagne pour travailler sur le Portugal ? Et dans le monde espagnol, quelle place occupe la Catalogne dans l’imaginaire portugais ? 

À la réflexion, l’échelle ibérique me semble assez peu pertinente pour les raisons invoquées précédemment, une fois rappelées quelques évidences liées aux logiques géographiques péninsulaires. L’histoire même de la formation du Portugal comme État souverain, disons « pour ne pas être la Castille », sa projection ultramarine comme « thalassocratie » et sa recherche constante d’espaces compensatoires à l’exiguïté de son rectangle européen, bref en raison de ses « pas de côté » incessants pour se singulariser de son puissant voisin et résister au tropisme d’union ibérique jusqu’au XXe siècle.

Connaître l’histoire de l’Espagne est évidemment nécessaire pour travailler sur le Portugal, à condition de se déprendre de certains stéréotypes et d’introduire une sorte de clause de réciprocité pour inciter les historiens travaillant sur l’Espagne à s’intéresser de plus près au Portugal, ce qui est encore loin d’être la norme.

Quant à la Catalogne, au-delà des analogies – langues proches, identités forgées en opposition à la Castille –, le regard reste distant. Même si les Portugais ont en quelque sorte une dette envers les Catalans qui, en se soulevant en 1640, ont empêché les Castillans de réprimer le soulèvement qui, le 1er décembre, a permis au duc de Bragance de proclamer la fin de « l’union ibérique des deux couronnes » et donc au Portugal de recouvrer sa souveraineté. Mais l’intérêt longtemps exprimé par les Catalans pour l’idée d’une fédération ibérique est allé à l’encontre de la volonté d’indépendance en péninsule ibérique consubstantielle à l’histoire portugaise depuis le XIIe siècle.

Pour terminer, pouvez-vous nous évoquer un lieu portugais qui vous est particulièrement cher ?

Je répondrais, non sans difficulté, Cabo da Roca, lieu symbolique le plus à l’ouest du continent européen. Situé à une quarantaine de kilomètres au nord-ouest de Lisbonne, près de Sintra, avec son phare surplombant l’océan, le lieu est magique face à l’Atlantique. Camões l’a décrit comme « l’endroit où la terre s’arrête et la mer commence ». Bref, un autre Finistère qui a tout pour séduire le Breton qui sommeille en moi… Et puis cette réponse me permet de ne froisser aucun de mes amis «Portuenses» ou «Lisboetas», entre lesquels la rivalité peut parfois être féroce! 

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