Mensagem ao Vivo

A Mensagem de Lisboa… mas num palco. Já imaginou? As nossas histórias, as que deliciam, inspiram e informam, todos os dias, mas contadas pelos seus protagonistas… Eles e elas ali mesmo em carne e osso, no palco, a contá-las com um grão na voz, com um sorriso na alma ou com um frio na espinha… Ou em diálogo com os jornalistas que as descobriram? Histórias transformadas em números musicais? Ou, porque não, um rap? Já pensou? Conhecer assim de perto os heróis da nossa cidade?

Não é um sonho ou fantasia. Vai mesmo acontecer assim, e é já a partir do próximo dia 14 de dezembro: pelas 15h, na Sala Bernardo Sassetti (Jardim de Inverno) do Teatro Municipal São Luiz, onde teremos a primeira edição da Mensagem ao Vivo. Algo que não é bem um espetáculo, é uma edição ao vivo. Certamente jornalismo em todas as suas dimensões, em 3D.

Durante a edição, Nuno Saraiva fará uma ilustração ao vivo.

A entrada é gratuita mas… atenção: os bilhetes têm de ser levantados uma hora antes do espetáculo na bilheteira do São Luiz.

Apesar de não podermos reservar bilhetes, gostávamos de ter uma ideia de quantas pessoas querem assistir. Se quer ir à primeira sessão por favor inscreva-se aqui.

Qualquer dúvida também pode mandar um mail para a nossa produtora: ana.narciso@amensagem.pt

mensagem ao vivo Teatro São Luiz
“Mensagem ao vivo” faz parte da programação do Teatro São Luiz. Foto: Catarina Ferreira

Aprender com quem sabe

A ideia de fazer Jornalismo ao vivo vem desde o início da Mensagem, com inspiração no que faziam vários meios de comunicação social internacionais, desde o Le Monde Festival à Pop Up Magazine, americana, e a DoR, na Roménia. A tendência foi ganhando tração e surgiram iniciativas semelhantes em França, Finlândia, Dinamarca, Alemanha, Reino Unido, Canadá e Holanda. Pode conhecer mais projetos destes aqui.

A que mais nos inspirou foi a experiência do Diário Vivo, em Espanha – que não tem existência física a não ser a dos espetáculos nos teatros de Madrid.

Nestes espetáculos de grandes dimensões, as sessões são preenchidas sobretudo por jornalistas que contam as histórias das suas peças, mostrando como as construíram, e os seus bastidores. Os espetáculos não são gravados – acontecem uma vez e pronto.

François Mosseau, diretor, é francês e mora em Espanha como correspondente de vários jornais, e conta como se inspirou no francês Live Magazine, para criar o Diario Vivo: “Na Live Magazine, sete jornalistas subiam ao palco e contavam histórias, vivências, experiências. Interessava-me cada vez o mais o teatro como cenário. Percebi que queria fazer algo parecido.”

O primeiro dos espetáculos do Diario Vivo estreou-se numa discoteca em 2017.

“As pessoas estranharam, não sabiam bem em que consistia o espetáculo, mas tínhamos seis narradores muito bons, e eu creio que, no final, as pessoas ficaram surpreendidas, emocionadas e intrigadas.”

Entretanto, o Diario Vivo já fez 30 espetáculos de jornalismo ao vivo, com as suas histórias a serem narradas, na sua maioria, por jornalistas e fotógrafos, mas também, ocasionalmente, por ativistas e protagonistas das histórias. “O Diario Vivo é um tipo de transmissão direta das histórias, que não se grava. É uma história que é contada uma só vez, ao vivo.”

Este tipo de jornalismo “em direto” e em “carne e osso”, embora com propostas diferentes, tem um objetivo comum: que a partilha e interação direta com o público faça aumentar os laços de confiança entre os jornalistas e as suas comunidades. Numa época caracterizada pela “news avoidance”, o ato de evitar notícias, o jornalismo ao vivo espera recuperar parte da confiança entre os consumidores de notícias e os que as fazem.

