O ponto de encontro era para ser em Alvalade, onde Luca Argel vive, há pouco mais de dois anos, depois de uma década no Porto. Compromissos de última hora levaram à mudança de planos e ao encontro na General Roçadas. Ali perto, qual é o melhor lugar para nos sentarmos à conversa? O jardim da Paiva Couceiro, claro. Só nos faltou o baralho de cartas.

Luca Argel parece ser como a música que faz, doçura e dureza, sem papas na língua nem meias medidas. Chegou a Portugal há 12 anos, fez o mestrado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com uma tese sobre Vinicius de Moraes, monstro sagrado bossa-nova e da música e poesia brasileiras, chamada “Meigo Energúmeno. Uma leitura feminista da poesia de Vinicius de Moraes“, que lhe valeu 20 valores.

Viveu no Porto dez anos, fez-se ele próprio compositor e cantor, criou uma roda de samba – Samba Sem Fronteiras -, lançou seis álbuns, escreveu poesia, criou parcerias, uma delas com A Garota Não, com Países que Ninguém Invade, que não está no Visita, mas que Luca Argel cantou a 7 de novembro no auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, onde apresentou o novo álbum, e há dois anos mudou-se para Lisboa, cidade que tem para ele ainda muito por explorar e “está sendo bom esticar esse tempo de descoberta, que é gostoso”.

Gostosa também esta conversa com Luca Argel, que começou por Lisboa e foi por aí fora.

Vídeo: Inês Leote

Nasceste e cresceste no Rio de Janeiro. Quando vieste para Portugal, em 2012, foi de visita ou já era para ficar?

Não, eu vim para estudar. Vim fazer o meu mestrado na Universidade de Aveiro, que larguei logo no início e troquei pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP). Vivi no Porto até 2022. Na verdade, estou há pouco tempo em Lisboa.

O que te fez mudar para Lisboa?

Não foi um motivo só, mas a razão mais forte foi o meu afilhado, queria estar mais próximo e acompanhar o crescimento dele. Profissionalmente também fazia muito sentido porque, nos dez anos que vivi no Porto, fiz muita coisa, explorei muito a cidade, passei por quase todos os espaços que tinha de música lá, e então precisava de novos ares, de novos ambientes para explorar, de conhecer novas pessoas.

Lisboa é mais parecida com o Rio de Janeiro, como cidade?

Depende. Ah, sim, visualmente com certeza. Visualmente tem lugares em Lisboa que lembram bastante algumas partes do Rio, mas o lisboeta é muito diferente do carioca.

Porquê? O que é que o lisboeta tem (ou não tem)?

As pessoas têm uma ideia um pouco romantizada do Rio, de ser uma cidade muito simpática, sabe? Não é. Parece, porque tem uma natureza muito bonita, tem aquela propaganda toda das praias, dos cartões-postais e tal, mas a verdade é que o Rio é uma cidade agressiva, violenta, hostil. Sempre foi, historicamente. E o carioca tem um jeito de estar que não sendo antipático, é agressivo, expansivo, pautado por uma certa aspereza. Estou falando do carioca no seu habitat natural, no seu comportamento real, não o carioca arrumadinho para os turistas. O lisboeta não tem isso, é mais discreto, fala mais baixo, é mais reservado.

Nestes dois anos em Lisboa o que te despertou mais a atenção e o olhar de poeta e de músico?

Ainda tenho muito por explorar em Lisboa, a cidade ainda tem muito gosto de novidade, tem sítios aonde eu ainda estou indo pela primeira vez e conhecendo e está sendo bom esticar esse tempo de descoberta, que é gostoso. Eu cheguei no Porto com 24 anos e em Lisboa com 34. Então, a minha vida já está num outro ritmo agora, não estou tanto na rua quanto estava antes. Mas Lisboa tem muita coisa que me agrada.

Primeiro, o clima, que está sempre um pouquinho mais quente, um pouquinho mais luminoso, e eu acho isso muito bonito. Tem aquela coisa, que é super cliché, mas é verdade (eu antes de vir para Lisboa, achava que era mito, daquelas coisas muito bairristas, ?), da luz de Lisboa. É mesmo única, não sei qual é a explicação física, mas é verdade que tem uma luz diferente por algum motivo.

Luca Argel Penha de França Intervencao Musica Cantor Brasileiro
O músico Luca Argel vive em Lisboa há dois anos. Foto: Inês Leote

Toda a gente (de fora de Lisboa) diz isso da luz, por isso deve ser mesmo verdade.

É. E também é uma cidade com uma dinâmica cultural que me agrada muito. Não sei ainda exatamente em que ponto da curva está, ouço muitas pessoas falando que está muito pior, que tem muita coisa desaparecendo, mas acho que isso é generalizado, está acontecendo em todas as grandes cidades do mundo.

