Fotografia: Beatriz Vicente

Uma máquina de escrever. Uma pedra. Um mapa. Um pano. Uma toalha de mesa. Um espelho. São meros objetos do quotidiano. Mas no novo projeto de comunicação do MAAT, em parceria com o jornal Mensagem de Lisboa, são mais: são sinais da cidade que vários criadores emergentes usaram para a questionarem. De que forma é o que podemos ver no Laboratório de Criatividade e Comunicação Urbana – Entre Margens, que está na Praça do Carvão, junto do MAAT Central. Passe por lá, é o nosso convite, para sentir e pensar isto tudo. 

Vamos contar-lhe o resto.

Este projeto nasceu de uma ideia da equipa de comunicação do MAAT e de um convite feito à Mensagem para que juntos fizéssemos um trabalho verdadeiramente de comunidade. Trazer para dentro do MAAT jovens criadores urbanos da Área Metropolitana de Lisboa para uma espécie de residência. E juntos questionarmos a cidade, o lugar do museu na cidade, o lugar da cidade no museu. O nosso lugar em ambos. O centro e a periferia. E as margens.

Durante alguns meses, encontrámo-nos neste museu à beira-rio. E as discussões foram acesas. Trouxemos pessoas para falar de jornalismo comunitário, de arte, de periferias. E pensámos o que poderia ser o resultado destas discussões. A Ivone Fernandes-Jesus e o Duarte Ferreira (dualgo) questionaram a ideia de arte periférica, mas o Nuno Trigueiros vive desse questionamento há anos. A Bruna Varela usa a integração e a margem como tema da sua criatividade. O Gabriel Vileiro também, sobretudo a ideia da cidade dos serviços e o que fazemos com eles, quem os fornece e quem os usa. O MAx Provenzano questiona a comunicação e os registos dela.

E foi a partir destas conversas, encontros, risos e discussões que um espelho, um pano, uma máquina de escrever, uma pedra, uma toalha de mesa, objetos simples do quotidiano, passaram a criações de cultura, que questionam a cidade, o que nela vivemos e o que andamos todos aqui a fazer. Porque fazia sentido mostrar as ideias e comunicá-las assim, numa espécie de laboratório que também questiona quem nele entra, como nos questionou a nós. 

Do espelho da Bruna, com vista para nós próprios na outra margem, ao vídeo do Vileiro que nunca pára de rodar na cidade dos serviços. A pedra do MAx que, tirada do rio, serve de confidente às nossas confissões ou ideias de cidade. E o vídeo da Ivone que há de revelar os desconhecidos do MAAT, os que trabalham nas suas entranhas e vêm de todos os cantos de Lisboa para pôr este museu de pé.

Também estes criadores vieram de todos os cantos de Lisboa (e do mundo): da Reboleira à Amadora, passando por Chelas, Almada, Mem Martins e Arroios. E isso faz com que se pense diferente? Com que se veja diferente a cidade? E quem vem ainda mais de longe, do Brasil e da Venezuela? Como é que isso afeta a nossa visão de Lisboa?

Os artistas

dualgo

Ilustração
Amadora

Formado em jornalismo e baseado na Amadora, move-se entre a palavra e a imagem, seja através da colagem, da pintura, da ilustração ao vivo ou de oficinas artísticas para crianças na Linha de Sintra. Desde a ponta da caneta a desenhar no guardanapo até chegar às outras pessoas, já teve oportunidade de expor tanto na periferia como no centro de Lisboa.

Bruna Varela

Escrita
Chelas

Artista com um percurso marcado pela escrita, pela expressão poética e pelo interesse em narrativas sociais e humanas. O seu trabalho desenvolve-se na interseção entre arte, consciência social e comunicação, explorando temas ligados à identidade, experiência vivida e estruturas sociais. Já integrou projetos que cruzam arte, jornalismo e investigação social, como a Gazetta do Bairro.

Nuno Trigueiros

Pintura/Artes visuais
Mem-Martins

Pintor, colecionador de imagens e artista multidisciplinar, cuja obra está profundamente enraizada nas comunidades da periferia de Lisboa, onde nasceu, cresceu e continua a viver. A sua prática artística abrange diversas técnicas e meios, explorando as interseções entre a expressão visual e plástica. É cofundador e membro ativo do coletivo artístico Unidigrazz.

