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Descapotável pela ponte o cabelo a voar
O calor abrasador e a pressa de chegar
Óculos escuros da Ray-Ban e o contante a partir
A cassete dos Ramones para a gente curtir

Aqui vou eu para a costa
Aqui vou eu vou cheio de pica
De Lisboa vou fugir vou pró sol da Caparica

Na música dos Peste & Sida, a viagem para as praias da Costa da Caparica é simples. Um carro, a ponte, os cabelos a voar. Mas os lisboetas sabem que não é exatamente assim. Nem sempre os cabelos voam, sobretudo quando há trânsito nos acessos à Ponte 25 de Abril, e, para quem não tem carro, a “pressa de chegar” é muitas vezes frustrada pela realidade de uma rede de transportes públicos insuficiente.

A dificuldade em encontrar online as carreiras existentes e os seus horários é outro dos obstáculos a dificultar a viagem entre Lisboa e as praias da Costa da Caparica. Uma pesquisa pelo trajeto de transportes públicos recomendado a partir de Lisboa não traz quaisquer resultados a partir do serviço de mapas da Google. Para veraneantes incautos, é como se não houvesse forma de lá chegar. Mas há.

Detalhamos as formas de chegar sem viatura própria, por mar, por estrada e sobre carris.

De barco

O navio Almadense assegura o transporte fluvial entre Belém, Porto Brandão e Trafaria. Foto: Inês Leote

Não se chega até ao areal de barco, mas, em conjugação com o autocarro, esta pode ser uma das mais rápidas formas de se conseguir estender a toalha na Costa da Caparica. No final de julho, contudo, a operação do barco que parte de Belém para efetuar a ligação à Trafaria sofreu um revés pouco comum. Alegando “motivos técnicos”, a Transtejo Soflusa, empresa responsável pelo transporte fluvial entre as margens do Tejo, interrompeu a circulação nesta rota durante sete dias. A navegação acabou por ser reposta no passado dia 2 de agosto.

A partir do Cais do Sodré

Barco para Cacilhas (10 minutos de percurso)

As partidas, a partir do terminal fluvial do Cais do Sodré, são regulares durante a semana, com um mínimo de três por hora. Aos fins de semana e feriados, realizam-se cerca de três viagens por hora em cada sentido (consultar horário).

De Cacilhas para a Costa da Caparica

3011 – Cacilhas – Costa da Caparica (34 minutos)

Entre as 7 e as 19 horas, as saídas acontecem, aproximadamente, de hora a hora durante a semana. Aos fins de semana e feriados, o cenário é idêntico a partir de Cacilhas. Neste período, a partir da Costa da Caparica, há menos oferta – entre as 8 e as 20 horas realizam-se apenas oito percursos ao sábado e seis aos domingos.

Tempo total de viagem: 44 minutos


3012 – Cacilhas – Fonte da Telha (50 minutos)

Tempo total de viagem: 60 minutos


3507 – Cacilhas – Marisol – saída na paragem da Rua do Vale de Cavala (37 minutos)

Tempo total de viagem: 47 minutos

Os horários das várias carreiras de autocarros estão disponíveis no site da Carris Metropolitana.

A partir de Belém

Barco para Trafaria (25 minutos de percurso)

Nota: As partidas, cerca de uma por hora, realizam-se a partir da estação fluvial de Belém (consultar horário).

Uma vez na Trafaria, há que optar por apanhar um autocarro ou, ainda, fazer a deslocação para a praia a pé ou de bicicleta. Se levar uma bicicleta no barco, os três quilómetros entre a Trafaria e a Praia de São João levam apenas 10 minutos a percorrer, num percurso realizado totalmente em ciclovia segregada do restante tráfego motorizado.

Da Trafaria para a Costa da Caparica

3030 – Monte da Caparica (FCT) – Fonte da Telha (15 minutos até à Costa da Caparica e 30 minutos até à Fonte da Telha)

Tempo total de viagem: 40 minutos para a Costa da Caparica e 55 minutos até à Fonte da Telha

De comboio

Comboio Fertagus em Sete Rios. Foto: Inês Leote

A partir de Sete Rios, os comboios operados pela Fertagus atravessam a Ponte 25 de Abril e levam os passageiros ao Pragal em 11 minutos. A partir da estação Roma-Areeiro, em plena Avenida de Roma, o comboio leva 17 minutos e, desde Campolide, apenas oito. Uma vez no Pragal, já na margem sul do Tejo, há autocarro direto para a Costa da Caparica.

Do Pragal para a Costa da Caparica

3024 – Pragal – Costa da Caparica (36 minutos)

Tempo total de viagem: de 44 a 53 minutos, dependendo da estação ferroviária de partida.

De autocarro

O autocarro é o único meio de transporte público que não requer transbordo para chegar às praias da Costa da Caparica, via Lisboa. Não é, contudo, a opção necessariamente mais rápida para a viagem.

3709 – Lisboa (M. Pombal) – Costa da Caparica
1 hora


3710 – Lisboa (Sete Rios) – Costa da Caparica
55 minutos

Nota: Até setembro, esta carreira deverá voltar a partir do Areeiro.

Novas carreiras e metro até à praia?

O princípio do mês de julho marcou a entrada em funcionamento da Carris Metropolitana na margem sul do Tejo, unificando a operação da rede de transporte público rodoviário sob uma única marca. A mudança, conturbada no início, com protestos dos utilizadores a chegarem à Assembleia Municipal, acabou por trazer, no entanto, o anúncio de mais carreiras que, segundo a Transportes Metropolitanos de Lisboa, deverão entrar em funcionamento “brevemente”.

