E se as ruas, calçadas, montes, quintas e espaços verdes por onde caminha tivessem sido palco de ferozes combates, guerras, há menos de 200 anos? Bem, se vive nas zonas de Alcântara, Campolide, Beato, Areeiro, Avenidas Novas e Carnide, a resposta é: “muito provavelmente!”
Entre 1832 e 1834, Portugal esteve em guerra civil. Este conflito, muito violento, estendeu-se a praticamente todo o país e opôs os liberais constitucionalistas aos absolutistas miguelistas. Ambos disputavam a sucessão ao trono e houve muito envolvimento estrangeiro com Reino Unido e França a alinharem com os constitucionalistas, enquanto que um dos partidos da guerra civil espanhola apoiava os miguelistas, assim como a Igreja Católica.
Após largos meses de conflito e com o impasse a norte (Cerco do Porto) e a perda – sem combates – de Lisboa para os Liberais em 24 de Julho de 1833 (a origem do nome da avenida de mesma data), os miguelistas começam a concentrar forças em Coimbra a 20 de Agosto. Sendo que, a 25, partem para tomar posições a norte de Lisboa.




O ataque das forças de D. Miguel começou a 5 de setembro de 1833 quando seis colunas com um total de 12 mil homens, 8 peças de artilharia e alguns esquadrões de cavalaria atacaram as linhas Constitucionais entre o Arco do Cego (atual Avenidas Novas/Areeiro) e os arcos das Águas Livres (Campolide).
Existem vários locais possíveis para a localização do “Arco do Cego”. O local onde se situa hoje o estacionamento subterrâneo e o Jardim fronteiro é uma das possibilidades, mas tendo em conta que no limite do atual Bairro do Arco do Cego se situava uma lápide de 1323 celebrando as “pazes de Alvalade” entre as forças de D. Dinis e as do infante D. Afonso (futuro Afonso IV), e que nas fontes deste local aparece referido como “Arco do Cego”, é mais provável que a frente liberal sujeita a este ataque miguelista tivesse este local da atual freguesia do Areeiro como um dos pontos mais extremos.
O outro extremo seria na atual Rua de Campolide conhecida na época como “Cruz das Almas” pela presença no local da Ermida da Cruz das Almas erguida em 1756. Falamos assim de uma linha que se estendia desde Campolide, passava pela zona da Praça de Espanha, seguia pela Gulbenkian e Avenida de Berna e iria terminar perto da sede da CGD (onde agora funciona o Governo da República) e o atual Bairro do Arco do Cego.
Às seis da manhã de 5 de setembro, um terço do exército miguelista (ou seja, cerca de 4 mil homens) avançaram até um dos extremos dessa frente, junto ao Campo Pequeno, com a intenção de atravessarem a quinta que compunha o atual Bairro do Cego com a intenção de tomarem e assentarem posições no Largo de Arroios (hoje entre a Rua de Arroios, Rua Carlos José Barreiros e a Igreja São Jorge de Arroios).
Outra coluna, com cerca de 2 mil homens, avançou por Palma de Cima (perto de onde hoje encontramos o Hospital Santa Maria) com o objetivo de avançar até Palhavã (na zona de Campolide) e a Estrada de Sete Rios, não longe do local onde hoje está o Jardim Zoológico. Nesta zona, os Liberais tinham erguido um reduto no interior da Quinta do visconde da Baía perto dos Arcos do Aqueduto e unido por um pequeno bosque à Quinta dos Marqueses do Louriçal em Palhavã (nota: o último marquês foi motorista de Freitas do Amaral).
As defesas constitucionais na zona não estavam terminadas e tinham pouca ou nenhuma artilharia em pontos considerados sensíveis e, apercebendo-se disso, foi este o principal foco do ataque miguelista. As forças realistas avançaram por estas quintas e bosque, aproveitando-se dos muros e das casas populares entretanto abandonadas para cobrir o seu avanço com cobertura de algumas peças de artilharia. Como resposta, as forças liberais saíram das suas posições e carregaram sobre estes muros e casas tendo o combate durou longas horas com sucessivos avanços e recuos de parte a parte.
Apesar da incerteza inicial a vantagem acabou por se inclinar para o lado miguelista com a tomada do palácio dos condes do Louriçal. Dedicaram depois os seus esforços contra o reduto da Atalaia, situado nos terrenos da Quinta do Visconde da Baía (em Campolide) com o objectivo de avançarem até à zona de Sebastião da Pedreira (na zona onde hoje se situa a Maternidade). Os reforços liberais, e sobretudo a chegada de artilharia, conseguiram travar este ímpeto realista na zona entre a Palma de Cima e Palhavã. Deu-se nova carga das forças constitucionais contra esta coluna miguelista, causando-lhes baixas e forçando-os a recuar, novamente, até ao palácio do conde de Louriçal.