Por enquanto, Lisboa conserva uma variedade de oferta cultural de que eu gosto muito: mais de um cinema alternativo para ir, uma oferta boa de teatro, de concertos, salas de concerto de dimensão média, o que é cada vez mais difícil de encontrar.

E aqui em Lisboa tem outra coisa interessante, que me agrada muito e que eu não lembrei ao falar na comparação com o Rio de Janeiro, que é a presença negra africana em Lisboa, é muito marcante essa diversidade aqui.

“Não sei explicar porquê, mas fui recebido no meio cultural português como um igual

Uma diversidade que te surpreendeu porque não era tão marcante no Porto?

É. Há muito mais imigração aqui em Lisboa, pessoas de muitos lugares diferentes do mundo. Isso se reflete ainda pouco na vida cultural da cidade, estas pessoas são muito tratadas simplesmente como força de trabalho e acabam ficando um pouco alijadas de uma contribuição cultural mais rica que poderia estar sendo valorizada, mas isso aí já é uma outra conversa.

Só a presença, só de sair na rua e cruzar com essas pessoas, no metro, ver os comércios locais, a restauração local, com essa diversidade, é muito rico. E foi só quando eu vim para Lisboa que percebi o quanto tinha estado privado dessa convivência.

Enquanto imigrante, alguma vez sentiste, desde que estás em Portugal, a tua condição de imigrante?

Muito pouco, sinceramente. A minha história como imigrante é um pouco diferente da maioria… acho que ela não é um bom exemplo.

Ou é um bom exemplo. Não deviam ser todas assim?

Sim, seria ótimo se fossem todas assim, porque eu, por algum motivo que ainda estou tentando entender, consegui me integrar muito bem tanto no Porto quanto em Lisboa. Em Lisboa eu já chego numa condição de imigrante bastante mais confortável, porque já tenho a minha nacionalidade resolvida, já sou cidadão português, já voto, tenho cartão de cidadão e tudo, e também já chego com uma situação profissional bem mais estável do que quando eu cheguei no Porto.

Mas tanto no Porto como em Lisboa foste bem recebido.

Sim e não sei nem muito bem explicar porquê, mas fui recebido dentro do meio cultural português como, ou quase como, um igual. Ainda sou um pouco exótico, mas não sou exatamente um estrangeiro. E isso fez parte de todo o meu percurso profissional, entre a música portuguesa e a brasileira.

Um bom exemplo disso, e curioso ao mesmo tempo, foi quando lancei o Samba de Guerrilha, em 2021. Nas listas que fazem dos álbuns do ano, o álbum tanto saiu em listas de álbuns nacionais como de internacionais. É um pouco confuso, mas é uma confusão boa, porque eu nasci e cresci fora de Portugal, mas artisticamente dá para dizer que nasci aqui. O meu percurso artístico, os discos que lancei, já lancei cá, não no Brasil.

Já és de cá, não és uma visita. Que significado tem este teu novo álbum Visita, que apresentaste recentemente num concerto no auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, no ciclo “Liberdade na Nova”, inserido nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril?

É um compasso de espera, para respirar. Fui buscar temas de álbuns anteriores, mas também músicas que não entraram em nenhum dos álbuns, mas já tinham sido lançadas em contextos diferentes, e criei uma porta de entrada para pessoas que estão me conhecendo agora, porque tem sempre pessoas novas chegando.

YouTube video

E o que vão encontrar?

O meu percurso, o meu crescimento artístico, sempre foi muito gradual, tijolo por tijolo, tudo muito lento. Já tenho seis álbuns, o Visita é o sexto já (começo a perder a conta), e para quem está me conhecendo pela primeira vez este é um ótimo álbum de entrada. É uma espécie de menu de degustação de todo o meu repertório, com a minha voz e o piano de Pri Azevedo, que é a autora do conceito e estética musical do projeto. Os arranjos para piano e toda a roupagem do projeto, tudo isso tem a mão da Pri Azevedo.

Pri Azevedo e Luca Argel | Foto de Vera Marmelo
Pri Azevedo é autora dos arranjos do novo álbum “Visita”, de Luca Argel | Foto de Vera Marmelo

“Em todas as manifestações, tenho de cantar Gentrificasamba. Toda a cidade se identifica

Um dos grandes problemas de Lisboa, e sabes isso porque já participaste em várias manifestações, é a habitação. Como foi encontrar casa aqui?

Foi difícil. Acho que é difícil para qualquer pessoa, exceto os milionários. Não sendo milionário, é quase impossível. Eu fiquei mais de um ano fazendo pesquisas e com os alertas ligados para arrendar ou comprar e não consegui encontrar nada minimamente acessível. Só consegui me mudar porque tive a sorte de ter indicação de uma amiga que tinha uma amiga que estava a arrendar um apartamento pequeno, mas só arrendava por indicação, não é uma casa que estivesse no mercado. Foi uma sorte.        

