Vivemos num país onde os direitos humanos são, por vezes, dados como garantidos – no entanto, na prática, isto não acontece como o esperamos. Por detrás de muitos dos avanços sociais e da resposta a problemas estruturais, estão organizações da sociedade civil que raramente chegam às manchetes, mas que todos os dias mudam vidas. São estas associações que, longe dos holofotes, estão na linha da frente na defesa da dignidade, da igualdade e da cidadania.

Apesar do seu papel vital, a realidade é clara: existe uma profunda desinformação em
Portugal sobre quem são estas organizações, o que fazem, como atuam e que impacto têm.
Muitas pessoas desconhecem que há associações que influenciam políticas públicas,
trabalhando a par com comunidades muitas vezes esquecidas ou ignoradas. O desconhecimento destas associações é muitas vezes fruto de falhas de comunicação, ou de
desinteresse geral por parte da população que não vive estes temas na pele.

Foi neste contexto que surgiu o projeto Megafone Social, promovido pela associação CLIP – Recursos e Desenvolvimento, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em parceria com a Universidade Católica Portuguesa. O projeto nasceu com um objetivo claro: dar visibilidade ao trabalho de quem faz da defesa dos direitos humanos a sua missão.

Não se trata de um projeto só sobre comunicação institucional, mas sim de demonstrar e fazer reconhecer os profissionais que trabalham nestas associações e o seu papel na defesa dos direitos humanos e na promoção da cidadania ativa. Quando as associações não comunicam – ou quando não têm meios para o fazer correm o risco de se tornar invisíveis. E quando são invisíveis, o seu trabalho pode perder força, apoio e proteção.

Ao longo do projeto, foram produzidos podcasts, vídeos, conteúdos para redes sociais e
participações na rádio face à urgência de dar palco a estas vozes. Falámos com pessoas e
organizações que assumem um papel fundamental na defesa dos direitos humanos e na
promoção da cidadania ativa, como o CPR – Conselho Português para os Refugiados, o
GAT – Grupo de Ativistas em Tratamento, o SOS Racismo, a Casa do Brasil, a UMAR, a
Associação Casa Qui, a Associação 55+, a Fundação LIGA, a Associação Life Shaker. Associações que todos os dias fazem por garantir aquilo que muitas vezes tomamos por
adquirido: o direito a viver com dignidade.

No podcast, ouvimos o Nuno Varela, da associação Rimas ao Minuto, que usa a cultura e a
música como ferramentas de intervenção social. Falámos com o Eupremio Scarpa, da ADR
Relâmpago
, que defende o desporto para todos. Conversámos com Jorge Pina, que
também transforma vidas através do desporto. Com Joana Simões Piedade, especialista
em direitos humanos, refletimos sobre o trabalho de sensibilização junto dos mais jovens.
Afonso Borga, da Auchan, trouxe-nos o olhar das empresas sobre a responsabilidade social
e o seu papel nesta temática. A Catarina Carvalho, diretora da Mensagem de Lisboa,
abordou o papel do jornalismo como agente cívico e transformador na sociedade.

Estas conversas revelaram uma verdade comum: as associações são essenciais, mas
continuam sem grande visibilidade para grande parte da população. Sem reconhecimento
público, o trabalho destas organizações torna-se mais difícil e é por isso que comunicar não
é um acessório, é uma necessidade urgente e estratégica.

O Megafone Social é o nosso contributo para contrariar esta adversidade, mas a tarefa é
maior. Exige políticas públicas que valorizem estas entidades, exige meios para comunicar
e exige uma sociedade que as ouça. Porque quando damos voz às associações, não
estamos apenas a amplificar o seu trabalho, estamos a fortalecer a própria democracia.

Diogo Ladeira

Associação CLIP – Recursos e Desenvolvimento


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