Apesar de se passar num palco, o Jornalismo ao Vivo não é teatro. Digamos que há uma certa encenação, que substitui o que num jornal escrito é edição. No caso das edições Ao Vivo da Mensagem, teremos sobretudo dois formatos: pessoas a contarem as suas histórias e jornalistas a contarem as histórias que seguiram.

Jo Illie, a jornalista romena que coordenou o projeto DoR Live, com base no trabalho desenvolvido pela muito conceituada revista romena DoR, recorda como, para além dos protagonistas das histórias da revista terem subido a palco, a organização trabalhou também com uma companhia de teatro local, e chegou a dramatizar uma cena que se passou numa assembleia municipal. “Foi muito bom ver as pessoas todas juntas, a partilhar histórias.”

Num texto da revista Review of Journalism, Jordana Cox, professora da Universidade de Waterloo, diz: “Falamos muitas vezes sobre aquilo a que chamamos ‘preconceito antiteatral’, que é essa ideia antiga — com séculos — de que tudo o que é teatral é inerentemente falso. Por outro lado, o teatro também é uma tradição de reunião; de juntar pessoas em torno de histórias.”

No entanto, François Mosseau define uma barreira muito clara entre o Diario Vivo e o teatro: “É muito importante essa diferença: é jornalismo vivo, não tem nada que ver com teatro, apenas acontece num teatro. Não pretende ser uma proposta teatral.”

Em Portugal, houve uma primeira experiência de jornalismo ao vivo com a revista Cabide, criada por João Pombeiro e Luís Alegre que teve quatro edições. “A vantagem”, dizia o diretor ao Público em 2014 “está na proximidade entre o leitor e a informação – qualquer espectador pode intervir e questionar diretamente.” Cada sessão significava a “entrada directa do leitor num artigo jornalístico típico de uma revista, sem as formalidades de uma conferência tradicional”.

O que muitos não sabem é que o jornalismo remonta aos anos 30, quando nos EUA surgiram os Living Newspapers, integrados no programa Federal Theatre Project, que resultou nas medidas do New Deal de Roosevelt para financiar as artes. As notícias eram levadas dos jornais para os palcos, por atores e jornalistas que tinham ficado sem emprego durante a Grande Depressão. Eram bastante politizados, fazendo quase ativismo político.

A revista mais antiga da nova era surgiu em 2009, a Pop-Up Magazine nos EUA. Era uma “revista ao vivo” onde são apresentadas histórias de não-ficção, e que ainda percorre os palcos da Califórnia e dos Estados Unidos.

Agora é a Mensagem a contar as histórias de Lisboa ao vivo. Será ao longo de sete edições, entre dezembro de 2024 e julho do próximo ano. Cada edição terá um tema genérico e pelo menos cinco secções.

A primeira será Cidade Invisível e tem o apoio da Optocentro.

Coordenação editorial e de palco: Ana da Cunha Produção: Ana Narciso Comunicação: Joana César Vídeo e fotos: Inês Leote Apoios e patrocínios: Ana Rocha de Paiva Ilustrações: Nuno Saraiva Apoio: Jo Illie Histórias, ideias e curadoria: Ferreira Fernandes, Álvaro Filho, Catarina Reis, Catarina Pires, Frederico Raposo e toda a equipa da Mensagem de Lisboa Direção: Catarina Carvalho


O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz une comunidades,
conta histórias que ninguém conta e muda vidas.
Dantes pagava-se com publicidade,
mas isso agora é terreno das grandes plataformas.
Se gosta do que fazemos e acha que é importante,
se quer fazer parte desta comunidade cada vez maior,
apoie-nos com a sua contribuição:

Entre na conversa

1 Comment

  1. Uma grande paixão é não só o jornalismo mas todas as narrativas, gosto muito de história ligada á monarquia antiga talvez porque gosto
    muito arquitetura daquela época

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *