Foto: José Frade/EGEAC

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As Festas de Lisboa vão voltar com o desafio de conciliar a gestão de um evento gigantesco com a pandemia ainda a contar os casos na casa das dezenas de milhares no país e uma guerra em solo europeu. Mesmo assim foi com um efusivo “We are back!”que Carlos Moedas anunciou o regresso.

O presidente da Câmara de Lisboa não fugiu do tema e deixou claro que a discussão sobre uma sexta vaga não deve nortear o retorno das Festas de Lisboa. “Não podemos voltar a fechar as cidades”, disse, reforçando que a realização das marchas, arraiais e demais eventos era um desejo pessoal, desde que assumiu o cargo, em 2021.

“A minha função como presidente da Câmara é manter a cidade aberta. Podemos ter uma vida normal e, nesse caso, o regresso das festas significam o regresso de alguma normalidade”, reforçou Moedas, sem negar que qualquer possível determinação do Governo em sentido contrário será respeitada e acatada.

Joana Gomes Cardoso, a presidente da EGEAC, referiu outro ponto nevrálgico da realidade, a guerra na Ucrânia. “Festejar é também um ato de resistência”, resumiu.

O que une os lisboetas

Para umas festas que têm como tema O que nos une, ressaltando a ideia de um evento aberto a todos os povos e culturas que compõem o mosaico do que é ser, afinal, um lisboeta, Tito Paris foi eleito para sintetizar a ideia. A partida para os mais de 30 dias de maratona festiva acontece em 28 de maio, com um concerto do músico cabo-verdiano nos jardins da Torre de Belém.

O concerto do músico cabo-verdiano Tito Pais abre a programação, em 28 de maio, e celebra também os 40 anos de trabalho do artista. Foto: Tito Paris.

“Conheci o Tito Paris na Praia e conversámos bastante. E se já era apaixonado pela música dele, agora sou apaixonado pela pessoa dele”, disse Carlos Moedas. Além da cara e a voz de uma festa que se pretende plural, o concerto marca os 40 anos de carreira do cabo-verdiano.

No final, as Festas de Lisboa encerram com o grande concerto Cheira a Lisboa, na Praça do Comércio, a 30 de junho, dando início às celebrações do centenário do mítico vaudeville lisboeta, o Parque Mayer, berço das marchas populares e quartel-general da luta cultural e, em tempos menos festivos, política. O concerto promete ser o grand finale de uma programação marcada pela variedade e quantidade de atrações.

Diogo Moura anunciou os vencedores tradicional contenda das Sardinhas de Lisboa, disputada entre mais de 1.5 mil candidatos, de 39 nacionalidades. “O que dá a exata dimensão internacional das Festas de Lisboa”, reforçou o vereador da cultura.

Entre as seis sardinhas vencedoras, cinco foram concebidas por portugueses – e uma tem ADN turco, concebida por Fathi Aksular.

Os designs vão de uma versão em pixels, autoria do estudante da EB 1 de Travassô, em Águeda, e de uma sardinha a uma versão luminosa, assinada por Helder Teixeira Peleja, que alude aos letreiros do Parque Mayer.

Mas não se pode falar das Festas de Lisboa sem falar nas marchas populares e elas também estão de volta, e em dois momentos: o primeiro, entre 3 e 5 de junho, no Altice Arena, e o segundo, no regresso do tradicional desfile pela Avenida da Liberdade, na noite de Santo António.

O Arraial Pride Lisboa está na programação e terá patrocínio da Sagres. Foto: José Frade/EGEAC

Quem também volta a dar o ar da sua graça é o Fado no Castelo de São Jorge, em duas ocasiões, dias 17 e 18 de junho, sob a responsabilidade de Ricardo Ribeiro, João Paulo Esteves da Silva e Teresinha Landeiro, esta última em duetos com Agir e Mimi Froes.

A programação propõe ainda uma agenda alternativa aos eventos tradicionais, como a Lisboa Mistura, a Festa da Diversidade e o Arraial Lisboa Pride. O evento tem o patrocínio da Sagres – cerveja oficial dos arraiais.

Uma extensa lista de eventos que exigirá fôlego a quem decidir matar as saudades das Festas de Lisboa, mas mesmo que atrapalhe um pouco a respiração, o presidente da Câmara de Lisboa lembra que não custa nada usar a máscara para se proteger.


Álvaro Filho

Jornalista e escritor brasileiro, 49 anos, há seis em Lisboa. Foi repórter, colunista e editor no Jornal do Commercio, correspondente da Folha de S. Paulo, comentador desportivo no SporTV e na rádio CBN, além de escrever para O Corvo e o Diário de Notícias. Cobriu Mundiais, Olimpíadas, eleições, protestos – num projeto de “mobile journalism” chamado Repórtatil – e, agora, chegou a vez de cobrir e, principalmente, descobrir Lisboa.

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