Foto: Inês Sanches/À Mesa.

Em família, é na cozinha que está o coração da casa. Onde se junta toda a gente para falar e preparar o almoço ou o jantar. No coletivo À Mesa funciona da mesma maneira. As mãos ajudantes multiplicam-se sobre tachos e panelas para mais um jantar do coletivo proveniente do bairro dos Anjos.

Inez Sanches, de 38 anos, é apenas uma das várias pessoas que fazem parte do À Mesa, que nasceu em 2022. Nesse ano semeou-se a ideia que viria dar origem à cozinha itinerante, que encontra morada mensalmente em diferentes associações e cooperativas de Lisboa.

 “A ideia surgiu nas jornadas de Arroios. Havia discussões sobre vários temas, um deles a alimentação. Falou-se, mas sem o intuito de formar qualquer coisa. Mas vontade das pessoas que estavam nessa mesa de fazer um projeto de cantina ficou. Então, no início de 2023, em janeiro, fizemos a nossa primeira cantina do À Mesa, no Regueirão dos Anjos.”

Um projeto realizado de ombro a ombro, em que se questiona a velha regra “À mesa não se fala de política”, como refere Francisca Bagulho, de 50 anos, que faz parte do coletivo.

“Traz-se a política toda! É engraçado como através da alimentação e dacozinha se consegue chegar a tantos temas importantes politicamente, socialmente emocionalmente. É incrível como a cozinha está no centro das questões todas”, pontua.

É este caráter que faz do coletivo À Mesa um projeto tão especial, o de juntar pessoas de diferentes origens e proveniências à volta da mesa. Não só para cozinhar, mas também para partilhar opiniões e promover a conversa que tantas vezes se procura. Seja com amigos ou com recém conhecidos, improvisa-se espaço na mesa para que todos possam jantar, na dúvida, é na partilha que está a solução. 

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Esta reportagem faz parte da “Mensagem Rádio”, um programa que passa quinzenalmente na RDP África (do grupo RTP), à terça e sexta-feira, e em permanência: no site da Mensagem, em rdpafrica.rtp.pt e no Spotify.


Mariana Vital

Alfacinha de gema, criada no elétrico 28, foi nas ruas onde cresceu e através das pessoas que a cidade lhe foi dando a conhecer que descobriu a paixão por contar histórias. É através da palavra – lida, escrita, falada ou cantada – que chega, por esses carris fora, à sua paragem. Está a estagiar na Mensagem de Lisboa.

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