Os miguelistas procuraram contrariar este avanço com uma carga com um esquadrão de cavalaria. Os defensores da Atalaia pensaram tratar-se de uma força que estava a desertar para as suas linhas (tão improvável era o sucesso da carga de cavalaria) e só abriram fogo no último momento. Tal foi, contudo, suficiente, tendo sido o esquadrão quase totalmente dizimado. Apesar disso houve baixas liberais, sobretudo devido ao fogo de artilharia que foi particularmente intenso sobre o quartel-general em Campolide.
No fim da manhã do dia 5 de setembro, ambos os lados registaram pesadas baixas, estando muito perto de terminar a guerra civil com a perda do próprio D. Pedro II, que quando comandava a construção de uma bateria improvisada na Cova da Onça (actual Azinhaga Cova da Onça em Carnide) quase foi atingido por uma bala que matou um soldado que estava apenas a alguns metros de distância.

À uma hora da tarde, a divisão miguelista comandada pelo general Azevedo Lemos tinha apenas trocado alguns tiros com uma pequena força constitucional que guarnecia um moinho na base da encosta das Águas Livres e continuava estacionada junto à base do Aqueduto. A essa hora os miguelistas enviaram uma pequena força de cavalaria apoiada por infantaria por Monsanto adentro.
O barão de Clouet recebeu ordem para avançar com os seus seis mil homens, mas pediu a D. Miguel para adiar esse avanço para o dia seguinte dado que não acreditava no seu sucesso.
Às seis da tarde do dia 5 de setembro, as forças constitucionais recuperaram as casas e muros a partir de onde os miguelistas tinham fustigado durante toda a manhã as suas linhas, demolindo-as pouco depois.
No fim do dia, era claro que os miguelistas não tinham conseguido alcançar os seus objetivos. A expectativa das hostes absolutistas de que haveria um levantamento popular em Lisboa contra os constitucionalistas não era realista. Isto desanimou o seu exército e, durante alguns dias, não foram tentadas operações militares contra as linhas dos defensores. Houve apenas trocas de tiros de espingarda nas linhas de frente e alguns – raros – disparos de artilharia sobre as posições realistas, mas que não provocaram baixas.
A estratégia das forças de D. Miguel adaptou-se à falta de apoio popular e, em vez de uma carga generalizada sobre as posições liberais, passou a apostar num cerco. Mas – para que tal fosse bem sucedido – seriam precisas muito mais forças que os 12 mil homens ao dispor dos miguelistas. Desde logo, porque continuava a ser possível abastecer a cidade a partir do mar e do sul do Tejo a coberto da artilharia do Bugio e das fortificações de São Julião e Belém. Mas, sobretudo, porque a maioria da sua artilharia continuava dispersa pelo país e a esquadra liberal continuava disposta perto da capital.
Apesar destas limitações de forças, os realistas começaram, a partir de 6 de setembro, um plano de cerco a Lisboa com forças concentradas desde Monsanto até à Portela (então conhecida como “Portela de Sacavém: hoje no concelho de Loures) e, nomeadamente, na Estrada de Sacavém, onde hoje se situa a Rua Agostinho Lourenço (Areeiro), a atual estação ferroviária Roma-Areeiro (Alvalade e Areeiro), troço entre a Rua Guilhermina Suggia e a Gago Coutinho (Alvalade), Lagares del Rei e as quintas da Fronteira e da Feiteira, ambas também em Alvalade.
O cerco, contudo, não era apoiado pelas soldadesca das forças miguelistas que, apesar da presença do candidato a monarca absoluto, começaram a conhecer grande número de deserções sobretudo entre as forças de segunda linha: as milícias e os voluntários civis.
Nesse dia 6 e nos subsequentes os constitucionalistas aproveitaram a pausa concedida pelos realistas para reforçar as suas posições requisitando civis lisboetas para essas obras enquanto davam descanso às suas tropas. Especial atenção foi colocada nas fortificações que defendiam a entrada no Tejo e para atrair mais abastecimentos o governo da cidade desceu os impostos alfandegários e abriu excepções por forma a alguns dos bens alimentares pudessem desembarcar em Lisboa mesmo sendo transportados por navios estrangeiros.
Isto, contudo, não ocorreu de forma totalmente impune porque os realistas reagiram e enviaram uma pequena força que conseguiu tomar alguns barcos carregados de cereais. Mas tratou-se de uma operação isolada e que não melhorou o moral das forças sitiantes.
Os liberais – dando prova da fragilidade do “cerco” miguelista – enviaram uma força de Lisboa até Samora Correia e Benavente apreendendo e transportando para Lisboa um grande abastecimento de trigo. Os realistas tentaram opor-se mas foram batidos e retiraram deixando alguns mortos junto a essas localidades.
