Onde dantes circulavam os velhos elétricos de Lisboa, na estação que remonta ao ano de 1904, e onde, mais tarde (de 1998 a 2004), paravam os autocarros para apanhar e largar passageiros, e depois foi – e ainda é – um parque de estacionamento – erguer-se-á um “polo dinamizador” do vizinho Instituto Superior Técnico.

A mudança é grande e vem dar nova vida a um espaço que já era, no jardim em frente, muito usado pelos alunos. O novo Arco do Cego vem complementar o funcionamento do Campus da Alameda, numa localização central e privilegiada da cidade, pondo-se assim fim à atual função (o parque será transferido para a vizinha Avenida Defensores de Chaves). O objetivo é duplo, e tem tudo a ver com a cidade:

“Ainda temos as nossas universidades muito fechadas, a funcionar como castelos”. As palavras são de Rogério Colaço, presidente do Instituto Superior Técnico (IST), e espelham aquela que é uma realidade bem enraizada em Portugal. Imagine-se então o que aconteceria se estes “castelos” destrancassem as suas portas, lançando o conhecimento como quem abre uma caixa de Pandora.

O atual espaço, com os carros estacionados. Foto:DR

É precisamente isso que vai acontecer e o primeiro passo será a colocação da pedra fundadora do novo “Técnico Innovation Center” – um evento simbólico da abertura das portas do “castelo”. Um convite para que a sociedade possa conhecer o trabalho e a investigação desenvolvido pelas faculdades do IST.

“Este conceito já existe em algumas universidades do estrangeiro”, explica o presidente, e o “Técnico Innovation Center” quer seguir essa tendência. “Há uma riqueza na abertura da universidade: mostrar-se trabalho e responder-se às necessidades da sociedade”.

Maquete do “Técnico Innovation Center”.

A escola que nunca dorme

Neste novo centro, cuja construção assentará na reabilitação e consolidação da edificação existente, valorizando-se o que resta das características naves do século XX, serão construídas três zonas principais:

  • Um espaço “24 horas”, dedicado ao estudo, e que poderá ser utilizado permanentemente não só pela comunidade estudantil, mas também por toda a população de Lisboa. A criação desta zona vem firmar ainda mais aquela que já é a reputação do IST: “A escola que nunca dorme”.
  • Um espaço de restauração, com um food court moderno, muito diferenciado e que, segundo o presidente, terá preços bastante acessíveis.
  • Um espaço de exposição e de interação do Técnico com a cidade, que terá uma programação anual, onde serão apresentadas as iniciativas e as inovações dos 23 centros de investigação, 32 núcleos de alunos das mais diversas áreas e dos parceiros do IST.

Por fim, haverá ainda um quarto espaço: um Posto de Socorro Avançado (PSA), à disposição dos Bombeiros Sapadores, que substitui o atual quartel na Avenida Defensores de Chaves, “uma contribuição do Técnico para a cidade”.

O espaço interior. Foto: IST

Finalmente, depois de avanços e recuos

O projeto, que fora anunciado a 6 de abril de 2015, numa cerimónia realizada no Técnico com a presença de António Costa ainda como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, resultava de um acordo de princípio entre a autarquia e o IST para a cedência do espaço.

Os motivos pelos quais o arranque da empreitada demorou praticamente uma década deveram-se essencialmente ao facto de este se tratar de um projeto “da casa”, que implicou grandes esforços por parte dos professores do IST para o desenvolvimento do conceito no papel, bem como às dificuldades burocráticas do licenciamento.

Para além disso, há três anos, num primeiro arranque, nenhum empreiteiro concorreu ao projeto e, quando se tentou recuperar o concurso, eclodiu a calamidade bem conhecida de todos nós, a covid-19.

O velho Arco do Cego, com os elétricos ainda. Foto: Arquivo Municipal

Porém, finalmente coloca-se a primeira pedra, aquela que cimenta um projeto pioneiro, muito sonhado por professores e investigadores. Prevê-se que o centro esteja pronto no primeiro semestre de 2023.

Agora, é só pôr mãos à obra.


Ana da Cunha

Nasceu no Porto, há 24 anos, mas desde 2019 que faz do Alfa Pendular a sua casa. Em Lisboa, descobriu o amor às histórias, ouvindo-as e contando-as na Avenida de Berna.

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1 Comentário

  1. Uma iniciativa muito interessante. É fundamental que a investigação se abra à sociedade.

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