YouTube video

A habitação é uma das causas que te tem mobilizado. A tua música é muito de intervenção?

Esse é um lado do meu trabalho que tem chamado a atenção e começo a ser reconhecido como músico de intervenção também, sim. Tenho uma música específica que fala sobre a gentrificação, mas que eu fiz pensando no Porto, nem vivia em Lisboa ainda.

E tem uma história.

É. Tinha um grupo de arquitetos lá que fazia uns passeios turísticos pela cidade, chamados The Worst Tours, que levavam as pessoas por percursos turísticos diferentes do mainstream, para conhecer a cidade real. Um dos passeios que faziam era o da gentrificação – passavam por zonas da cidade que tinham sido completamente alteradas, lugares que desapareceram, e contavam a história por esse prisma.

Tinham como base um quiosque da Câmara Municipal Porto [no Jardim de São Lázaro] que tinha estado abandonado durante anos e que eles arrendaram e revitalizaram e a certa altura o município resolveu despejá-los e aí, quando eu soube que eles iam ser despejados, escrevi essa música e gravei no quiosque o clipe do Gentrificasamba, com o Samba Sem Fronteiras, a roda de samba que eu ajudei a fundar lá no Porto. Eles foram despejados, mas o momento ficou eternizado naquele videoclipe.

O Gentrificasamba podia perfeitamente ser sobre Lisboa, não é?

É. Aliás, o Gentrificasamba já foi usado muitas vezes, em campanhas e manifes, sobre essa questão da habitação. Sempre que tem uma manif em que eu vou tocar, essa música tem que estar no alinhamento. Qualquer cidade que eu toque essa música se identifica, porque essa questão da habitação é um problema global, de uma fase da nossa experiência social e económica num mundo dominado por um capitalismo completamente desregulado, desenfreado, que tem consequências em todos os lugares que eu conheço.

Lisboa, Porto, Rio de Janeiro, São Paulo, em todas as cidades com que tenho intimidade vejo as pessoas se queixando dos mesmos problemas, mas de entre as cidades que eu conheço, talvez Lisboa seja onde isso acontece de uma forma mais aguda e surreal, absolutamente surreal.

Porquê?

A parte mais surreal é a habitação, mas depois descamba para todos os outros bens essenciais, que não deviam ser considerados bens de consumo, mas sim direitos. E fico um pouco chocado. Há dois meses fui passar uns dias a Amsterdão e fui a um supermercado no centro da cidade e os preços eram mais baratos do que em Lisboa e eu fiquei furioso e chocado. Como isso é possível? Não tem uma lógica económica que justifique isso, os salários cá são muito mais baixos, é simplesmente uma crueldade que se permita isso.

Luca Argel Penha de França Intervencao Musica Cantor Brasileiro
Foto: Inês Leote

“Tenho inveja do vosso 25 de Abril, porque o Brasil não teve um

Este ano comemoram-se os 50 anos do 25 de Abril. Participaste na manifestação aqui em Lisboa, desceste a Avenida da Liberdade. Costumas dizer que Portugal terá sempre o 25 de Abril, ao contrário do Brasil. Parece-te antídoto suficiente?

Não, não é suficiente, infelizmente. Mas eu nem penso muito como um antídoto. Eu acho que é uma trincheira, uma barricada. O que eu costumo falar sobre o 25 de Abril, há muitos anos, é como sinto inveja, enquanto brasileiro, de um 25 de Abril. Porque no Brasil a gente não tem um 25 de abril. A gente tem a nossa ditadura também, fascista, mas não tem uma data em que se comemora o fim dessa ditadura, que terminou de uma forma muito vergonhosa e muito benevolente para com os seus criminosos.

Então, aqui em Portugal, o 25 de abril é um legado muito difícil de ser atacado diretamente pela extrema-direita, porque é uma data popular, com a sua própria mitologia, os seus símbolos e a população tem uma relação afetiva com essa data, que Portugal abraçou de uma forma que a tornou um pouco parte da identidade do país. Então, atacar os valores de Abril é atacar a identidade de uma grande parte da população portuguesa.

Achas mesmo?

Esse bloqueio está sendo testado, está sendo posto à prova, e a gente, a cada eleição, vai vendo qual que é o teto a que pode chegar um discurso anti-25 de Abril. Ainda não é certo qual é esse teto, ainda não é certo que seja possível um regime autoritário e de extrema-direita se tornar uma força maioritária em Portugal.