Para tentar vencer a apatia das suas forças os miguelistas procuraram organizar um ataque noturno com três mil infantes avançando de baioneta e em ordem cerrada com apoio de artilharia e de alguns esquadrões de cavalaria. O plano, contudo, não chegou a ser executado e os realistas ocuparam esses dias nas mesmas atividades que os liberais: o reforço das suas linhas.
Gizou-se, então, outro plano: o de afrontar as forças liberais através da Portela de Sacavém com o avanço de cerca de dois mil homens com o objetivo de tomar a localidade e apertar o cerco a Lisboa enquanto distraia os liberais de um grande ataque que deveria avançar a partir do Campo Grande (onde estava estacionada a reserva principal dos realistas) e da Quinta da Luz, em Carnide, onde estava uma força de cavalaria de reserva. Ambas as forças deveriam convergir e avançar até ao centro de Lisboa.
A ideia foi considerada como fantasiosa pelo general miguelista barão de Clouet que se recusou a participar e apresentou a demissão sendo substituído pelo general João Gouveia de Melo.
Às 23 horas de 14 de setembro de 1833 as forças miguelistas começaram a sua movimentação, chegando o alerta às trincheiras e o reduto liberais que se situavam junto ao atual cemitério do Alto de São João (Penha de França) pela uma da madrugada. Rapidamente, os liberais fizeram deslocar um batalhão de reforço para a Quinta dos Apóstolos (na zona onde hoje se cruzam a Rua David Lopes com a Afonso III, na Penha de França, no extremo sul do atual cemitério) vindo este batalhão reforçar a bateria de artilharia que aqui se encontrava. Entretanto, os miguelistas aumentaram a força aqui empenhada e apostaram um total de cinco mil homens (quase metade do seu contingente) nesta operação.
Aos primeiros raios de sol de 14 de setembro as forças miguelistas ainda tentavam avançar pelos terrenos e quintas agrícolas que na época se encontravam nesta zona estendendo o seu avanço entre a Portela de Sacavém (Loures) e Chelas (Marvila, ou “Maravilla”, e Areeiro). Terão sido estas forças que possivelmente se estabeleceram na Quinta das Ameias (Areeiro) e que poderão estar na origem dos relatos de ossadas humanas aqui encontradas durante a década de 1960.
A marcha foi lenta devido às más condições dos caminhos e azinhagas (como a Azinhaga Fonte do Louro, cujos restos ainda sobrevivem no Parque Urbano do Vale da Montanha) e somente pelas cinco da manhã (cinco horas depois) é que houve a primeira troca de tiros junto às trincheiras no Alto de São João. Seis peças de artilharia começaram a fustigar o reduto liberal. Ao mesmo tempo, uma casa nas imediações que os liberais tinham fortificado foi atacada por três centenas de soldados de infantaria, à frente de outras centenas de tropas de segunda linha, conseguindo expulsar os defensores liberais.
A posse da zona daria aos miguelistas um impulso decisivo para prosseguirem o seu avanço até ao centro de Lisboa mas o avanço rápido do batalhão liberal sob comando do visconde de Fonte da Arcada permitiu colmatar a brecha.
Resolvida a situação no Alto de São João os liberais que estavam estacionados nas Quintas do Joaquim Pedra, na do Manuel Nunes, do Profeta e no Alto dos Toucinheiros (hoje em Xabregas, Beato) concentraram fogo contra os miguelistas que afrontavam as suas posições com tanta eficácia que travaram o seu avanço.
O avanço complementar de uma coluna de liberais através do vale de Chelas pelo sul (onde até há pouco tempo acontecia o Rock in Rio) poderia ter apanhado de flanco o avanço miguelista mas foi vítima de fogo amigo da fragata D. Pedro que estava fundeada frente a Xabregas.
Os miguelistas, apesar de ter sido quebrado o ímpeto do avanço não recuaram conseguindo uma força de dois mil homens atacar à baioneta esta força liberal e levando-a à retirada. Entretanto uma reserva miguelista, com cavalaria e infantaria, estacionada atrás de baterias de artilharia era atingida por vários tiros da artilharia liberal ficando imobilizados e incapazes de se juntarem à refrega. Às 10 da manhã, os miguelistas receberam ordem de retirada o que fizeram em grande desordem perdendo mais de cem homens tendo apenas a incursão das reservas poupando maiores baixas. Do lado liberal contaram-se 22 mortos e um número semelhante de feridos.
