Na Brasileira, temos viajado todos os meses ao passado, recordando os quadros que há 100 anos se expuseram neste mítico café do Chiado, tornando-o num verdadeiro museu da arte moderna. Evocámos a memória de Almada Negreiros, António Soares, Jorge Barradas, Bernardo Marques, Stuart Carvalhais, José Pacheko e Eduardo Viana. E honra de todos eles e do papel cultural deste café lisboeta foi lançado o Prémio de Pintura A Brasileira do Chiado.

Esta terça-feira, dia 19, foram anunciados os vencedores do prémio: os quadros de António Faria Costa, Catarina Mendes, Catarina Oliveira, Filipe Amaral, Isabella Fernandes, Margarida Costa, Martim Vilhena, Nelson Ferreira, Rui Braz e Sara Conde passarão a estar nas paredes da Brasileira enquanto a segunda vaga de obras (a que está atualmente na Brasileira, desde 1971) será alvo de restauro.

Veja os quadros premiados na galeria acima.

O anúncio foi feito no MUDE – Museu do Design, num evento que contou com a presença da diretora municipal da cultura, Laurentina Pereira, a vereadora da economia e inovação, Joana Oliveira Costa, o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, e a secretária de Estado da Cultura, Maria de Lurdes Craveiro.

Seguiu-se uma mini-tertúlia artística que contou com Paulo Almeida Fernandes, historiador de arte e coordenador do serviço de Investigação e Inventário do Museu de Lisboa, e Maria Aires Silveira, historiadora de arte e curadora no MNAC (Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado).

No âmbito desta celebração, Tiago Quaresma, do grupo Valor do Tempo, recordou Adriano Telles, fundador da Brasileira: “Estando nós num país que tem tanta dificuldade em criar marcas internacionais, é espantoso que há 119 anos Adriano Telles tenha compreendido de forma tão genial o impacto que a abertura de pontos de venda de café na Europa poderia ter na imagem internacional do café brasileiro.”

Sem o espírito empreendedor de Adriano Telles, a primeira vaga de quadros, que hoje completa os seus 100 anos, não teria sido possível. As obras geraram polémica no seio da sociedade lisboeta, sendo mesmo apelidados como “as telas tolas do Telles”. Isto porque, nas palavras de Tiago Quaresma, “quase tudo o que marca a história é primeiramente recebido com desconfiança e até com repúdio. Mas nem por isso Adriano Telles desistiu”.

Para Tiago Quaresma, estas obras são ainda “um dos maiores exemplos em Portugal de cruzamento entre Cultura e Economia, dois universos tantas vezes desencontrados mas que, quando se unem, obtêm resultados espantosos”.

Tiago Quaresma, administrador da Valor do Tempo. Foto: Valor do Tempo

Confira aqui a lista de vencedores:

BR02 – Sem título

Autor: António Faria Costa
Idade: 58 anos 

BR03 – Mapa de Histórias

Autor: Catarina Mendes
Idade: 31 anos

BR04 – À mesa com Pessoa(s)

Autor: Catarina Oliveira
Idade: 25 anos

BR09 – Invasão 2022
Autor: Filipe Amaral
Idade: 62 anos

BR13 – A Brasileira

Autor: Isabella Fernandes   
Idade: 45 anos

BR17 – Mira

Autor: Margarida Costa

Idade: 58 anos

BR18 – Mapa Mudo

Autor: Martim Vilhena
Idade: 22 anos

BR24 – Vestígio e simulacro de mim

Autor: Nelson Ferreira
Idade: 46 anos

BR32 – Dual

Autor: Rui Braz
Idade: 63 anos

BR35 – Intemporalidade das almas singulares

Autor: Sara Conde
Idade: 47 anos


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