Eu tendo a ser otimista com relação a isso, acho que não, mas a verdade é que a democracia conquistada também não tem impedido estes problemas de que temos estado a falar. As conquistas do 25 de Abril vêm sendo sucateadas dentro do regime democrático e isso é um sinal vermelho piscando, porque, às tantas, as pessoas vão se cansar de defender essa democracia que não cuida delas. E aí, talvez, já não haja 25 de Abril que dê conta.

Que resista.

É, que resista. Por enquanto, vai resistindo. E tenho certeza de que se não houvesse o 25 de Abril como referencial, certamente Portugal estaria num buraco bem mais escuro do que está hoje.

YouTube video

Um dos temas que cantaste no concerto de apresentação do álbum Visita, no auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, foi o Gémeos (que não entra no alinhamento do Visita). Na canção há um que é mais de começar um motim e outro que é de limpar o convés. O que é que te faria começar um motim?

Tudo isto de que estamos falando são motivos de sobra para começar um motim, sendo a questão da habitação talvez a mais grave. Não sei como é que esse caldo ainda não entornou de uma forma mais séria, porque a situação é insustentável.

Mas há outros motivos. Eu estive há pouco tempo na manifestação por justiça para o Odair Moniz e foi das coisas mais impactantes que vi nos últimos tempos. A população negra de Lisboa na linha de frente da manifestação, sendo protagonista da mensagem e da forma de a transmitir. Foi uma manifestação tranquila, entre aspas, porque ninguém estava ali tranquilo, mas foi uma manifestação pacífica, sem incidentes. Mas eu não sou um pacifista.

Como não és?

Nenhum dos direitos fundamentais que a gente tem hoje, direitos humanos, direitos de trabalho, direito ao respeito e à não discriminação, foram conquistados de forma 100% pacífica. A escravatura não terminou de forma 100% pacífica, as tiranias, os regimes violentos, as ditaduras não caíram de forma pacífica. O 25 de abril não foi um movimento pacífico, de todo. Então, o caminho 100% pacífico é uma ilusão. Enfim, isto para dizer que existem motivos de sobra para a revolta: a habitação, o custo de vida, o racismo, a violência policial. E isso são só coisas que já estão muito efervescentes em Lisboa hoje.

Também há coisas efervescentes em Lisboa que são positivas tem sido inspiração para músicos e poetas. Das músicas que existem sobre Lisboa, qual é que gostarias de ter escrito?

Esse é o tipo de pergunta que precisava de uma semana para responder. Nossa, que difícil! Não sei, mas eu ainda vou escrever uma, que foi uma ideia de um parceiro que vive aqui perto, o João Douglas, que é um imigrante brasileiro, músico também, que há um tempo me veio com uma ideia de escrever uma música chamada Vinicius da Morais Soares. E eu ainda vou escrever essa música com ele.

Vinicius da Morais Soares [risos]. Muito bom. A tua tese de mestrado [20 valores] é sobre o Vinicius de Moraes, o machismo do Vinicius.

Eu achei essa ideia do João muito boa porque imaginei uma coisa de o Vinicius hoje em Lisboa vivendo aqui em Arroios. Ainda mais nessas últimas semanas que estão aparecendo essas denúncias de Me Too no jazz e que eu tenho a certeza que não é só no jazz, é na indústria musical, cultural e artística toda e ainda tem muito para ser desenterrado… Enfim, dá para misturar um pouco da lírica machista viniciana na realidade atual de Lisboa.

Vinícius da Morais Soares.

A música nem existe ainda, mas vai ser escrita. E eu, se nos próximos dias lembrar de uma música que fale sobre Lisboa que eu gostaria de ter escrito, te digo.

E disse, por sms.

Lembrei! Amor e Verdade, do Luís Severo.

YouTube video

Catarina Pires

É jornalista e mãe do João e da Rita. Nasceu há 50 anos, no Chiado, no Hospital Ordem Terceira, e considera uma injustiça que os pais a tenham arrancado daquele que, tem a certeza, é o seu território, para a criarem em Paço de Arcos, terra que, a bem da verdade, adora, sobretudo por causa do rio a chegar ao mar mesmo à porta de casa. Aos 30, a injustiça foi temporariamente corrigida – viveu no Bairro Alto –, mas a vida – e os preços das casas – levaram-na de novo, desta vez para a outra margem. De Almada, sempre uma nesga de Lisboa, o vértice central (se é que tal coisa existe) do seu triângulo afetivo-geográfico.

O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz une comunidades,
conta histórias que ninguém conta e muda vidas.
Dantes pagava-se com publicidade,
mas isso agora é terreno das grandes plataformas.
Se gosta do que fazemos e acha que é importante,
se quer fazer parte desta comunidade cada vez maior,
apoie-nos com a sua contribuição:

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *