Susana Cecílio em cena: mulheres palhaças lutam por mais espaço no cenário clown. Foto: Beth Freitas

Seja numa sala de espetáculos ou na rua, o clown é a arte de criar sorrisos. Exemplo disso são os festivais Gargalhadas na Lua, que ocorreu em setembro, em Carnide, e o Tem Graça, que decorreu entre 3 e 6 de outubro, no Teatro Ibérico, na Graça. Estas mostras procuram levar o que há de melhor na arte protagonizada por mulheres palhaças em Lisboa.

Eva Ribeiro, de 39 anos, tira o nariz vermelho e apresenta-se como organizadora e produtora do festival Gargalhadas na Lua. A artista de clown explica como esta mostra pretende criar uma oportunidade de exploração artística dentro da arte. “O objetivo é possibilitar um espaço de apresentação para o palhaço num sentido de criação.”

Poliana Tuchia e Susana Cecílio Mulher em ação no festival Gargalhadas na Lua, realizado em Carnide. Foto: Letícia Diniz.

Porém, o seu propósito não se fica por aí, tal como refere Eva Ribeiro, há também um esforço ativo em criar espaço dedicado às mulheres palhaças, que até aos dias de hoje têm “muito pouco protagonismo”. 

É também nestes moldes que surge o festival Internacional de Mulheres Palhaças, o Tem Graça, organizado por outra mulher palhaça, Susana Cecílio. A produtora do Tem Graça referência o palco como “um lugar de poder” onde a representatividade feminina no clown é menor. 

“Nós temos tentado fazer a diferença. Tentamos criar condições para, por exemplo, uma recém-mãe ou uma mulher grávida possa estar num espetáculo ou num festival.” 

Silvia Leblon, Enne Marx, Adelvane Néia, Merche Ochoa e Susana Cecílio em debate: maior representação feminina no palco. Foto: Susana Chicó/Gargalhadas na Lua.

Através do clown estas artistas exploram não só a sua criatividade artística mas também a sua experiência pessoal enquanto mulheres numa arte dedicada às gargalhadas.

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Mariana Vital

Alfacinha de gema, criada no elétrico 28, foi nas ruas onde cresceu e através das pessoas que a cidade lhe foi dando a conhecer que descobriu a paixão por contar histórias. É através da palavra – lida, escrita, falada ou cantada – que chega, por esses carris fora, à sua paragem. Está a estagiar na Mensagem de Lisboa.

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