O acesso às praias da Costa da Caparica a partir de Lisboa deverá, assim, sair beneficiado, com o anúncio da carreira 3708, que fará a ligação entre o Cais do Sodré e o terminal rodoviário da Costa da Caparica, bem como a futura carreira 3025, que fará a ligação entre o Pragal e a Costa da Caparica, via IC20.

Apesar de poder vislumbrar-se um ligeiro aumento da oferta de transportes públicos, o comboio turístico que efetuava a ligação entre a Costa da Caparica e a Fonte da Telha deixou de operar em 2019.

Sem que se preveja o retomar do transporte de passageiros, que desde 1960 percorria 20 praias entre o centro urbano da freguesia de Costa de Caparica e a praia da Fonte da Telha, em outubro de 2021, a atual presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, comprometeu-se com a modernização e ampliação da linha do Transpraia até à Trafaria.

O Metro Sul do Tejo (MST) também pode vir a chegar ao centro da Costa da Caparica e, consequentemente, garantir a ligação direta entre Cacilhas e Pragal à linha de praias, aproximando a população de Lisboa da praia e reduzindo os atuais tempos de viagem.

Num relatório de 2018, a autarquia de Almada dava seguimento ao já existente plano de expansão da atual linha de metro de superfície, com terminal no campus da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL).

O documento (em formato PDF) dá conta do “elevado potencial apresentado pela extensão do MST à Costa da Caparica para captar utilizadores ao transporte individual nas deslocações até às praias” e para “reduzir o tráfego de atravessamento e os congestionamentos provocados pelo uso intensivo do automóvel”.

Segundo a autarquia, a expansão da rede de metropolitano até à zona de praias permitiria, igualmente, “reduzir o estacionamento abusivo e desordenado nos frágeis ecossistemas dunares”.

Ainda sem data de arranque e sem financiamento, a obra há muito que é prevista pela autarquia e pelo operador, a Metro Transportes do Sul, que desde 2008 não vê materializadas quaisquer expansões da rede. Em fevereiro deste ano, foi aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Almada, uma moção que exige ao governo a apresentação de “calendário e financiamento para a extensão do Metro Sul do Tejo”, incluindo a chegada deste meio de transporte à Costa da Caparica.


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Frederico Raposo

Nasceu em Lisboa, há 30 anos, mas sempre fez a sua vida à porta da cidade. Raramente lá entrava. Foi quando iniciou a faculdade que começou a viver Lisboa. É uma cidade ainda por concretizar. Mais ou menos como as outras. Sustentável, progressista, com espaço e oportunidade para todas as pessoas – são ideias que moldam o seu passo pelas ruas. A forma como se desloca – quase sempre de bicicleta –, o uso que dá aos espaços, o jornalismo que produz.

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4 Comentários

  1. Muito bom, só que infelizmente não é tudo assim tão linear. Só estam a ser considerados os tempos de viagem sem os tempos de espera nas ligações, se estes forem acrescentados temos viagens a durar bem perto de duas horas, como já tive oportunidade de testar.

  2. Tudo isso é um horror.os políticos não tem apreço pela população da costa de Caparica e nem Trafaria. Essa última alteração feita no nossos transporte foi uma desgraça… tiraram carreiras que funcionavam lindamente…com tempo hábil para os usuários…hoje levamos mais tempo para ir ao trabalho ir a praia ir às compras etc…essa gestão não entendi nada de transporte… afinal eles não usam esse meio para locomoção.. portanto.. exemplo de fisco carreira 161, Areeiro durante a semana temos fazer escalas. fins de semana não tem camioneta para lá chegar.. pq 756 não funciona fds… 167 fórum Almada quem vai as compras e trabalha fórum leva 1 hora para lá chegar.antes 30 minutos são hoje 29 paragens até ao fórum finalizando a viagem atrás do fórum ligar de trânsito intenso onde corremos o risco de ser atropelado.antes porta do fórum.. carregados até a paragem vergonha.. funcionava lindamente…124 Cacilhas x costa outra retirada sem lógica th até às 2 da manhã hoje não tem…e só vai até Pragal temos usar metro de superfície.. outra maluquice…o trem da praia fazia toda as praias saí da costa centro passou praia do remédio dificultando a vida dos turistas e residente. Passagem era muito cara mas dava jeito era divertido..hoje colocamos mais carros na ruas e estacionamento contribuindo com aumento dos parques ilegais e cobradores para
    estacionar temos de pagar de não riscam o carro…metro até Trafaria dava muito jeito e arrumava a vida da população que hoje são fixa antes era turísticos hoje não muitos venderam duas casas Lisboa e vieram residir nessa zona. Mas peçam com a falta funcional de transportes… Mas nós sabemos que tudo isso é uma luta política partidária…manda quem y mais poder números…afinal as legislações feitas por esses governantes são apenas em causas próprias…ficando assim o povo a mercê desse braço de ferro…

  3. Nos tempos atribuídos às viagens, deviam ter sido considerados os tempos de espera, bem como o tempo para efetuar o transbordo entre transportes.
    Útil seria a expansão do metro de superfície, não só para a costa da Caparica e Trafaria, como para o resto da península de Setúbal (uma das linhas vai até Corroios), com ligações/oferta de transportes e interfaces funcionais. Seria uma forma de promover a mobilidade entre os vários concelhos.

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