Contrariando as sondagens divulgadas antes do dia das eleições, Carlos Moedas, da coligação Novos Tempos (PSD, CDS-PP, PPM, MPT e Aliança), foi eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ganha uma batalha que acabou por ser renhida com o principal adversário e agora ex-presidente Fernando Medina, o candidato pela coligação Mais Lisboa (PS e Livre) que chegou a ser dado como tendo maioria absoluta em algumas das sondagens da pré-campanha.

“Ganhámos contra tudo e contra todos”, demarcou Moedas no discurso da vitória, numa toada que já tinha sido a sua, até na entrevista que deu à Mensagem.

Carlos Moedas enfrentará um executivo difícil com sete vereadores contra sete vereadores do Mais Lisboa, mais dois do PCP e um do Bloco de Esquerda. Ou seja além de governar em minoria tem uma maioria de esquerda na Câmara – e nenhuma coligação natural.

O PCP mantém os dois vereadores, com a boa performance de João Ferreira a garantir 10,52% dos votos. O BE também elegeu Beatriz Gomes Dias com 6,21%

Dos vereadores eleitos no Mais Lisboa há Paula Marques e João Paulo Saraiva dos Cidadãos por Lisboa e Rui Tavares do Livre. Além de Medina foram eleitos Inês Lobo, Inês Ucha e Miguel Gaspar. Moedas elege Filipe Anacoreta Correia, Joana Almeida, Filipa Roseta, Diogo Moura, Angelo Pereira e Laurinda Alves.

Fernando Medina assumiu derrota e endereçou “felicitações indiscutíveis” a Carlos Moedas. “Perdi as eleições”, disse.

Juntas de Freguesia: as mudanças

A coligação Novos Tempos conseguiu ainda virar várias Juntas de Freguesias em Lisboa, a saber Alvalade, Avenidas Novas, Lumiar, Parque das Nações, Arroios, São Domingos de Benfica – já tinha Estrela, Santo António, Belém e Areeiro.

Campo de Ourique foi ganho pelo PS por 25 votos.

Assembleia Municipal dividida

Na Assembleia Municipal, o PSD ficou à frente por 886 votos, com 17 deputados, elegendo o PS outros 17. O PCP elegeu 6, o BE elegeu 4, a IL, 3 e o Chega, 3.

Com uma abstenção recorde de 49%, votaram 242.692 dos 476.750 inscritos. Houve 4.814 votos em branco e a diferença entre os dois candidatos foi de 2299 votos para Moedas.

O programa de Moedas

Reveja algumas das principais propostas da coligação Novos Tempos para este mandato:

  • Atualizar levantamento de edifícios públicos para conversão em habitação;
  • Construir habitação em terrenos municipais e promover a reabilitação de imóveis privados de habitação devolutos;
  • Isenção de IMT para jovens;
  • Transportes públicos gratuitos para menores de 18, maiores de 65, estudantes universitários e desempregados;
  • Tornar grátis o estacionamento de residentes nos primeiros 20 minutos e aplicar desconto de 50% nos restantes períodos;
  • Promover uma rede de transportes fluviais coletivos e individuais na frente ribeirinha, incluindo táxis;
  • Eliminar a circulação de comboios à superfície entre Algés e Cais do Sodré;
  • Eliminar a ciclovia da Avenida Almirante Reis e redesenho da rede ciclável de Lisboa;
  • Criação de uma Assembleia de Cidadãos gerida por uma equipa “especializada, imparcial e independente dos partidos”;
  • Criar Repúblicas Séniores, residências de habitação partilhada para idosos autónomos, disponibilizadas pelo município e geridas em cooperação com entidades sem fins lucrativos.

Leia aqui a entrevista ao novo presidente da Câmara de Lisboa:

Em atualização

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4 Comentários

  1. Só deixar de ouvir que Lisboa tem “Câmara SOCIALISTA “ valeu a pena……
    Parabéns à cidade e a CARLOS MOEDAS .

  2. Começa mal, este novo edil de Lisboa. Muito mal. Com pretensões irrealistas, tais como enterrar a Linha de Cascais entre o Cais do Sodré e Algés. Talvez o Engenheiro Carlos Moedas não tenha muito bem a noção do que custa fazer um túnel urbano de 9 Km em terrenos aluvionares saturados de água. Eu dou-lhe uma ajuda: transpondo o custo unitário de um Km da extensão da Linha Amarela, do Rato à Estrela e ao Cais do Sodré, são 9×150 Milhões de Euros, ou seja 1350 Milhões de Euros. Claro, claro, podemos considerar que os Benefícios de oferecer aos Lisboetas um “contacto direto com o Tejo” suplantam os Custos de qualquer verba que se aplique em tamanha e caprichosa extravagância. O Engenheiro Carlos Moedas vê na Linha de Cascais “um estorvo” para Lisboa, apesar da mesma evitar a entrada de 30 Milhões de automóveis na capital todos os anos. A linha de comboio “é uma chatice para Lisboa, porque corta o acesso direto ao Rio Tejo”. Se assim é, pergunto eu: E AS SEIS FAIXAS DE RODAGEM DA AVENIDA DA ÍNDIA A QUE SE SOMAM MAIS DUAS DA AVENIDA DE BRASÍLIA, CHEIAS DE AUTOMOVEIS??? ISSO “JÁ NÃO PRIVA OS LISBOETAS DO ACESSO AO TEJO”??? Ou será que o Engenheiro Carlos Moedas pretende também construir um túnel paralelo ao do Caminho de Ferro, no qual se coloquem as oito faixas de rodagem existentes na Frente Ribeirinha Ocidental? O Engenheiro Carlos Moedas necessitava de votos das “Tias” e das “Super-Tias” para ganhar, daí tudo valer, até a mais estapafúrdia das ideias. As “Tias” não andam de Transporte Público. E o novo Presidente da Câmara de Lisboa, anda?

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