Ivone Fernandes-Jesus

Performance
Cacilhas

Desenvolve trabalho como criadora e intérprete, explorando relações entre criação artística, participação e questões ecológicas. É cofundadora e presidente da Associação Mergulho Urbano – Ambiente e Arte, onde desenvolve projetos que cruzam práticas artísticas, sustentabilidade e envolvimento comunitário. A sua prática combina metodologias participativas, teatro documental e ecoficção.

Vileiro

Música
Reboleira

Artista brasileiro em ascensão. Com um som autêntico e letras afiadas, vem conquistando espaço na cena underground do rap nacional, mais recentemente com o lançamento do álbum “Serviços”, um projeto arquitetónico fonográfico. O seu trabalho combina influências do grime britânico com a realidade das ruas brasileiras, trazendo rimas intensas e instrumentais marcantes.

MAx Provenzano

Performance
Arroios

Artista venezuelano radicado em Portugal. A sua prática investiga o corpo como território migrante, explorando deslocamento, arquivo e mediação entre linguagens. Trabalha com performance, fotografia, vídeo, instalação e dispositivos participativos. Paralelamente, dirige o ProvenStudio, entendido como catalisador de mediações no campo da arte contemporânea.

Estas e outras perguntas vão estar também refletidas no jornal que estamos a fazer todos juntos, criadores, equipa de comunicação do MAAT e Mensagem.

Neste trabalho, delicado, de histórias, arte e comunidade, a equipa da Mensagem de Lisboa (a Catarina Reis, a Maria Maia, a Raquel Lindner, a Catarina Carvalho e a Beatriz Vicente) contou com o apoio inestimável da equipa do MAAT (a Namalimba Coelho, a Elisabete Sá, a Raquel Pires e o Francisco Faria).

É com esse espírito, de pensar o que andamos todos aqui a fazer, que gostávamos que visitassem o espaço na Praça do Carvão. Sigam a narrativa do projeto, conheçam melhor estes criadores e o que têm para nos contar.

O Laboratório está aberto todos os dias, exceto terça-feira, das 10:00 às 19:00, e fica mesmo no meio da Praça, até dia 4 de janeiro de 2027.


Quer conhecer os artistas e as suas peças?

Dia 5 de outubro, junte-se a nós:

MAx Provenzano
“[correspondências]”

Duas máquinas de escrever, ligadas por um rolo contínuo de papel, estabelecem um circuito de comunicação entre participantes. A ação convida o público a escrever, responder e fazer circular mensagens, transformando a escrita num gesto colectivo de correspondência.

Horário: 16h00-17h00
Duração: 1 hora

Local: Em frente ao Laboratório de Criatividade Urbana, no exterior do MAAT Central

dualgo
“Compondo a Mesa”

Com uma mesa posta à beira do contentor, dualgo convida os visitantes a conversar e registar mensagens e rabiscos sobre o MAAT e a cidade na toalha de mesa de papel.

Horário: 16h00-17h00
Duração: 1 hora

Local: Praça do Carvão, exterior do MAAT Central

Bruna Varela
“Máquina do Tempo”

Transcrição do poema Espelho para a máquina, criando um elo de ligação entre o espelho, o poema e a máquina, como uma máquina do tempo.

Horário: 16h00-16h30
Duração: 15/20 minutos

Local: dentro do Laboratório de Criatividade Urbana, MAAT Central, no espaço da obra da artista

Vileiro
“MAAT em Serviços”

DJ Set + Concerto (com artista convidado)
Vileiro apresenta “MAAT em Serviços”, um projeto arquitetónico fonográfico demonstrando a identidade e autenticidade dos serviços diários, valorizando-os para a funcionalidade urbana em uma temática contemporânea.

Horário: 17h00-18h00
Duração: 1 hora

Local: Varanda da cisterna, MAAT Central

Ivone Fernandes-Jesus e Nuno Trigueiros vão estar junto às suas obras, entre as 16h30 e as 17h, para fazer visita/explicação aos seus trabalhos, dentro do Laboratório de Criatividade Urbana.

Equipa Mensagem: Maria Maia, Catarina Carvalho, Catarina Reis, Raquel Lindner
Equipa de Comunicação MAAT: Namalimba Coelho, Elisabete Sá, Raquel Pires, Francisco Faria

Imagem: Ana Ladislau, Beatriz Vicente e Reinaldo Rodrigues
Repórteres: Sara Bassini, Mariana Riscado
Paginação (jornal): Rui Leitão

Projeto 2026-2027