Com esta derrota no Vale de Chelas os generais miguelistas perderam qualquer fé numa vitória em Lisboa e o marechal Bourmont que comandava a campanha pediu a demissão retirando-se na direcção de Espanha levando consigo a maioria dos oficiais franceses que o acompanhavam. D. Miguel substitui-o rapidamente pelo general escocês MacDonnel que ordena o recuo das suas forças a partir das linhas que rodeavam Lisboa mas para ser, pouco depois, repelido ainda para mais longe pelos ataques ordenados pelo Duque de Saldanha a 10 e 12 de Outubro de 1833. Até lá, a guerra não se tornaria a aproximar de Lisboa e D. Miguel recuaria até Santarém que passaria a ser o seu reduto principal até ao final do conflito.
A intervenção da quádrupla aliança, composta por Maria Cristina, regente da Espanha, D. Pedro, regente de Portugal, França e Inglaterra, acabou por ser essencial para pôr fim à guerra civil. Após a assinatura da convenção de Evoramonte em maio de 1834, D. Miguel rendeu-se e foi exilado em Génova, posteriormente mudando-se para a Grã-Bretanha e, por fim, para a Alemanha. Os liberais assumiram definitivamente o controle de Portugal, mas logo divergiram quanto ao modelo político a ser seguido e o país tornou a entrar em instabilidade mas Lisboa, por seu lado, nunca mais tornaria a ser palco de batalhas em tão larga escala.
Alguns locais de Lisboa onde houve combates entre Liberais e Absolutistas:
Alvalade:
Palma de Cima (perto de onde hoje encontramos o Hospital Santa Maria)
Areeiro:
Vale do Areeiro
Bairro do Arco do Cego (limites)
Azinhaga Fonte do Louro cujos restos ainda sobrevivem no Parque Urbano do Vale da Montanha
Arroios:
Largo de Arroios (hoje entre a Rua de Arroios, Rua Carlos José Barreiros e a Igreja São Jorge de Arroios)
Beato:
Quintas do Joaquim Pedra, na do Manuel Nunes, do Profeta e no Alto dos Toucinheiros (hoje em Xabregas: Beato)
Campolide:
Quinta do visconde da Baía perto dos Arcos do Aqueduto e unido por um pequeno bosque à Quinta dos Marqueses do Louriçal em Palhavã
Quinta do visconde da Baía (em Campolide)
Moinho na base da encosta das Águas Livres e continuava estacionada junto à base do Aqueduto
Carnide:
Cova da Onça (atual Azinhaga Cova da Onça em Carnide)
Quinta da Luz, em Carnide
Penha de França:
Trincheiras e o reduto liberais que se situavam junto ao atual cemitério do Alto de São João (Penha de França) pela uma da madrugada. Rapidamente, os liberais fizeram deslocar um batalhão de reforço para a Quinta dos Apóstolos (na zona onde hoje se cruzam a Rua David Lopes com a Afonso III, na Penha de França, no extremo sul do atual cemitério)
São Domingos de Benfica:
Palhavã (na zona de Campolide) e a Estrada de Sete Rios, não longe do local onde hoje está o Jardim Zoológico
Para saber mais:
https://toponimialisboa.wordpress.com/2014/10/06/da-cruz-das-almas-a-rua-de-campolide/
https://lisboadeantigamente.blogspot.com/2016/09/o-largo-de-arroyos-e-sua-sopa.html
https://toponimialisboa.wordpress.com/2017/12/13/sete-rios-e-humberto-delgado/
https://biclaranja.blogs.sapo.pt/157807.html
https://www.arqnet.pt/portal/portugal/liberalismo/lib1832.html
https://toponimialisboa.wordpress.com/2015/04/15/o-beco-dos-toucinheiros-em-xabregas/
http://lisboa-e-o-tejo.blogspot.com/2018/01/historia-do-marechal-saldanha-1790-1876_6.html?m=1
https://purl.pt/1534/3/cc-303-p2_JPG/cc-303-p2_JPG_24-C-R0150/cc-303-p2_0001_1_p24-C-R0150.jpg
https://ensina.rtp.pt/explicador/a-guerra-civil-entre-liberais-e-absolutistas-h65/
Alguma literatura adicional:
Guerras Liberais, António Ventura, QuidNovi (fonte principal)
Pequeno Dicionário da História de Portugal, Joel Serrão, Figueirinhas
Portugal Militar, Carlos Selvagem, INCM
*O autor escreve com o antigo Acordo Ortográfico
*Rui Martins nasceu em Lisboa, numa Rua da Penha de França, num edifício com uma das portas Arte Nova mais originais de Lisboa. Um ano depois já tinha migrado (como tantos outros alfacinhas) para a periferia. Regressou há 18 anos. Trabalha como informático. Está ativo em várias associações e movimentos de cidadania local (sobretudo na rede de “Vizinhos em Lisboa”).

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