A Mensagem lançou uma missão a seis estudantes do mestrado de Jornalismo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa: olhar para um bairro social de forma diferente das notícias que costumam ser publicadas nos meios de comunicação tradicionais. Esse bairro era Chelas, onde a Mensagem começava outra missão: ajudar a fazer renascer o jornal hiperlocal do bairro, a Gazetta do Bairro, com o apoio da bolsa do Journalismfund. Passados os primeiros meses de trabalho, estes jovens estudantes deixam o seu manifesto aqui:
Um livro para “mergulhar”

“Chelas é um livro, para muitos, fechado. Mergulhar no projeto Gazetta do Bairro, com curiosidade e vontade de tirar este bairro da sombra, foi mais um encontro com boas histórias, neste caso, que a cidade pretende esconder. Para mim, o jornalismo é isto: desocultar o que está escondido e trabalhar para alterar percepções erradas, construindo uma sociedade mais justa e democrática.”
Mariana Riscado nasceu, cresceu, vive Lisboa há 20 anos. É estudante mestrado em Jornalismo na Universidade Nova de Lisboa, onde anda sempre a procurar, mais um canto da cidade de Lisboa para conhecer, mais uma história para contar.
Muito além das más notícias

“Desde muito novo, com uma câmara fotográfica, sempre tive a vontade de documentar o que estava a acontecer. O projeto da Gazeta do Bairro deu-me a oportunidade de o fazer, não só através de imagens, mas também pelas palavras, cobrindo o que os meios de comunicação tradicionais muitas vezes ignoram. Como futuro jornalista, este projeto mostrou-me que há muito mais para além das notícias, muitas vezes pejorativas, que vemos na televisão. Pelo contrário, o bairro é um espaço repleto de projetos positivos e iniciativas viradas para a comunidade.”
Eduardo Matias nasceu em Santiago do Cacém, uma terra alentejana com pouco movimento, rumou a Lisboa para estudar Sociologia na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde atualmente frequenta o mestrado de Ciências da Comunicação e estagia na Mensagem de Lisboa.
Sair da bolha

“Percebi que queria ser jornalista quando comecei a sentir que vivia numa bolha. Achava o meu mundo demasiado pequeno e precisava de alguma coisa que o alargasse, e pensei que o jornalismo podia servir para isso. O projeto da Gazetta do Bairro, em conjunto com a Mensagem, permitiu-me precisamente sair da bolha. Acho que o jornalismo se podia comprometer mais com esta tarefa. Penso que foi essencial para mim, enquanto futura jornalista, perceber que a diferença que vemos nos outros é construída. Em Chelas, aprendi que, embora a cobertura noticiosa nem sempre o mostre, as pessoas que lá vivem não são assim tão diferentes de mim.”
Marta Loureiro nasceu em Queluz, há 22 anos. Com 7 anos, criou próprio jornal em casa, feito de folhas A5 pautadas coladas com fita-cola roxa. Foi a pensar neste momento que decidiu tirar a licenciatura em Ciências da Comunicação, na Universidade Nova de Lisboa. O percurso seguiu naturalmente, e está agora no mestrado em Jornalismo.
Vencer desafios

“O projeto da Gazetta do Bairro e da Mensagem de Lisboa abriu portas a que novas realidades fossem conhecidas. Através da sua dinâmica semanal, o projeto conseguiu aproximar estudantes de jornalismo a um bairro, que, de outra forma, nunca seria conhecido por nós. Jornalisticamente, a iniciativa concedeu-me a oportunidade de consolidar os meus conhecimentos e, adicionalmente, aprender a um nível prático como ultrapassar desafios temporais, éticos e ainda de conteúdo. O projeto diferencia-se por conseguir abrir portas a histórias marcantes que, de outra forma, nunca conseguiriam alcançar qualquer tipo de cobertura mediática. Desta forma, este trabalho reforça a importância da comunidade local para o jornalismo.”
Gonçalo Amaral em tenra idade já acompanhava familiares nas leituras assíduas dos jornais. Com o passar dos anos, criou um jornal em folhas soltas que distribuía no bairro onde cresceu. A paixão por informar levou-o a estudar jornalismo na Universidade Nova de Lisboa. Hoje, de política a música, vai contando as histórias de com quem se cruza.
Mais próximo da realidade
“A experiência de apurar histórias na zona de Chelas, como a reportagem sobre o Wilson da Bringing New Colours, que faz personalização de ténis e organiza atividades para jovens, evidencia a relevância do jornalismo de proximidade e do contato direto com a comunidade. Trabalhar em projetos que exploram a dimensão social das histórias contribui para desenvolver sensibilidade, além de me proporcionar prática em escrita jornalística. Enquanto estudante essa experiência tem sido enriquecedora porque tem proporcionado uma aproximação da realidade do jornalismo profissional ajudado a desenvolver competências que vão além da teoria académica.”
Vinícius Paz nasceu em Brasília, capital do Brasil e vive em Lisboa há sete anos, onde cursa o mestrado em Jornalismo na Universidade Nova de Lisboa. Nutre o interesse em jornalismo político e em narrativas que conectam comunidades locais a questões sociais mais amplas, além de participar de projetos como o atual, que lhe permitam unir formação académica e experiência prática, fortalecendo trajetória profissional na área do jornalismo.
Derrubar os muros

“Juntar-me ao projeto da Gazetta do Bairro e da Mensagem de Lisboa relembrou-me como o jornalismo, enquanto prática social e discursiva, não pode permitir-se neutro, mas sempre situado. Ao longo dos últimos meses, conheci Chelas um pouco melhor – não através das manchetes dos jornais nem da televisão – e percebi como a distância entre as redações e as periferias se traduz não apenas em ausência de cobertura, mas também em simplificações narrativas. Na ânsia de se escrever sobre ombros de gigantes, acabamos por desconsiderar de forma acrítica diferentes geografias, culturas e comunidades, erguendo ainda mais muros (in)visíveis. Acho que prefiro escrever sobre os cacos destes muros daqui em diante, e sobre os quais a Gazetta continuará a escrever, porque ainda há tantas histórias por contar e Chelas é mais que um sítio dividido em zonas com letras do alfabeto.”
Nina van Dijk nasceu em Coimbra, em terras gândaras, mas cedo mudou-se para os vales e montes de Odemira, onde descobriu-se no jornalismo ao colaborar com uma rádio local. Em 2025, licenciou-se em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, onde iniciou um mestrado em Jornalismo. Também escreve para o jornal regional Sul Informação e frequenta uma pós-graduação em Jornalismo de Investigação Colaborativo, pela Universidade de Coimbra.
Conheça este projeto aqui!

O jornalismo que a Mensagem de Lisboa faz une comunidades,
conta histórias que ninguém conta e muda vidas.
Dantes pagava-se com publicidade,
mas isso agora é terreno das grandes plataformas.
Se gosta do que fazemos e acha que é importante,
se quer fazer parte desta comunidade cada vez maior,
apoie-nos com a sua contribuição:
