
A Cidade Ciclável é uma plataforma digital colaborativa que mapeia os lugares de estacionamento para bicicletas e pode ser usada no computador ou em dispositivos móveis, em qualquer área de Portugal continental. Foi feita pela MUBi, uma Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta que tem atuado, de há quinze anos para cá, para incentivar formas alternativas ao automóvel no dia-a-dia das cidades. São inúmeras ações que promovem um modo de vida mais saudável, sustentável e de reconquista do espaço público.
O utilizadores da Cidade Ciclável avaliam os espaços disponíveis com uma pontuação de uma a cinco estrelas, de acordo com a qualidade, a localização, a facilidade de acesso e tantos outros critérios. Ainda é possível adicionar comentários, fotos e sugerir zonas em que seria necessária a implementação de novos parqueamentos.
A segurança foi a principal preocupação da MUBi, como explica Mário Alves, membro da direção. Este é um dos principais entraves para que as pessoas assumam a bicicleta como um meio de transporte.
“Nós, às vezes, não sabemos onde estacionar de uma forma segura. Chegamos depois da nossa reunião, de estar no trabalho ou na escola, e ela não está lá”, alerta.

Não foi surpresa, pois, quando a proposta da MUBi foi a mais votada em 2022 num concurso do projeto VoxPop, coordenado pela Câmara Municipal de Lisboa e financiado pelo Urban Innovative Actions (programa da Comissão Europeia que procurava soluções inovadoras que tornassem a mobilidade mais acessível e inclusiva).
Encontrar na tecnologia uma saída para os desafios quotidianos foi um caminho natural, já que a associação recorre diariamente à internet para interagir com os dois mil membros, em todo o país.
“A MUBi é bastante digital porque não conseguimos encontrar-nos todos fisicamente. A nossa mobilização e organização estão nas redes sociais. Também temos um fórum de comunicação, onde conversamos e fazemos projetos”, explica Mário.

Como a cooperação entre cidadãos ajuda no uso de bicicleta
“A grade está no meio dos carros. O acesso é difícil”
“Postes demasiado finos”
“Há bicicletas abandonadas, resta somente um lugar vazio”
Estes são alguns dos comentários deixados na plataforma, com a intenção de avisar outros ciclistas sobre as condições dos estacionamentos. De facto, locais mal iluminados, sem vigilância, com estruturas frágeis ou danificadas aumentam o risco de furtos e desmotivam a utilização.
O espaço apertado também é uma reclamação recorrente, especialmente para bicicletas maiores, como as elétricas ou com cadeiras para crianças. A deficiência no número de parqueamentos e a falta de informação sobre a localização deles ainda podem levar algumas pessoas a prenderem o veículo em lugares inapropriados, como portões, placas e árvores.
Um participante ativo da ferramenta online é o gestor de empresas Herculano Rebordão. Ele, que começou a usar a bicicleta com mais regularidade durante a faculdade, no fim dos anos 1980, hoje reconhece a Cidade Ciclável como uma ajuda importante:
“Em Lisboa existe alguma infraestrutura, mas sem a conectividade necessária nem indicações de onde existe essa infraestrutura. É preciso adivinhar um bocado quando não se conhece bem a zona”, afirma.
O objetivo da MUBi é contar, cada vez mais, com o apoio não só dos cidadãos, mas também das juntas de freguesia e câmaras municipais para a inserção e manutenção de informações atualizadas. Ao mesmo tempo, a associação oferece dados para que as autarquias possam consultar quais as maiores necessidades e pedidos feitos pelos usuários, para que haja um planeamento mais eficiente na instalação dos bicicletários.

Fazer da cidade um território inclusivo
Outra preocupação central é tornar a Cidade Ciclável uma mais-valia para mulheres que escolhem a bicicleta como modo de transporte. A ideia é criar percursos personalizados, rotas mais seguras e dicas de como aproveitar o ambiente urbano com mais independência e conforto.
Há a intenção de incluir registos de ocorrências de assédio e violência, por exemplo, além de um canal de comunicação em que elas possam pedir auxílio. Também seria um meio para partilhar experiências, dificuldades e possíveis soluções.
Foi durante a pandemia que a professora Liliana Madureira redescobriu o gosto em pedalar. Começou com os filhos. Depois, reuniu os amigos deles e logo montou um comboio de bicicletas para que pudessem ir juntos à escola. Também foi acolhida por um grupo de mulheres que praticavam ciclismo de maneira desportiva e passou a fazer mais e mais quilômetros pela estrada.
Conhecer a Cidade Ciclável veio reforçar este movimento de entreajuda. Segundo ela, estimular o sentimento de comunidade cria a base para que outras pessoas façam escolhas mais conscientes e focadas no bem-estar coletivo. “É interessante e tem muito potencial de crescimento. Espero que continuem a desenvolver este projeto e outras funcionalidades que tornem a aplicação ainda mais útil para quem procura a bicicleta para se deslocar de forma ativa, sustentável, económica e prazerosa”, opina.
No caso das mulheres, poder circular de um ponto a outro não é uma mera questão de transporte, mas de reivindicar mais respeito no espaço público onde, historicamente, a sua autonomia foi negada ou cerceada. Garantir lugares mais seguros para andar e parar mostra que a liberdade não é somente um privilégio, mas um direito de todos.
Dicas da “Cidade Ciclável” para identificar um bicicletário seguro:
VISÍVEL: Um bom bicicletário tem que ser visível a qualquer hora. Deve ser instalado em vias principais, evitando ficar isolado, mas sem atrapalhar os peões. À noite, o local precisa estar bem iluminado.
MOVIMENTADO: É ótimo quando há um movimento considerável de pessoas. E quanto mais tempo, melhor. Observe, por exemplo, se há estabelecimentos comerciais em funcionamento junto ao local.
FÁCIL ACESSO: O bicicletário deve ser de fácil acesso, próximo a entradas principais dos edifícios que serve, à distância em relação ao estacionamento automóvel, e bem sinalizado.
REFORÇADO: Deve ser sólido e robusto, que não pareça ceder a uma tentativa de roubo mais insistente. Para saber isso, veja se a sua estrutura é rígida e se está bem presa ao chão.
Além disso, use um bom cadeado, em forma de U ou D. Pode ser associado a uma corrente com espessura superior a 13mm de espessura, que não possam cortar com um simples alicate. É importante prender a bicicleta em dois pontos: pelo quadro e pela roda, em simultâneo. Se não for possível, pelo menos pelo quadro, ou seja, pela parte central da bicicleta.

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Sou um utilizador de bicicleta tres quatro vezes por semana, nao utilizo mais a minha querida bicicleta porque nao existem condiçoes de segurança “furto”. so posso sair de bicicleta, quando me dirijo a determinado espaço e tenho visibilidade para a mesma. penso que uma soluçao para este “problema” seria, junto de cada posto da EMEL, onde existem funcionarios, colocar pontos para fixar a bicicleta com cadeado obviamento, sujeito a pagamento de uma verba de acordo com o periodo de tempo de estacionamento, um dia falei com uma funcionaria da EMEL sobre o assunto, e respondeu-me, que era um ideia com sentido, e em nada prejudicaria o funcionamento da empresa.