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Cais

Ao Cais do Sodré pela manhã

Cai o tempo,
Hirto no poço.
Arranhado na curvatura
de um semáforo rompido.
Em magenta,
Em vermelhos encarnados,
Em roxo,
Enfrascado em lascas de urina,
Varridas num varrer coxo,
De quem cimenta uma manhã inteira,
À esquerda de um rosto.

Alice Neto de Sousa – Lisboa, Maio de 2022


Alice Neto de Sousa

Entre outros ofícios, é uma poeta portuguesa com raízes em Angola. Atualmente é convidada regular no programa “Bem-Vindos” na RTP África, faz parte da bolsa de poetas dizedores da associação cultural “A Palavra” e dedica ainda o seu tempo a escrever às prostitutas do metro do Martim Moniz e a “afiar a língua” para temas sociais emergentes. Inquieta por natureza nas palavras e nas escolhas, gosta de liberdade de pensar e de sentir.

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