No Nepal, diz-se que estas flautas de bambu não tocam notas, mas “cantam como pássaros”. Nas mãos de Sunil Pariyar, músico radicado em Lisboa há uma década, este instrumento (chamado “bansuri” no Nepal e na Índia) é isso mesmo, um organismo vivo: dependendo do tamanho e do corte da madeira, a “voz” que dele sai muda, adaptando-se ao estado de espírito de quem sopra.

Sunil é um homem de duas geografias e muitas artes. Músico de formação clássica e artista plástico de olhar atento, encontrou em Lisboa uma outra ressonância para a música que fazia. Quando chegou, deixou-se permear pelo fado e pela música folk portuguesa, que ele diz serem “a melhor música do mundo”.

“A música folk fala de espiritualidade e da vida em sociedade. Folk é tudo o que existe à nossa volta.”

Sunil Pariyar

Sunil transformou-se numa ponte entre a tradição nepalesa e a a canção popular lusa. Em Lisboa, onde dá concertos e ensina a arte do Bansuri a alunos de todos os níveis, prova que a espiritualidade não é um conceito abstrato, mas algo que se esculpe no bambu e se liberta no fôlego.

Esta história faz parte da série “Lisboa a Voltar a Gostar Dela Própria”, uma iniciativa que pretende dar palco a artistas que, embora distantes dos grandes focos mediáticos, moldam a cultura vibrante da cidade. Saiba mais na página do projeto.


Tiago Pereira

Realizador, documentarista, radialista e visualista, Tiago Pereira tem promovido e divulgado a música portuguesa, como mentor e diretor do projeto “Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”

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