Já se perguntou como seria abandonar o país onde mora? Dar de caras com uma geografia, uma cultura, uma vida desconhecida, porque o lugar onde nascemos já não é seguro? Para Nusrat foi assim, aos 22 anos, quando se tornou uma das muitas imigrantes em Portugal. Essa outra geografia tinha um nome: Lisboa, onde chegou há 4 meses, vinda do Bangladesh. E um outro sotaque.

Em pequenina já tinha o olho curioso que a fez querer ser médica – ficava estupefacta com a capacidade de curar pessoas com pequenos frascos de xarope. E foi essa ambição que lhe permitiu completar o 1.º ano da licenciatura em medicina, ainda no país de origem.
Saiu do Bangladesh devido à forte instabilidade política. E, com a chegada a Lisboa, os desafios tornaram-se outros: a integração num país novo, onde a língua é mesmo um muro.

“Imaginando que vou comprar roupa…”, diz Nusrat, perante o professor, numa sala cheia, em plena Avenida Almirante Reis, em Arroios. Marco Mendes faz de tradutor nesta nossa conversa. Tem 40 anos, é funcionário público e professor nas horas extra. Nesta sala, é ele quem ensina 20 alunos de várias origens no mundo, todos prontos a aprender português. Como Nusrat.
Faz parte de um projeto maior, nascido de um sonho de uma outra imigrante: Jamila Khan, há 10 anos chegada do Paquistão.



Há 10 anos, Lisboa era outra. Jamila lembra uma cidade onde a disponibilidade para falar em inglês não era tanta. Até mesmo nesta avenida onde hoje se ouvem vozes de todas as línguas. Precisava de aprender português com urgência: para preencher documentos; inscrever-se no centro de saúde; ter acesso ao acompanhamento médico necessário para quem está prestes a ser mãe, como ela.
Foi assim que Jamila sonhou a WALC – Welfare Association of Language and Culture. O projeto, sediado na Avenida Almirante Reis, em Arroios, é uma casa dedicada a ajudar os imigrantes na integração em Lisboa.
🎧 Ouça a história na íntegra aqui:
Esta reportagem faz parte da “Mensagem Rádio”, um programa que passa quinzenalmente na RDP África (do grupo RTP), à terça e sexta-feira, e em permanência: no site da Mensagem, em rdpafrica.rtp.pt e no Spotify.
Produção: Catarina Reis (Mensagem de Lisboa) e Isabel Leonor (RDP África)
Reportagem: Mariana Vital
Edição: Catarina Reis

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