Da iniciativa de quatro mulheres nasceu a luta e a esperança de mudar um bocadinho Lisboa. Mais precisamente, o bairro da Graça, que assim como outras zonas históricas da cidade tem sofrido os efeitos da pressão do turismo e da gentrificação. Preservar a memória e a vida em comunidade estão entre os objetivos do projeto capitaneado por elas, o Vida com Graça. A iniciativa faz parte do projeto BIP/ZIP Vida com Graça, dinamizado pela Cooperativa Criar Cidade com o apoio da Mensagem de Lisboa.

Coordenado por uma antropóloga, Ana Catarino, uma especialista em aprendizagem criativa, Kitti Baracsi, e duas geógrafas, Ana Estevens e Adélia Verônica Silva, o projeto é fruto da candidatura da Cooperativa Criar Cidade, gerida pelas quatro, ao programa BIP/ZIP da Câmara de Lisboa.

Conta ainda com a parceria das associações Cultural Maloca, Xerém e Fora de Jogo, da Associação de Mães, Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Gil Vicente, da Mensagem Lisboa e da Junta de Freguesia de São Vicente.

Desde setembro de 2025, o projeto realiza atividades na Graça, reforçando e celebrando a importância da solidariedade na comunidade, numa cidade em transformação. Para as quatro, a Graça é um contexto de trabalho valorizado por ser ainda um bairro com vida local e solidariedades de vizinhança, onde o comércio estabelece relações de proximidade. 

Durante dois meses, essas lisboetas atentas ao presente e ao futuro da Graça foram acompanhadas pelo jornalista Álvaro Filho na pesquisa e produção de textos que refletem o atual cenário urbanístico e social da Graça, apontando ainda para possíveis soluções. 

O resultado deste trabalho em conjunto pode ser acompanhado aqui na Mensagem numa série de reportagens.


Foto: Criar Cidade

Ana Estevens, Ana Catarino, Kitti Baracsi e Adélia Veronica da Silva, da cooperativa Criar Cidade.

Alfacinha de gema, Joana Nunes estudou Antropologia para confirmar que não queria ser antropóloga, foi vendedora para descobrir que odeia o capital e fez limpezas para perceber que prefere a sujidade das palavras. Hoje, é revisora de texto.

Licenciada em História da Arte Natural, Érica Cardosa reside em Lisboa há 10 anos, onde desenvolve o seu trabalho como guia turística e investigadora informal. Trabalha sobretudo o tema de street art (artistas, técnicas, temas) e também práticas transgressivas em espaços urbanos.

Helena Vicente Gomes, nasceu e vive, desde sempre, em Lisboa. É professora de Inglês e Alemão da Escola Básica e Secundária Gil Vicente e, na sua vida, tem mantido o interesse e o fascínio pelas artes em geral: literatura, música, teatro, dança e belas-artes.



Entre miradouros, brunches e apartamentos turísticos, existe um bairro onde a vida quotidiana se torna cada vez mais difícil para quem sempre ali viveu. A Samanta Velho, uma mulher da tecnologia, interessa-lhe perceber como uma cidade se transforma quando começa a ser pensada mais para quem a visita do que para quem a habita. 

Jornalista, com um percurso construído no jornalismo cultural e de entretenimento, Joana Sequeira cruza escrita, entrevistas, conteúdos digitais e estratégia editorial com um denominador comum: o olhar atento ao detalhe e a procura constante do melhor ângulo. Lisboa é o seu centro de gravidade e o meu campo de ação.

Com coordenação de Álvaro Filho:

Jornalista e escritor brasileiro, 51 anos, há seis em Lisboa. Foi repórter, colunista e editor no Jornal do Commercio, correspondente da Folha de S. Paulo, comentador desportivo no SporTV e na rádio CBN, além de escrever para O Corvo e o Diário de Notícias. Cobriu Mundiais, Olimpíadas, eleições, protestos – num projeto de “mobile journalism” chamado Repórtatil – e, agora, chegou a vez de cobrir e, principalmente, descobrir Lisboa.


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