Olá, vizinho/a!

Os Santos Populares já chegaram a Lisboa! É tempo das sardinhas, das bifanas e dos bailaricos! É tempo de festa, de arraial! E já o habituámos a estar presentes neles, aproveitar este momento para nos vermos cara a cara, dançar juntos em arraiais como o da Mouraria, no Largo da Rosa.

Por termos integrado parte as festas mais bonitas de Lisboa, sabíamos que ainda faltava fazer muito para que fossem, de facto, acessíveis a todos. Entrar num recinto, de cadeira de rodas, ouvir as músicas, ter acesso aos menus escritos… tudo isso pode ser um processo doloroso para quem tem algumas das suas capacidades (motoras, visuais e auditivas) reduzidas.

Por isso, este ano, entrámos nesta missão de tentar fazer um arraial mais acessível.

O mote partiu de reuniões com a Representação da Comissão Europeia em Portugal e teve a ajuda da Associação Salvador e da Junta de Freguesia de Alvalade: tornar um arraial de Lisboa mais inclusivo para quem tem mobilidade reduzida e até para quem não vê e quem não ouve.

De 12 a 16 de junho os portões do Complexo Desportivo Municipal São João de Brito, na Avenida do Brasil, abrem-se para mais uma edição do Arraial de Alvalade, onde estaremos com esta edição do mais inclusivo dos arraiais em Lisboa. Com apoio também da Paladin.

A nossa parte neste arraial estará sempre presente, nas acessibilidades, mas os momentos altos serão o concerto de Toy com intérprete de Língua Gestual Portuguesa, no dia 13 de junho, às 22h – o músico acedeu a participar, com toda a sua solidariedade, que agradecemos -, a conversa “Cidade para Todos”, no dia 14, às 17h… e até uma prova de obstáculos em cadeira de rodas, também neste dia.

Imagem de um cartaz desenhado por Nuno Saraiva com vários desenhos de pessoas com deficências ou limitações nos Santos Populares. Cadeiras de rodas e pessoas com muletas, pesssoas cegas e uma grávida.

O que esperar?

Mas há aqui uma história. É que conseguimos um Arraial “mais inclusivo”, mas não “totalmente”. Descobrimos, neste processo, o que tantas vezes ignoramos: que os desafios para a acessibilidade total são grandes e esta é uma conversa que temos de (e vamos!) fazer acontecer nesta cidade.

O que vai, então, ser diferente neste Arraial?

Para Mobilidade Reduzida

  • O recinto tem duas entradas, uma pela Avenida do Brasil e outra pela Estrada da Portela. A primeira não é acessível a pessoas com cadeira de rodas, visto que tem um degrau e o passeio não tem largura suficiente para colocar uma rampa em segurança. A entrada acessível é então pela Estrada da Portela.
  • Há estacionamento junto à entrada pela Estrada da Portela, contudo, há poucas passadeiras que liguem o estacionamento ao recinto. Tentámos garantir lugares reservados para pessoas com mobilidade reduzida junto à entrada do recinto.
  • Caminhos mais acessíveis. A maioria do espaço é em alcatrão, contudo, há zonas com gravilha. Prensámos a gravilha nessas zonas e criámos um percurso com alcatifa de pelo curto para aceder à zona de comércio, artesanato e alimentação.
  • Food Trucks e Balcões de bebidas: Voluntários do Clube de Rugby São Miguel ajudam no transporte da comida até às mesas e apoiam na escolha de quem não vê. Tanto estes voluntários como os funcionários das Food Trucks vão receber uma formação sobre acessibilidade e inclusão, pela Associação Salvador.
  • Não foi possível rebaixar os balcões, já existentes, das bebidas.
  • Uma casa de banho adaptada, junto à entrada da Estrada da Portela.
  • Zona junto ao palco reservada a pessoas com mobilidade reduzida.

Para Deficiência Visual

  • Menus com código QR acessíveis no telemóvel.
  • Obstáculos na estrada alcatroada, junto à entrada pela Estrada da Portela, vão estar sinalizados com pinos.

Para Deficiência Auditiva

  • O concerto de Toy com intérprete de Língua Gestual Portuguesa, no dia 13 de junho às 22h.
  • Também poderão ter acesso à zona reservada junto ao palco para terem melhor visibilidade da intérprete.

Na sexta-feira, dia 14, há então uma conversa sobre a cidade que queremos e a cidade de que precisamos – e como chegar a ela:

Na semana que vem vamos explicar melhor o caminho que percorremos para chegar aqui. Foram muitos e-mails, um vai e vem de chamadas (34 numa só tarde, para dar um exemplo), muitos “não’s” e tantos outros “sim’s”. Enfim, conseguimos um arraial mais inclusivo, mas admitimos a margem para o erro. É a primeira vez.

“Na construção de uma União de igualdade, é crucial garantir a plena participação de todas as pessoas em condições e oportunidades iguais. Incluindo nos Santos Populares, um momento especial de celebração, onde o país se enche de vida, cores e tradições. É com grande entusiasmo que nos unimos ao primeiro arraial inclusivo de Lisboa, um evento que pretende sensibilizar para estas questões, contribuir para criar um espaço acessível e promover o diálogo sobre a importância da diversidade. É essencial garantir acessos equitativos e justos em todas as áreas, removendo os obstáculos que persistem. Só assim conseguiremos assegurar uma vida em sociedade sem barreiras, com dignidade, num ambiente inclusivo onde a diversidade é valorizada.”
Sofia Moreira de Sousa, Representante da Comissão Europeia em Portugal

Vemo-nos lá?

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