Desde 1866, que Lisboa e Madrid estão ligadas por caminhos de ferro. Desde o século XIX, salvo pequenas interrupções, sempre houve comboio direto entre as duas capitais.

Agora, a história é outra.

Desde 2020, com a chegada da pandemia de covid-19, que o Lusitânia Comboio Hotel se encontra suspenso, sem data de regresso. O comboio noturno saía todos os dias de Santa Apolónia depois da hora de jantar e chegava a Madrid de manhã.

O comboio Lusitânia. Foto: DR

Hoje, já não existe comboio direto e, para chegar de Lisboa a Madrid, demora-se o mesmo que em 1967 – ano em que era inaugurado o TER Lisboa Expresso, comboio direto e diário que ligava as duas cidades em oito horas e 55 minutos.

Sem comboio diário nem noturno, para se fazer esta viagem é necessário apanhar, pelo menos, três comboios.

Para olhar para o presente e futuro desta ligação, no passado mês de agosto decidimos fazer o trajeto possível – apanhámos quatro comboios diferentes e levámos mais de 11 horas e meia entre Santa Apolónia e a estação de Atocha, no centro de Madrid – o dobro do tempo atual de viagem de automóvel.

O resultado desta viagem é o pequeno documentário que se segue.

Apesar de décadas de promessas falhadas para a construção de uma linha de alta velocidade entre as duas cidades, capaz de as ligar em cerca de três horas, parece finalmente existir uma solução em andamento. As obras seguem do lado espanhol, com Portugal perto de concluir o primeiro troço de linha de alta velocidade.

Este futuro, mas também o passado e o presente da ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid, vai estar em análise ao longo das próximas semanas, com a publicação da restante série A Linha que Falta.


Frederico Raposo

Nasceu em Lisboa, há 32 anos, mas sempre fez a sua vida à porta da cidade. Raramente lá entrava. Foi quando iniciou a faculdade que começou a viver Lisboa. É uma cidade ainda por concretizar. Mais ou menos como as outras. Sustentável, progressista, com espaço e oportunidade para todas as pessoas – são ideias que moldam o seu passo pelas ruas. A forma como se desloca – quase sempre de bicicleta –, o uso que dá aos espaços, o jornalismo que produz.

frederico.raposo@amensagem.pt

Inês Leote

Nasceu em Lisboa, mas regressou ao Algarve aos seis dias de idade e só se deu à cidade que a apaixona 18 anos depois para estudar. Agora tem 23, gosta de fotografar pessoas e emoções e as ruas são o seu conforto, principalmente as da Lisboa que sempre quis sua. Não vê a fotografia sem a palavra e não se vê sem as duas. É fotojornalista e responsável pelas redes sociais na Mensagem.

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2 Comments

  1. A outra opção è o mitologico comboio Celta, entre Porto e Vigo … boa sorte a todos 🛟

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