14 Questions with Rita and Stephen who make People of Lisbon

O rapaz que gosta de ver os aviões a levantar voo – e que sabe tudo sobre eles -, o poeta, o vendedor de bolas de Berlim que grita por D. Sebastião, a dupla de cantores de ópera que faz da rua um palco, a acupuntora, o professor de ballet e a breakdancer, a artista que gosta mais de máscaras do que de rostos, o terapeuta da felicidade, o surfista, o fotógrafo, o músico e a jornalista, o comediante, o casal que faz tours de vela (e um anúncio para a Old Spice), o chef vegan e o ilustrador da Mensagem.

Homens e mulheres, estrangeiros e portugueses, tímidos e extrovertidos. Estas são as pessoas de Lisboa que um irlandês a viver na cidade se lembrou de retratar em vídeo. Chamou ao projeto isso mesmo, “People of Lisbon”, e decidiu garimpar as ruas (e as redes sociais) à procura de pessoas interessantes que aceitem explicar o que fazem e mostrar um bocadinho do que são para a sua câmara de vídeo. 

“Gosto de ideias simples. O título [para o projeto] surgiu na minha mente e achei que era um bom projeto para agora e uma boa forma de conhecer pessoas e também de animar este tempo em que nos sentimos mais em baixo”, explica Stephen O’Regan. 

Com ele, no projeto, está Rita Ansone, uma fotógrafa da Letónia que decidiu viver uns tempos em Lisboa, “onde o clima é bom e a vida mais em conta”. 

People of Lisbon tem uma página de Facebook e de You Tube onde os vídeos, com cerca de quatro minutos, podem ser visionados – e agora também aqui, na Mensagem. Na página da rede social estão também as fotografias de Rita Ansone e uma breve descrição do retratado. 

O projeto arrancou no verão passado, as ruas ainda estavam cheias de gente, ninguém sabia que era só um intervalo para um novo e duro confinamento. “Estava tudo aberto, as esplanadas, os bares no topo de edifícios, por isso também era bom estar em Lisboa”, lembra-se Stephen, que edita os vídeos como se cada um deles fosse um mini doc. Ele próprio está a fazer um regresso às origens: estudou filmografia em Dublin, teve uma startup de vídeos de música em Nova Iorque, andou pelo mundo e aportou a Lisboa, onde vive, na Baixa.

“É difícil conhecer pessoas de Lisboa em Lisboa”

“E se ninguém se rir?”, pergunta ele ao terapeuta do riso. “Já pensaste em fazer stand up comedy?”. É uma pergunta séria, dirigida a Telmo Rodrigues, o vendedor de bolas de Berlim da Praia do Rei, na Costa da Caparica, e até agora a personagem mais interessante que Stephen diz ter conhecido (já são 19 as pessoas de Lisboa retratadas – e 19 são também os vídeos). 

“Alguém me sugeriu o Telmo e fomos atrás dele. É uma personagem selvagem, o tipo de personagem que eu gostaria de encontrar mais vezes”, confessa. O projeto tem ainda mais estrangeiros retratados que portugueses. “Quero ter mais”, admite O´Regan.

“Adoraria ter [nos vídeos] pessoas que fazem trabalhos mais reais, como um condutor de Uber, alguém que faça a recolha do lixo, isso seria muito bom. Por enquanto temos muitos artistas, life coaches, acho que o que se segue é encontrar esse tipo de pessoas com vidas mais autênticas e saber as suas histórias”, aponta. A verdade é que “é difícil conhecer pessoas de Lisboa em Lisboa”, resume Stephen.  “Há muitos estrangeiros a chegar. Lisboa é uma espécie de hot spot para os nómadas digitais”, garante.

Stephen O’Regan and Rita Ansone Foto: Anna Rolskaya

Rita Ansone, a fotógrafa parceira do irlandês neste projeto – conheceu-a através do Facebook, ela precisava de um assistente de fotografia para um projeto e Stephen candidatou-se – concorda. “Neste momento, as pessoas de Lisboa estão de passagem. Talvez isto não seja verdadeiro, mas o que sinto é que são estes viajantes que se apaixonam pela cidade, por muitas razões, e que aqui ficam algum tempo”. 

O objetivo do People of Lisbon é publicar um vídeo por semana. “Acho que o projeto tem potencial para ser um bom cartão de visita de Lisboa”, afirma o irlandês, que imagina os seus vídeos a serem assistidos nos aviões da companhia aérea portuguesa TAP.

Até porque acredita que a cidade, passado o pior da pandemia, vai continuar a ser o destino de muitos de fora. “Não há muito para não gostar em Lisboa”, explica. Só não percebe a calçada portuguesa. “É tão escorregadia, é mesmo perigoso”, desabafa Stephen, por estes dias muito atento aos passeios, como todos os lisboetas. 


Se conhece lisboetas que poderiam ser retratados no projeto People of Lisbon, fale connosco:


Paula Freitas Ferreira

Nasceu em Moçambique e viveu em muitas cidades até chegar a casa, Lisboa. Acredita que os lugares são impossíveis de contar sem ouvir as pessoas e as suas histórias. É jornalista desde o ano 2000 e passou pelas redações do 24horas, Sábado e Diário de Notícias. Colaborou com a Notícias Magazine e escreveu três livros.


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