“Sabiam que há três línguas oficiais em Portugal?” Tem que ser o inglês, “porque é o que aprendemos na escola”, ouve-se na sala de aula. “Alentejano?”, atiram alguns alunos do 3.º e 4.º anos da Escola Básica Teixeira de Pascoais, em Alvalade. “Mirandês? O que é isso?” Uma língua antiga, é verdade. “E Língua Gestual? Isso conta?” Conta, sim. Depois, há muitas outras por cá, as não oficiais, mas que fazem parte da nossa longa História de ligação com outros países, como a língua cabo verdiana, o crioulo. Sobre isto, Ana Josefa Cardoso, professora, sabe tudo. Até contar os “Três Porquinhos” nesta língua que vem da terra onde nasceu, Cabo Verde. Ou melhor: os “Tres Porkinhu”.

“O lhe vira dje!”, descobre a pequena Mariana, ao ouvir esta história, assim, pela primeira vez. Afinal, não somos tão diferentes como podemos pensar. Mariana é uma entre os 80 pequenos repórteres do projeto “Também moro aqui! Mini-repórteres do bairro“, que estão a mapear histórias, problemas e soluções em Alvalade e Lisboa. Alunos da Escola Básica Teixeira de Pascoais, nos 3.º e 4.º anos, membros desta iniciativa em parceria com a Associação de Pais da escola, no âmbito da AEC (Atividade de Enriquecimento Curricular) Clube de Jornalismo.

Uma dessas histórias é a de Ana Josefa, há 50 anos em Portugal, tantas décadas como professora de português, francês e crioulo. Uma história que é também de inclusão: a professora que estes repórteres entrevistaram ajuda a implementar o ensino bilingue “na última escola do ranking”, no Agrupamento de Escolas Baixa da Banheira, Vale da Amoreira, Moita.

“Não é fácil aprender a ler e a escrever numa língua que não conhecemos”, a professora lembra o simples.

A clareza sobre as fragilidades no ensino e as necessidades dos milhares de alunos que chegam vindos dos PALOP valeu-lhe a condecoração, em 2015, pelo Presidente da República de Cabo Verde, o seu país de origem.

Todas as crianças aqui representadas têm autorização dos responsáveis legais para partilha de imagem e/ou voz nas plataformas da Mensagem de Lisboa. O trabalho como repórteres foi devidamente acompanhado por jornalistas.


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