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Falámos com vários especialistas em projetos de jornalismo local e comunitário, no Festival Internacional de Jornalismo de Perugia.

O jornalismo mundial é assim como uma cidade – tem muitos habitantes, comunidades, serve vários usos e objetivos, tem os seus personagens e lugares, as suas figuras e figurões. Na semana passada (até domingo) o jornalismo mundial reuniu-se numa cidade: em Perugia, para o Festival Internacional de Jornalismo, o mais democrático dos congressos, para debater o estado da arte.

A Mensagem esteve em Perugia (a Catarina, a Catarina e o Nuno), de onde trouxe inspirações e inquietações que partilhamos convosco:    

  1. O jornalismo com futuro é o que ouve e está integrado nas suas comunidades. O jornalismo só existe se servir as pessoas – ou então, não serve para nada. Isto implica estar presente, não pode ser de toca e foge. “Estar lá”, como dizia Shirish Kulkami, editor do britânico Bureau of Local Investigation que está a iniciar um projeto chamado People’s Newsroom. Ele usa mesmo a palavra “carinho”. Só assim pode compreender o que o rodeia, ser útil e inspirador.
  • O jornalismo que vale a pena é cada vez mais pago por quem o consome. Todos os exemplos inovadores vão neste sentido. O espanhol El Diário, digital, uma cooperativa, “tem 60% de receitas vindas diretamente da audiência”, disse a administradora, Rosalía Lloret. “É a única forma de fazer face às pressões dos políticos e anunciantes”. Isto, para Alan Rusbridger, ex-diretor do The Guardian e membro do Reuters Institute, é positivo: “o desaparecimento das receitas publicitárias força o jornalismo a focar-se nas necessidades dos leitores. Estamos a aprender histórias inspiradoras de como o jornalismo se reposiciona como um bem público.”
  • O jornalismo tem de expressar a diversidade da comunidade. Seja “de quem conta a história, seja de como conta, seja a quem a conta”, disse Wafaa Albadry da Deutsche Welle. Já chega de jornalismo da bolha, para a bolha (política/económica).  
  • O impacto de uma publicação não se mede só em cliques. Há vidas mudadas, cidades conhecidas, histórias partilhadas. E, lá está, um sentimento de pertencer a qualquer lado.
  • A tecnologia é um meio para muitos fins e, no jornalismo, isso deve ser aproveitado para a) interagir com a comunidade de várias formas b) tornar as histórias mais interessantes. Há muitas e variadas formas de contar histórias que o digital alarga.

Em traços largos, foi muito isto o que se discutiu em Perugia. Três palavras-chave que determinam o curso do jornalismo, dos pequenos aos grandes meios: comunidade, diversidade, digital.

De Perugia, trouxemos mais ideias, que em breve os nossos vizinhos e vizinhas vão ser convidados a experimentar. Muitas têm a ver com o que já fazemos – ou tentamos fazer – e que confirmámos ser o caminho mas interessante, no jornalismo. Venham ou continuem connosco nesta aventura!

De Perugia, com carinho!

— Catarina Carvalho, Catarina Reis e Nuno Mota Gomes

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