Fiumani tem tornado muito séria esta missão de assinar arte com lixo — espumas dos sofás deixados na rua, peças de carros abandonadas no mato, brinquedos partidos esquecidos à beira dos caixotes do lixo. Fiumani é Filippo Fiumani, tem 37 anos, 12 dos quais passados em Lisboa. É italiano, artista, ator. As obras dele trazem-nos um grande alerta.
Trabalhando entre a pintura, a escultura e a instalação, o artista mistura materiais encontrados no lixo com tecnologia. O resultado são peças que questionam o consumismo e o ritmo frenético da vida moderna. Por isso mesmo, o que recolhe do lixo não é apenas matéria-prima: é matéria de pensamento.
Cada brinquedo, cada pedaço de espuma ou metal tem uma história sobre o que descartamos — e o que isso diz sobre nós.
Vivemos “viciados em comprar” e as instalações dele funcionam como espelho disso: devolvem ao público a imagem de uma sociedade obcecada pelo novo, pelo rápido, pelo substituível.
“O meu objetivo é simples. Quero que as pessoas parem e pensem por elas próprias”, explica. Essa pausa, diz, neste mundo acelerado, é talvez o gesto mais revolucionário que a arte pode oferecer.
Conheça toda a história de Fiumani e saiba por que é um “Herói da Reciclagem”:
Este episódio faz parte da série da Mensagem “Heróis da Reciclagem”. Com o apoio da Sociedade Ponto Verde, foram eleitos 12 projetos da Área Metropolitana de Lisboa pelas suas ações exemplares na área da sustentabilidade. Cada vencedor verá a sua história contada aqui, na Mensagem, num pequeno documentário.
Produção e Entrevistas: Ana Narciso
Imagem: Inês Pedrosa
Ilustrações: Nuno Saraiva
Direção: Catarina Carvalho
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