Há coisas que não se explicam, sentem-se. Como o silêncio antes de um primeiro acorde. Como a vibração de uma guitarra portuguesa a atravessar continentes. Como um povo que canta as suas dores com a mesma dignidade com que celebra as suas alegrias.

Este ano, assinala-se o centenário de Carlos Paredes. E, com ele, o Festival de Fado — o maior embaixador da nossa cultura — estende-se a 16 cidades, em 12 países, levando nas malas o legado de um génio que fez da guitarra o eco de Portugal inteiro.

Fundado com o propósito de promover o Fado enquanto património imaterial da humanidade, este festival cresceu com os dois pés bem assentes na tradição, mas com os olhos postos no mundo. Passou por Madrid, Bogotá, Buenos Aires, Rio de Janeiro ou Barcelona. E por onde passa, deixa mais do que aplausos: deixa memória, admiração e um profundo respeito por aquilo que somos enquanto povo.

Em 2025, o Festival de Fado celebra 15 anos. Quinze anos de responsabilidade, de trabalho contínuo, de promoção coerente e séria da nossa cultura. Um evento que não é apenas um desfile de vozes e acordes, mas uma montra viva, atualizada e pensada do universo do Fado — concertos, cinema, conferências, exposições, pensamento crítico.

A homenagem a Carlos Paredes não é uma efeméride protocolar. É o reconhecimento de um artista cuja música nos libertou do tempo e nos deu uma pátria invisível onde todos cabemos. Ouvir Paredes é entender melhor o que é ser português. Levá-lo ao mundo é um dever.

O Festival de Fado é hoje, com orgulho, o único projeto cultural português desta dimensão internacional com edições regulares e anuais em tantos países. Conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República e com o apoio de entidades como o Ministério da Cultura de Portugal, a Câmara Municipal de Lisboa e o Museu do Fado. Essa chancela é mais do que simbólica — é um selo de credibilidade e de exigência.

Num tempo em que a cultura muitas vezes luta por espaço, o Festival de Fado é uma lição de consistência, de ambição equilibrada e de missão. E merece, por isso, a atenção dos meios de comunicação social, dos decisores públicos e privados, dos parceiros institucionais e empresariais que compreendem que investir na cultura é investir num país com futuro.

Porque enquanto houver quem cante o Fado com verdade, enquanto houver quem leve a nossa música para além do Tejo, há esperança. E há Portugal.


Rodrigo Costa Félix

Rodrigo Costa Félix

É lisboeta, fadista com trinta anos de carreira, letrista, produtor, agente e coproprietário do restaurante Fado ao Carmo. Tem quatro discos editados, vários prémios e distinções – nacionais e internacionais – e uma vida inteira dedicada à promoção e divulgação da “canção de Lisboa”.

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