O Festival Clarão é um festival multidisciplinar onde cinema, música, instalações, artes plásticas e artes visuais se juntam para celebrar a cultura de Sintra e não só. Um festival onde artistas nem tão conhecidos assim são convidados ao palco, artistas plásticos contemporâneos têm espaço nas molduras e quem visita tem espaço para aprender em oficinas gratuitas.

“O festival surge como resposta à programação cultural habitual. No centro da missão está a promoção de artistas locais, aqueles cujas vozes muitas vezes ficam abafadas no cenário cultural convencional”, explica Nuno Cintra, o diretor artístico e de produção do festival que, por acaso, começou no seu quintal.
Uma série de festas em casa com música ao vivo, o Sintra con-cê, como se chamava então, cresceu para o jardim da Casa do Parque, em 2018, que também se revelou demasiado pequeno para a afluência. Este ano, a Quinta da Ribafria terá espaço para todos.





Música e Cinema

O Clarão conta com uma programação diversificada, incluindo 12 concertos, seis curtas-metragens e uma longa-metragem.
Nael D’Almeida e Rodrigo Domingos pensaram e debateram o cartaz musical. “Uma das premissas é que fosse, pelo menos, composto 50% por artistas da linha de Sintra, de forma a que quem viesse de fora pudesse conhecer estes artistas que, de outra forma, podiam passar despercebidos”, explica Rodrigo Domingos.
Embora muitos dos artistas participantes sejam de Sintra e arredores, o festival abre as portas a criadores de outras regiões, promovendo uma verdadeira mistura de influências e estilos. A dinâmica de trocas não é apenas local: o Clarão pretende atrair visitantes de Lisboa e de outras áreas para conhecerem os talentos de Sintra, criando um fluxo cultural que enriquece todas as partes envolvidas.
O festival também acolhe nomes já conhecidos, como é o caso da Iolanda e Landim, para trazer também pessoas para lá das fronteiras do município. Para além de apreciada, aqui a arte também pode ser discutida em ciclos de conversas que se espalham pelos dias do festival.
“O Festival Clarão é um momento para as pessoas se encontrarem, conhecerem novas formas de expressão e refletirem sobre a sua própria existência”, afirma Nuno Cintra.

Além de proporcionar uma programação cultural gratuita e acessível, o festival é uma oportunidade para os artistas ampliarem as redes de contacto e trocarem experiências com outros criadores.
O primeiro dia do evento é dedicado a essa troca, com atividades especialmente pensadas para a partilha criativa e o crescimento pessoal e profissional dos participantes. É dado destaque ao encontro de artistas locais com colegas de outras regiões, quebrando assim a lógica habitual de que os jovens precisam de ir, por exemplo, a Lisboa em busca de oportunidades culturais.
Aqui, eles têm a oportunidade de apreciar os talentos da sua terra, num ambiente próximo e acessível.
Arte e Artistas

Para além dos concertos, o público vai poder passear por caminhos de arte: alguns dos corredores pedonais vão ser forrados com instalações de arte ao ar livre. Haverá também mercado de artistas, com cerca de 50 bancas, onde se pode encontrar desde peças de cerâmica, a livros, acessórios, prints, ilustrações, material fotográfico e muito mais.
Mas a maior curiosidade está numa casa: dois artistas vão ocupar uma casa que não tem nem portas nem janelas com total liberdade criativa. “A ideia é que estes dois artistas habitem a casa nos dias do festival. Queremos uma experiência imersiva onde o público pode interagir com o espaço e os artistas enquanto eles trabalham”, explica Ivânia.

Mas quem não é artista também pode aprender com eles: São sete as oficinas realizadas no âmbito do projeto Escola do Povo, um dos pilares do festival, oferecendo ao público a oportunidade de aprender novas práticas artísticas de forma gratuita.
Como chegar?
A Quinta da Ribeira tem estacionamento, mas este será necessário para as carrinhas de apoio aos artistas e ao festival. A partir da estação de comboios da Portela de Sintra, existem autocarros que param mesmo à entrada do recinto.
Há também shuttles diretos da estação de comboios para o festival.
Ou seja, quem quiser ir de carro, pode deixá-lo na estação e seguir de lá. Também existe a opção de ir a pé, a partir da zona residencial do Lourel, que leva cerca de 20 minutos.

A associação Clarabóia, responsável pela criação e organização do Festival Clarão, nasceu de um grupo de amigos que, em 2018, decidiu preencher o vazio cultural que sentiam em Sintra. Inicialmente, o projeto tomou a forma de festas e eventos pequenos, mas com o passar do tempo e com o apoio do Programa de Iniciativa Jovem da Câmara de Sintra, evoluiu para o que é hoje. A Clarabóia, agora uma referência em programação cultural jovem na região, vê no Festival Clarão a concretização de uma ideia que começou pequena, mas que rapidamente ganhou proporções maiores do que o esperado.

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